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Pesquisa científica

Diagnóstico precoce pode reduzir contágio da hanseníase no país

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postado em 16/09/2016 19:12

Portal MEC /MEC

 

Ao estudar sobre a erradicação de doenças no mundo, durante uma aula sobre saúde coletiva, o estudante Kaio Martins, 19 anos, resolveu realizar uma pesquisa científica. O objetivo era diagnosticar a atual situação e o tipo da hanseníase predominante no município de Campo Maior, Piauí, onde mora.

 

Aluno do curso técnico de enfermagem do Centro Estadual de Ensino Profissional de Tempo Integral Cândido Borges Castelo Branco, Kaio revela que ficou interessado no tema ao saber que, na década de 80, a cidade piauiense foi piloto na implantação, pelo governo federal, do tratamento de polioquimioterapia para hanseníase, a partir da junção de vários medicamentos em um único. Na época, a doença também foi subclassificada em paucibacilar (não contagiosa) e multibacilar (altamente contagiosa).

 

“Ainda tem muita gente sofrendo”, diz o estudante. “Quando a doença é diagnosticada tarde, a pessoa vai sentir dores pelo resto da vida. Então, eu quero acabar com isso ou, pelo menos, ajudar.”

 

Segundo preconiza o Ministério da Saúde, uma situação é considerada endêmica quando se tem um caso de hanseníase para cada dez mil habitantes. Em Campo Maior, município de 46 mil habitantes, a 75,8 quilômetros de Teresina, foram diagnosticados 23 casos. “Dos nossos pacientes que fazem tratamento, 90% são multibacilares, ou seja, isso é preocupante, pela forma de transmissão”, diz a professora Susana Orsano, orientadora do projeto desenvolvido pelo estudante. “O que podemos fazer? Foi aí que a coisa começou a ficar no juízo de Kaio.”

 

De acordo com a pesquisa, o tratamento de polioquimioterapia para a hanseníase tipo multibacilar não deu certo porque a medicação é muito forte. “Nessa fase mais avançada, as pessoas sentem os efeitos colaterais sempre que tomam a medicação”, diz Kaio. “Então, elas desistem do tratamento, continuam com a doença e, pouco tempo depois, voltam a transmitir.”

 

Diagnóstico

Segundo a professora e o aluno, se a doença predominante continua sendo a multibacilar, há alguma coisa errada. Pesquisas mundiais afirmam que o diagnóstico precoce pode reverter o quadro. Depois de um ano de estudo, de janeiro a outubro de 2015, a pesquisa seguiu para a segunda fase. Em visita às escolas, o jovem ministrou palestras para sensibilizar a população mais jovem por meio de autoimagem. “Na palestra são apresentadas muitas imagens das manchas da fase multibacilar. Essas manchas vão virando nódulos, eles olham e se assustam”, afirma o estudante. “Aí, fica mais fácil ajudá-los a acabar com a doença.”

 

Kaio destaca o diagnóstico precoce como a solução. “Se você descobre a doença quando ela é paucibacilar, a pessoa não vai transmitir, vai fazer o tratamento e se curar”, diz. “E aí vai ser tudo bem mais rápido.”

 

Com a pesquisa, Kaio Martins vem participando de feiras nacionais e internacionais. Na última, em Fortaleza, ele ganhou o credenciamento para participar da Feira Brasileira de Ciências e Tecnologia (Febrace), em São Paulo, em março de 2017.

 

Curável

Considerada uma das doenças mais antigas do mundo, a hanseníase também é conhecida como lepra. Causada pela bactéria Mycobacterium leprae, é curável, mas se não for tratada adequadamente pode se tornar preocupante.

 

Hoje, em todo o mundo, o tratamento é oferecido gratuitamente, e há várias campanhas para a erradicação do mal. A transmissão se dá por contato íntimo e contínuo com o doente não tratado. Apesar de ser uma doença da pele, é transmitida por meio de gotículas de secreções do nariz ou da saliva. Não há transmissão pelo contato com a pele.

 

Ao penetrar no organismo de uma pessoa, a bactéria inicia uma luta com o sistema imunológico. O período de incubação é prolongado e pode variar de seis meses a seis anos. É fundamental seguir o tratamento, que é eficaz e permite a cura, desde que não seja interrompido. A primeira dose do medicamento já garante que a hanseníase não será transmitida.

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