Formação profissional

Ceramistas concluem curso técnico e abrem perspectivas

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 22/12/2014 14:28

Portal MEC

Dentro de seis meses, 25 trabalhadores vinculados a empresas ceramistas do norte de Goiás concluem o primeiro curso técnico em cerâmica oferecido pelo campus Uruaçu do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG). A criação do curso, que começou em agosto de 2013, partiu de um pedido da Associação dos Ceramistas do Norte de Goiás (Asceno), entidade que representa 42 empresas do setor.

De acordo com o professor Luciano Alves, do campus Uruaçu, que coordena o curso, o norte de Goiás e o Vale do São Patrício constituem um polo considerável de produção cerâmica, importante campo de trabalho para jovens e adultos, mas carente de qualificação técnica, além de enfrentar o problema da dispersão dos trabalhadores num grande território. Foi em função desses fatores que o IFG acolheu o pedido da associação e estudou o tipo de curso que seria mais adequado aos trabalhadores com prática no ramo.

Como os candidatos trabalham em indústrias ceramistas distribuídas na parte norte do estado, o campus decidiu oferecer um curso técnico pós-ensino médio na modalidade a distância. A carga horária é de 1,4 mil horas, sendo 60% a distância, 40% presencial e mais um estágio de 120 horas a ser feito na indústria onde o aluno já trabalha.

Durante um ano e meio, o curso aborda 24 disciplinas, entre práticas e teóricas, onde se destaca o estudo da cerâmica tradicional, cerâmica branca (piso e revestimento), vermelha (tijolo, bloco vazado, telha, lajota), cerâmica artística (porcelana), pintura; e conteúdos sobre gestão ambiental, empreendedorismo, administração industrial, venda, ética, cidadania, química aplicada, redação técnica, língua portuguesa. As disciplinas serão concluídas em março de 2015. O estágio será realizado de abril a julho. No período, o estudante será supervisionado na indústria por um professor do campus Uruaçu e por um profissional da empresa.

Avaliação – Em 2013, a unidade de Uruaçu abriu 80 vagas e recebeu 62 inscrições. Todos os inscritos começaram o curso, mas apenas 25 continuaram a formação. Entre as dificuldades alegadas pelos alunos ao desistir, diz o coordenador, está o cumprimento das tarefas dentro da Plataforma Moodle, apesar de ter um tutor que tira dúvidas, cobra a execução dos trabalhos e ajuda sempre que o aluno precisar. Para o professor, algumas pessoas ainda pensam que a formação a distância é fácil e, ao se deparar com as atividades exigidas, muitas simplesmente desistem.

Mesmo com as desistências, Luciano Alves vê de forma positiva o aproveitamento dos 25 alunos que venceram três semestres e que, certamente, serão certificados. “Esse grupo tem interesse, enfrenta as dificuldades, pede ajuda aos professores, cumpre as tarefas e tem bom desempenho”, avalia Luciano. A turma que segue no curso é constituída por trabalhadores na faixa de 25 a 50 anos de idade.

Sucesso – Para o secretário da Associação dos Ceramistas do Norte de Goiás, Joni Lúcio da Costa, a certificação de 25 trabalhadores pelo IFG, prevista para julho de 2015, é um sucesso para a atividade da indústria da região. “O curso vai permitir que o ceramista saia da situação de oleiro, comece a trabalhar com técnica e caminhe para ser empreendedor, empresário”, disse ele. A formação, explica Joni, integra o planejamento estratégico do arranjo produtivo local (APL), firmado entre a Asceno e as esferas de governo estadual e dos municípios do norte goiano, que tem vigência até 2034.

O secretário da associação estima que as 42 indústrias de cerâmica do norte goiano e do Vale do São Patrício empreguem 1,3 mil trabalhadores. Ele explica que existem empresas grandes, sendo que apenas uma é certificada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), mas que a maioria é de médias e pequenas. Com trabalhadores certificados pelo curso técnico, a expectativa da associação é que esse quadro se modifique. Segundo Joni, há campo de trabalho para técnicos formados e certificados na área. A associação espera que, ao concluir o curso em 2015, o campus Uruaçu abra uma nova turma.