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Trabalhador brasileiro é criativo, inventivo e com boa capacidade de reação

Para especialistas, o brasileiro é bem-visto no exterior graças à criatividade e ao jogo de cintura para lidar com adversidades, mas é preciso se capacitar e investir na mudança

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postado em 22/03/2015 09:45 / atualizado em 22/03/2015 10:08

Ana Paula Lisboa

FABRICE COFFRINI
A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +20) de 2012, a Copa das Confederações em 2013, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas Rio 2016 colocaram o Brasil em posição de destaque no cenário internacional nos últimos anos. Se depender de profissionais brasileiros que representam o país lá fora, a nação continuará em alta por um bom tempo. O número de interessados em desenvolver carreira em outros países só cresce. Levantamento da empresa de recrutamento Hays e do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) revela que, em 2014, mais de 80% dos executivos brasileiros estavam dispostos a trabalhar no exterior. Em 2013, o percentual era de 62,2%. Pesquisa da Catho confirma a tendência: 76% dos profissionais em geral topariam mudar de país por uma proposta profissional.

O administrador Angelo Graeff, 36 anos, faz parte das estatísticas, já que sempre sonhou com uma experiência internacional. Ele começou a trabalhar na Rexam — multinacional de produção de latas e tampas para bebidas presente em 20 países — em 2002 e, quando soube de uma vaga aberta na empresa no Chile, não perdeu tempo e se candidatou. Angelo foi selecionado e assumiu a liderança da fábrica de Santiago em 2014. “Liderar uma equipe fora do meu país é um desafio, mas estou apresentando indicadores e resultados positivos, então sou bem aceito”, revela. Angelo conta, porém, que, no início, teve de provar ter competência para conquistar a confiança dos colegas. A especialista em recursos humanos Rúbria Coutinho avalia que essa é uma dificuldade normal e que não deve intimidar os brasileiros. “Algumas culturas são mais receptivas, mas, em qualquer ambiente novo, você precisa mostrar sua capacidade.”

André Freire, presidente da empresa de recrutamento Odgers Berntson no Brasil, avalia que quem nasce em terras tupiniquins já conta com uma vantagem competitiva na hora de atuar no exterior: o fato de ser bem-visto. “O perfil do brasileiro é valorizado porque são profissionais que sempre foram obrigados a passar por altos e baixos — econômicos e políticos. O resultado disso é que são vistos como funcionários criativos, capazes de se reinventar e reagir rapidamente.” O número de conterrâneos em altos postos em multinacionais e organizações internacionais também é fruto da consciência de que a diversidade — de nacionalidade e de cultura — é positiva. De acordo com Freire, o fato de o conhecimento de outros idiomas não ser problema em cargos de alta e média complexidade tem ajudado executivos a se estabelecerem no exterior.

Projeto de vida

Mauricio Pane Júnior, 47 anos, é exemplo disso. Vice-presidente de Finanças e Controladoria para a América do Sul da empresa química Basf, acumula três temporadas no exterior. Entre 2007 e 2012, morou em Ludwigshafen, na Alemanha, onde atuou na sede global da companhia na gerência executiva de Transformação Global de Finanças. Antes disso, enquanto trabalhava na multinacional de eletrodomésticos BSH, morou cinco anos no Peru e, entre 2003 e 2004, residiu em Munique, na Alemanha. “Aprendi o alemão ao longo dos anos, já que trabalhei em empresas desse país, mas viver lá é outra coisa. O espanhol é parecido com o português, mas é preciso se dedicar”, conta. Além de ganhar fluência nas línguas e conhecimentos profissionais, Mauricio teve importantes aprendizados pessoais. “A vivência é inigualável. O importante é ter em mente não apenas a carreira: é preciso ser um projeto de vida, porque a experiência envolve toda a sua existência.”

Perfis de altos executivos, como o de Mauricio, estarão cada vez mais presentes no exterior. Essa é a previsão de Luis Fernando Martins, diretor nacional da Hays. “No passado, trabalhar em outro país era mais comum para recém-formados em posições juniores. Hoje em dia, pessoas de média e alta gerência procuram posições fora.”

Empresário no Canadá

Arnon Melo, 48 anos, mora no Canadá há 25 anos e conseguiu construir uma carreira de sucesso vindo de baixo. Graduado em tradução e interpretação, ele chegou a trabalhar na área no país, mas passou por vários subempregos enquanto fazia outra graduação, em comércio exterior, no Seneca College em Toronto. “Depois de me formar, pedi uma oportunidade para estagiar numa empresa de logística. Em nove anos, me tornei gerente do departamento aéreo.” Foi quando ele resolveu colocar em prática o sonho antigo de ter a própria empresa. “Pedi demissão, e os clientes que trabalhavam comigo quiseram me seguir. Treze anos depois, somos referência no mercado Brasil-Canadá”, explica o dono da companhia de logística Mellohawk. “Como imigrante, era difícil conquistar clientes no início. Ter que provar meu valor mais que o canadense nunca me segurou; na verdade, me deu mais força.”

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