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Universitários simulam trabalho de deputados na Câmara

Na 10ª edição do Politeia, projeto de simulação da Câmara dos Deputados, jovens usam as férias para propor e votar projetos de lei

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postado em 19/07/2012 12:14


Politeia/divulgação
Desde segunda-feira (16/7), cerca de 120 universitários de diversos estados estão reunidos na Câmara dos Deputados. Eles simulam o trabalho de um parlamentar brasileiro: criam projetos de lei, votam em comissões temáticas, escolhem líderes partidários e organizam alianças entre as siglas. A mídia, é claro, não poderia ficar de fora. As principais notícias aparecem no jornal O Politeia, feito por estudantes de jornalismo.

Essa simulação faz parte do projeto Politeia, organizada anualmente por alunos da Universidade de Brasília (UnB). O grupo fica na Câmara dos Deputados até sábado (21) e as negociações correm a todo vapor. Os partidos se dividiram em dois blocos distintos: bloco União pela Democracia e bloco Sigam-me os Bons. O primeiro reúne PMDB, PSDB, PSD, PP, DEM e PR. O segundo é a junção entre PT e PSB. Os projetos de lei estão sendo votados nas comissões temáticas e os aprovados passam pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC). As propostas validadas chegam ao Plenário Ulysses Guimarães na tarde desta quinta-feira para decisões finais.

Jovens deputados
Este é o quarto ano em que André Dutra, 26 anos, formado em relações internacionais pelo Iesb, participa do Politeia. A relação dele com a política se mistura entre realidade e simulação. Em 2010, ele foi candidato a deputado distrital pelo PDT e, atualmente, é presidente da juventude do PSB. No Politeia ele atua como líder do PT. “O meu conhecimento em política, adquirido em outras edições do Politeia e em situações da vida real, me dão vantagens para uma boa participação aqui. Aprendi, por exemplo, a sempre negociar e articular, buscando resultados para a coletividade e não para o individual”, conta.

Outro conhecimento que André adquiriu é o profissionalismo: “Apendi a não levar nada para o lado pessoal. Já tive conflitos acalorados, mas não deixei isso sair da simulação”. André Dutra indica a simulação para todo mundo que queira entender melhor o sistema legislativo do Brasil. “É um processo muito realista, mesmo sendo uma simulação, é um laboratório rico para o aprendizado”, relata. Um dos projetos de lei dele que está dando o que falar proíbe e desregulamenta a atividade dos flanelinhas, pois ele considera que a Polícia deve vigiar e proteger os espaços públicos.

Matheus Leone tem 19 anos, estuda ciência política na UnB e também achou a simulação muito realista. Ele é deputado e líder do PSDB. Matheus propôs um projeto de lei que muda o sistema eleitoral brasileiro: “Primeiro, o projeto extingue as coligações proporcionais e regulamenta eleições prévias. São coisas que eu realmente queria que acontecessem no sistema político de verdade. O projeto já foi aprovado nas comissões e vai ser votado no Plenário Ulysses Guimarães hoje à tarde”.

André Atadeu, estudante de ciência política da UnB, tem 21 anos e é deputado do DEM e o atual presidente da Casa no Politeia. “Consegui o apoio de quatro partidos para virar presidente da Casa. Isso mostra, na prática, a importância de negociar. O DEM é o menor partido da Câmara, mas isso não quer dizer nada. Mesmo sendo pequeno, com negociação, dá para conquistar espaço com alianças”, explica.

A estudante de ciência política Simone Alves, 26 anos, é a deputada Six Thatcher no Politeia. Ela não propôs nenhum projeto de lei porque ficou muito ocupada com as negociações do PSD. Simone comenta a expressividade das mulheres na simulação: “As mulheres são 48% dos participantes e tem mulheres líderes de partidos e de comissões”.
Luana Melody Brasil tem 19 anos e cursa jornalismo na UnB. Ela é repórter de O Politeia e conta como é sua rotina no jornal: “Cada dia tenho pautas diferentes, tenho que trabalhar muito, correr atrás dos deputados. Agora mesmo estou cheia de calos nos pés. Apesar de tanto trabalho, essa experiência só confirma que estou no curso certo, quero mesmo ser repórter”.

Aprendendo na prática
Antes de trabalharem como repórteres e deputados, os estudantes de ensino superior passaram por um treinamento para entender como funciona o trabalho no Congresso Nacional. Durante a simulação, consultores legislativos da Câmara dos Deputados tiram dúvidas e dão instruções sobre como devem acontecer os processos internos. Os jovens aprendem sobre o regimento da Casa, como ocorre a tramitação de um projeto de lei e como são as negociações entre os partidos.

Ednilton Pires é consultor legislativo e orienta todo o processo para que os trabalhos aconteçam de acordo com o regimento da Câmara dos Deputados. “Os jovens estão mais preocupados com as questões políticas do que com os detalhes técnicos, mas, mesmo assim, tiram dúvidas comigo”, conta.

Ednilton gostou tanto da simulação que gostaria de ter participado de uma em sua época de universitário: “Os meninos realmente incorporam o espírito do parlamentar de uma forma impressionante. Tenho inveja de não ter tido uma oportunidade assim na minha época na universidade. Nessa simulação eles entendem como é o trabalho de um deputado e desmistificam sua visão sobre eles. Deputado também trabalha, não é só associado a corrupção como muita gente pensa”.
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