Educação profissional

Institutos federais promovem formação de técnicos de excelência

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postado em 16/06/2016 17:55

 

“Darwin me dá segurança, me acompanha em tudo; ele me dá autonomia, independência e mais qualidade de vida”. Assim a professora gaúcha Olga Solange Herval Souza, que nasceu sem a visão, define seu cão-guia, o golden retriever Darwin. O animal foi treinado no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Catarinense (IFC), campus de Camboriú, primeira instituição da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica a implantar um centro de formação de treinadores e instrutores de cães-guia.

 

Em 2015, o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), campus de Alegre, foi o segundo a estabelecer uma unidade. Outros cinco centros estão em processo de implantação. Todas as regiões do país serão atendidas, segundo o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif). A novidade é relevante quando se considera que na população brasileira há 7,3 milhões de pessoas com deficiência visual, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde de 2013, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dessas pessoas, 1,2 milhão têm limitações severas e 95% estão sem acesso a serviços de reabilitação.

 

Antes de receber Darwin, em março de 2016, Olga teve, por 12 anos, um cão treinado pela Guide Dog Foundation for the Blind, de Nova York (EUA), que atua na área desde 1946. Para ela, que recebeu um dos primeiros animais preparados pela Rede Federal, a instrução brasileira transmite especial segurança. “Como o Darwin recebeu formação mais próxima da minha realidade, sinto-me melhor e mais segura”, diz a professora. “Ele está me acompanhando há pouco tempo e ainda estamos em processo de conhecimento mútuo, mas ele me auxilia muito bem.”

 

Olga mora em Porto Alegre, trabalha longe de casa e, acompanhada do cão-guia, desempenha todas as atividades de rotina, com qualidade.  

   

Para a reitora do IFC, Sônia Regina de Souza Fernandes, o exemplo de Olga ilustra, na prática, a importância dos centros de treinadores e instrutores de cães-guia, iniciativa da Rede Federal voltada para o processo de inclusão e disseminação da tecnologia assistiva. “Quando formamos técnicos de excelência capacitados para o treinamento de animais, principalmente, estamos colaborando para o aumento do número de cães-guia em atividade no país e contribuindo para melhorar a qualidade de vida das pessoas que têm limitações visuais”, afirma.

 

Até o momento, 16 cães treinados estão em atuação, além de outros 71 em fase de socialização, que ainda passarão pelo processo de adestramento ofertado pelo IFC e pelo Ifes.

 

Expansão Em caráter piloto, o campus de Camboriú do IFC deu início às atividades em 2012, quando abriu a primeira turma de pós-graduação de treinador e instrutor de cães-guia, em nível de especialização. O objetivo era formar multiplicadores e implantar uma rede de centros em todo o país.

 

Agora, além de o IFC já atender à segunda turma de estudantes, os institutos federais de Sergipe (São Cristóvão), do Amazonas (Manaus), do Ceará (Limoeiro do Norte), Goiano (Urutaí) e do Sul de Minas Gerais (Muzambinho) passam pelo processo de implantação de unidades. Em cada um desses campi, os centros terão alojamento, canil, maternidade, clínica veterinária e pista de treinamento.

 

O campus de Alegre, do Instituto Federal do Espírito Santo, abriu a primeira turma do curso técnico subsequente em treinamento e instrução de cães-guia em agosto de 2015, com duração de dois anos. O estudante aprende a formar cães-guia e desenvolve aptidão para viabilizar o processo de união com o deficiente visual. A próxima turma está prevista para 2017.

 

Cadastro Para adquirir um animal treinado pelos institutos federais é necessário estar inscrito no Cadastro Nacional de Candidatos à Utilização de Cães-Guia da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SDH), vinculada ao Ministério da Justiça e Cidadania. O cadastro é voltado exclusivamente para pessoas com deficiência visual (cegueira ou baixa visão).

 

A pessoa inscrita integra uma lista de candidatos elegíveis para aquisição nos processos de seleção realizados pelos centros, por meio de editais cuja divulgação pode ser acompanhada on-line na página do Ministério da Justiça e Cidadania.