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Correio Braziliense

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Livro aborda a educação baseada no funcionamento do cérebro

Escrita por uma pedagoga e uma especialista em aprendizagem, publicação reúne dicas práticas sobre a educação para crianças

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postado em 08/09/2015 13:11 / atualizado em 08/09/2015 15:20

A educação é um desafio diário para as famílias e para os profissionais da área. Muitos pais não sabem como se posicionar diante de conflitos, e as mudanças acabam afetando a relação familiar. Pensando nisso, o livro Socorro, meu filho não estuda foi lançado com diversas dicas práticas sobre a educação baseada no funcionamento do cérebro. As últimas descobertas da neurociência cognitiva trouxeram resultados que prometem mudar as relações das crianças com os estudos.

A obra foi escrita por Roberta Bento e Taís Bento, mãe e filha, que juntas somam mais de quarenta anos de experiência na área de educação. Roberta é formada em letras e possui especialização em aprendizagem baseada no funcionamento do cérebro, e Taís é graduada em pedagogia pela Universidade de São Paulo (USP). O ponto central da obra, que foi lançada em 2014, é mostrar que adquirir conhecimento pode ser prazeroso para as crianças.

Entre os temas abordados, as autoras mostram que a participação dos pais é fundamental para o bom desempenho escolar. Os hábitos desenvolvidos dentro de casa influenciam na formação dos filhos, e as atitudes das crianças são projetadas a partir da observação diária. “Para desenvolver em uma criança o gosto pela leitura, os pais precisam ser vistos lendo. Não adianta apenas ter consciência de que ler é importante, sem que os responsáveis tenham demonstrado que esse hábito é prazeroso”, afirmou Roberta Bento.

O projeto conta com um portal on-line que auxilia diversas famílias e, também, trabalha com visitas à casa da família que necessita de um acompanhamento. Diariamente, as dicas para ajudar a melhorar a relação dos filhos com os estudos são postadas no site e os pais podem mandar suas dúvidas, que são respondidas por e-mail, sem custo algum.

No programa de visitação às famílias é feito um diagnóstico da situação, e após essa etapa, um plano de ação com base no que foi observado é indicado. O objetivo é explicar o que precisa ser mudado no dia a dia da casa, e quando as mudanças já surtirem efeitos, a equipe volta até o local para fazer a gravação do episódio, com os depoimentos e demonstração da nova rotina da família.

Beneficiada pelo projeto, Mari Baroncello Santos, 42 anos e administradora do lar é mãe de Thais, 10 anos, e afirmou que os benefícios trazidos pelo programa foram satisfatórios. '‘Eu fiquei sabendo do projeto através de uma rede social, o Facebook. Passei a acompanhar as dicas atuais e necessárias para os desafios diários no quesito educar filhos. Estou aplicando na rotina de estudo algumas dicas e o resultado já aparece, temos menos stress em casa e mais tempo em família”, concluiu a mãe.

A finalidade do projeto é explicar para os pais que as mudanças simples têm um impacto na relação dos filhos com os estudos. “Em consequência dessa mudança, os resultados se refletem no maior envolvimento na escola e melhores notas, além de proporcionar dias mais tranquilos em casa e crianças com autoestima mais elevada”, explicou Taís Bento.

Ajuda tecnológica


Com os avanços tecnológicos, os neurocientistas tiveram a oportunidade de desvendar o que acontece com o cérebro no momento da aprendizagem. A neurociência cognitiva, que estuda a nossa memória, pensamentos e formas de aprendizagem, comprovou que o encéfalo busca referências na memória de longo prazo toda vez que precisamos aprender algo novo. A quantidade e qualidade de recursos armazenados na memória de uma criança é diretamente proporcional à variedade e qualidade de interações que ela teve até então.

O neurocientista Ivàn Izquierdo, coordenador do Centro de Memória e pesquisador do Instituto do Cérebro da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), explica que as crianças vão incorporando novos neurônios ao longo do processo de vida. Novas conexões são criadas ao longo da infância e da adolescência. “Nós nascemos sem enxergar muito bem, a acuidade visual é atingida depois dos 4 a 6 anos de idade. A capacidade de entender linguagens não acontece antes dos 3 anos de idade, e o processo de caminhar só acontece após os primeiros nove meses de vida, e assim por diante”.

Para Ivàn, os educadores devem aprender mais sobre a neurociência para trabalhar de maneira adequada com as crianças. “O nosso cérebro amadurece em etapas, e não nascemos com toda a capacidade já formada. Algumas etapas são amadurecidas entre o nascimento e os 18 anos. Caso os professores não compreendam a importância disso, não há como ensinar”, enfatizou.

O estado emocional é um dos fatores determinantes para o desempenho. Parte do desenvolvimento cognitivo, não depende da escola e nem dos professores, mas da convivência familiar e dos processos que ocorrem dentro de casa. Segundo Isabelle Patriciá Freitas, doutora em cognição e neurociências do programa de pós-graduação em ciências do comportamento da Universidade de Brasília (UnB), a condição emocional influencia diretamente no processo das funções. “Estudos demonstram que o fato de estar deprimido causa uma queda no desempenho de diversas funções. Após o controle desse estado de humor, o indivíduo volta a desenvolver os seus desempenhos anteriores”. Dessa forma, o estado emocional possui uma relação direta com a capacidade de aprender, desempenhar papéis e viver em sociedade.

A barreira encontrada pelos pais é não saber como ajudar a enriquecer a memória dos filhos, já que esta é uma das ferramentas mais importantes para o aprendizado. O canal do programa Socorro, meu filho não estuda, disponibiliza algumas dicas práticas para o sucesso dessa tentativa como dividir tarefas domésticas e ensinar a criança a ser responsável pela organização dos próprios pertences. A técnica adotada é levar os pequenos à compreensão de que, contribuindo nas tarefas domésticas, eles terão ciência de que ninguém pode estudar, aprender ou tirar uma boa nota por eles na escola.

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