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Ensino Superior

Instabilidade ameaça aulas e eleições na UnB

O primeiro dia de atividades após quase três meses de greve fica marcado por manifestações, debates e reuniões. Professores e alunos continuam divididos em relação ao fim da paralisação. Até a definição do calendário é suspensa

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postado em 22/08/2012 08:00 / atualizado em 21/08/2012 10:34

Sheila Oliveira , Manoela Alcântara

Edilson Rodrigues
As aulas na Universidade de Brasília (UnB) recomeçaram ontem, após 89 dias de greve, em clima de insegurança. Professores e alunos estão divididos em relação à decisão tomada na última sexta-feira em acabar com o movimento. Por enquanto, a votação do calendário letivo para a conclusão do primeiro e do segundo semestres na instituição está suspensa. A previsão para as novas datas aparece em um documento elaborado pelo Decanato de Graduação. Elas seriam analisadas pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) na próxima quinta-feira, mas, com a indecisão sobre a continuidade da paralisação, o reitor, José Geraldo de Sousa, decidiu não convocar a reunião para apreciar a proposta.

O encontro do Cepe deve ocorrer apenas na próxima semana, provavelmente em 30 de agosto. “Eu não convoquei porque pode ser que a universidade volte a ficar em greve. Vou aguardar as decisões da próxima assembleia de docentes”, disse o reitor. O Comando Local de Greve (CLG) iniciou ontem um abaixo-assinado com o intuito de retomar o movimento e destituir a direção da Associação dos Docentes da UnB (AdUnB). Eles alegam que a entidade não defende os ideais da maioria dos professores. Essa medida, no entanto, só pode ser legitimada caso seja votada por maioria em uma assembleia.

Na manhã de ontem, cerca de 200 professores deixaram de dar aula para participar da reunião do CLG, na Faculdade de Educação. O objetivo do encontro era recolher cerca de 10% de assinaturas do corpo docente da UnB, que hoje é de 1,2 mil educadores. Com esse quantitativo, é possível convocar outra deliberação em um prazo de até 48h, segundo o regimento da AdUnB. O documento com 374 nomes foi entregue à entidade, que respondeu ao pedido com uma sugestão de reunião para a próxima sexta-feira. Hoje, os docentes à frente do CLG não darão aulas e prometem fazer barulho, carreatas e entrar nas salas para impedir o ensino.

José Geraldo endossou o abaixo-assinado para que seja feita mais uma assembleia com o objetivo de votar a retomada da paralisação. “A assembleia autoconvocada é um direito democrático e, fazendo uso dele, eu também vou assinar a lista. É importante preservar a universidade, ainda mais neste momento de eleições para reitor. É preciso analisar os fatos com cuidado”, alertou. A votação está prevista para 22 e 23 de agosto, mas o CLG Estudantil tem reunião marcada para amanhã, às 9h, para discutir uma possibilidade legal de adiá-la.

O impasse começou na última sexta-feira em reunião convocada pela AdUnB, com pauta única, para deliberar sobre o adiamento das eleições. Mas uma mudança de última hora provocou confusão. Na ocasião, a direção da entidade propôs a votação para o término da greve, que foi interpretada como um golpe. “Eles fizeram isso sem levar em conta a decisão de boa parte dos professores filiados. Existe um interesse político por trás disso devido às eleições para reitor”, opinou o professor do Departamento de Sociologia e membro do CLG Luiz Galetti.

O professor Remi Castioni, da Faculdade de Educação, considera o fim do movimento legítimo e faz um apelo aos colegas para que respeitem a definição. “Não podemos ser reféns do sectarismo existente, hoje, na UnB. A maior penalizada é a população”, disse. Para ele, a proposta do governo federal de conceder aumento que varia entre 25% e 40%, mais os 4% aprovados em medida provisória, é positiva. “Dentro das condições atuais, é muito bom. Chegaremos a um teto de professor titular de R$ 17 mil. Será o melhor salário nos últimos 20 anos”, completou Castioni.

Negociações

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse que está descartado um acordo com os professores das universidades federais. “As negociações, do ponto de vista trabalhista, estão encerradas. A proposta que foi feita aos docentes é a melhor do governo em todas as categorias e talvez a melhor que eu conheço no país até o momento”, afirmou. Mercadante acredita que, a partir de agora, o fim da paralisação, como ocorreu na UnB, seja uma tendência nacional. “Desde sexta-feira, existe um movimento de retorno às salas de aula.

Estamos confiantes e, quanto mais cedo isso acontecer, melhor será para professores e alunos”, concluiu.
Os servidores técnicos administrativos sinalizaram com uma possível aceitação da proposta do governo. Em greve desde 11 de junho, eles estudam voltar às atividades após nova proposta de reestruturação de carreira. Com a retomada da categoria, o movimento dos professores perderia força.

Povo fala Você é a favor ou contra a greve dos professores da UnB?

 

Leonardo Paixão,
20 anos, aluno do 6º semestre de enfermagem

“As aulas têm que ser retomadas. Os alunos estão sendo prejudicados. Não sei mais a data de conclusão da minha graduação devido à greve, que durou quase 90 dias. Acredito que a proposta do governo atenda boa parte das reivindicações dos professores.”

 

 

 

Andreia Oliveira,
19 anos, estudante do 2º semestre de agronomia

“Sou a favor. Acho que a forma como conduziram o término do movimento não está bem esclarecido. O governo não aceitou negociar no início do movimento nacional, o que fez com que os dias de greve se ampliassem além do que era planejado.” 

 

 

 

Vitor Dias,
23 anos, estudante do 5º semestre de artes plásticas

“A greve deve continuar. As reivindicações não foram atendidas. O movimento terminou de maneira furtiva e arbitrária. Os servidores e professores lutam não só por melhores salários, mas também por infraestrutura adequada para os estudantes e, por isso, devemos apoiá-los.”

 

 

 

Ilze Helen do Santos Costa,
18 anos, estudante do 2º semestre de serviço social

“Acho que os professores estão certos em reivindicar melhores condições de trabalho e salário. A votação pelo fim da greve não foi legítima. Ninguém esperava voltar às aulas hoje (ontem). Se não resolver essa questão, agora, corremos o risco de ver uma nova greve até o fim do ano.”

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