SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Ensino Superior

Largada para o segundo turno

Os professores Ivan Camargo e Marcia Abrahão, os dois candidatos mais bem colocados na primeira etapa das eleições para reitor da UnB, contam ao Correio como pretendem conquistar o eleitorado e retomar a excelência acadêmica

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 29/08/2012 08:00 / atualizado em 28/08/2012 10:35

Thaís Paranhos

O segundo turno das eleições para a escolha do próximo reitor da Universidade de Brasília (UnB) ocorrerá com uma participação maior da comunidade acadêmica. Após a primeira votação conturbada, na qual muitos professores pediram o adiamento do processo em decorrência da greve dos docentes, dois candidatos ao cargo máximo da instituição se enfrentarão em segundo turno. O professor da Faculdade de Tecnologia Ivan Camargo e a docente do Instituto de Geociências Marcia Abrahão disputarão os votos de milhares de eleitores até 11 de setembro, quando se iniciam as votações.

Na primeira etapa, Camargo ficou em primeiro lugar, com 25,21% na preferência do eleitorado. Marcia conquistou 21,58%. Ao todo, foram 9.152 votos de 1.819 professores, 5.783 estudantes e 1.550 servidores. Com a escolha dos dois concorrentes para continuar na disputa, as eleições ficaram polarizadas. De um lado, o professor da Faculdade de Tecnologia se declarou abertamente como oposição à atual gestão. Já a educadora do Instituto de Geociências tem opiniões contrárias e afirmou não ser filiada a nenhum partido político e jamais ter trabalhado para algum governo.

Campanha

Em entrevista ao Correio, eles fizeram uma avaliação sobre a primeira etapa para a escolha do novo reitor e deram detalhes da campanha. Para Camargo, foi difícil pedir votos na primeira etapa, uma vez que professores, técnicos e alunos estavam em greve. Já Marcia não sentiu maiores dificuldades ao longo do processo eleitoral. Para o segundo turno, o professor da Faculdade de Tecnologia defendeu a excelência acadêmica e o compromisso com a sociedade. “Quando se fala de compromisso com a sociedade, se trata do dinheiro que vem para a nossa universidade. É dinheiro público”, alertou.

Para a professora do Instituto de Geociências, o importante é mostrar o trabalho desenvolvido durante o período em que esteve à frente do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). “Conseguimos contratar quase mil docentes e 550 técnicos. Investimos mais de R$ 100 milhões em obras e equipamentos”, detalhou. Os dois candidatos também apresentaram soluções para enfrentar o deficit de aproximadamente R$ 72 milhões da universidade. Eles também defenderam a decisão da assembleia que determinou o fim da greve e a retomada imediata das atividades.

Entrevista Ivan Camargo e Marcia Abrahão

Qual é o balanço que o(a) senhor(a) faz do primeiro turno das eleições?

Ivan Camargo — Foi excepcional em termos de participação, de votos, principalmente porque a nossa chapa chegou em primeiro. O nosso movimento tem particularidades. Foi criado por vários diretores, um movimento claramente de oposição, que achava que a gestão estava atrapalhando o trabalho dos professores, atrapalhando o trabalho da academia. Evidentemente, fazer a campanha durante a greve atrapalhou. Nós tínhamos pouco contato com as pessoas, íamos nas unidades e falávamos com meia dúzia, 10 pessoas. Mas isso era para mim e para todos os outros 10 candidatos, exatamente as mesmas condições.

Marcia Abrahão — A eleição foi muito tranquila. Essa é a minha primeira experiência e, no nosso caso, alegre, que é o meu perfil. Nós nos propusemos e conseguimos fazer uma candidatura integradora, com pessoas de diferentes áreas e de diferentes câmpus. Uma eleição e com jovens, isso é muito motivador. Acho que todos os candidatos se portaram dentro do esperado e, da nossa parte, saímos felizes porque conseguimos passar para a universidade o que nós somos. Somos acadêmicos, um grupo formado por professores universitários com fortes fundamentações acadêmicas, que é o meu perfil, perfil do nosso grupo.

O(A) senhor(a) é a favor da paridade? Ela ajudou ou influenciou o resultado?

IC — Eu acho a paridade um problema menor. Houve toda essa discussão na universidade e eu gostaria muito que o próximo reitor seja eleito com a maioria dos votos dos três segmentos. É para isso que nós vamos lutar. Vamos conversar, entender os anseios de todos para que a universidade saia unida após as eleições. O reitor trabalha com o conselho e faz o que ele determina. A universidade definiu que a forma de eleição seria assim e encerramos a questão, já discutimos. Isso é bonito na democracia, mas, agora, está definido. Entrei nesta eleição sabendo das regras e vamos trabalhar com elas.

MA — Nós somos a favor da paridade para a escolha do reitor porque achamos que ela faz com que a complexidade da universidade possa ser exposta e explorada num processo eleitoral. Uma universidade que tem 50 mil pessoas é uma comunidade, uma cidade com perfis, formas e necessidades distintos. Aqui, é uma academia, um local de formação, mas é também uma comunidade e, com isso, a paridade acaba se refletindo. Mas, nesse primeiro turno, a paridade não influenciou em nada. Já foram feitas simulações e o resultado seria o mesmo sem ela.

Como será a campanha no segundo turno?
Quais os temas que serão abordados e as prioridades?

IC — Provavelmente, seguirá a mesma linha do primeiro turno. Será de muita conversa, com os servidores, os professores, os centros de custos e muito contato com os estudantes, principalmente por meio das redes sociais. Trabalhamos com dois eixos. O primeiro deles o é da excelência acadêmica, que é fundamental. O outro é o compromisso com a sociedade. Quando se fala nisso, se trata do dinheiro que vem para a nossa universidade, é dinheiro público. O nosso papel social é formar excelentes quadros e quero concentrar a universidade nisso. Portanto, precisamos de pesquisa, de inovação, de laboratórios e de dinheiro. As fundações de apoio, no meu modo de ver, têm um papel primordial, uma forma para viabilizar essa parceria com a sociedade. Evidentemente, quando entra dinheiro na fundação de apoio, ele passa a ser público e devemos todos os cuidados com a transparência e a impessoalidade.

MA — A nossa campanha segue a linha do primeiro turno. O professor Marcelo Bizerril (candidato a vice-reitor) é diretor do câmpus de Planaltina. Eu já fui gestora do Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) e conseguimos contratar quase mil docentes e 550 técnicos. Investimos mais de R$ 100 milhões em obras e em equipamentos. Então, vamos mostrar o que nós fizemos e todos os avanços na área acadêmica. Defendemos uma universidade de excelência acadêmica no ensino, na pós- graduação, na pesquisa e na inovação. Sou pesquisadora do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), sou de um instituto com pesquisa internacionalizada, e essa é nossa característica. O tom da campanha será gestão, forma de acolhimento dos novos docentes e técnicos.

Qual é a solução que o(a) senhor(a) propõe para o deficit de aproximadamente R$ 72 milhões da UnB?

IC — O vice-reitor da UnB, João Batista, que foi candidato, falou para eu não me preocupar porque a universidade está negociando agora esse deficit. Disse para eu me preocupar com o deficit do ano que vem, porque, neste ano, está sendo equacionado. Nós temos um problema sério de gestão, nenhum órgão público pode gastar mais do que ganha. Temos que priorizar, não podemos continuar com os mesmos gastos. Temos várias prioridades, entre elas a segurança. Você pode ir a qualquer centro de curso, principalmente os noturnos, e as pessoas vão reclamar. Também temos informações de que há excesso de funcionários terceirizados. Vamos ter que fazer uma nova gestão, principalmente, porque gastamos muito mal. A gente pede um material hoje e ele chega um ano depois. Isso é jogar dinheiro fora. O processo tem que ser ágil, rápido. Outras universidades públicas brasileiras conseguem fazer isso, e a gente precisa conseguir também.

MA — Esse deficit, na verdade, é uma previsão orçamentária e existem várias ações que devem ser tomadas para reduzirmos as despesas de custeio. Por exemplo, nós somos uma inteligência nacional em programas de conservação de energia e de redução do consumo de água, de luz e de telefone e vamos trabalhar fortemente na formulação de programas para a redução de despesas de custeio. Temos que fazer uma avaliação de qual o montante das despesas com pessoas, com as diversas rubricas de custeio e atuar para ampliar a entrada de recursos na universidade de todas as maneiras possíveis. Temos que atuar em várias frentes. Na parte administrativa, racionalizar a gestão, aperfeiçoar, desburocratizar, descentralizar. Tudo isso vai simplificar processos na parte de redução de despesas e no aumento da arrecadação.

Como o(a) senhor(a) encara esse racha entre os professores da universidade?

IC — São posições legítimas dos colegas. A minha posição é muito precisa e clara, tínhamos que acabar com a greve. Nós entramos numa greve pela carreira e pela condição salarial, e o governo respondeu com um aumento significativo para o topo da nossa carreira, onde a gente espera chegar. Na assembleia passada, já havia votado pelo fim da greve. A universidade está dividida, não tenho dúvidas, mas é uma questão sindical. Mas a gente tem que confiar nas urnas, no que elas falam. Em decisões importantes como essas, de entrar numa greve, todos os professores têm que se manifestar. Não podemos ser omissos, temos que votar e disponibilizar uma forma de se manifestar e há uma grande discussão quanto a isso.

MA — Quero aproveitar para dizer que eu não sou filiada a partido político, nunca fui. Todos os meus trabalhos foram em função de aprovação em concurso público. Fui concursada da Petrobrás, do Banco Central e da Universidade de Brasília. Toda a minha atuação foi com base em concurso, desde que me formei. Não acho que haja um racha político. Acho que tem uma divergência que sempre houve, que é normal na universidade, ter diferentes formas de pensar, uma pluralidade. Acho que isso existe e nós, que amamos essa universidade, devemos trabalhar para ter harmonia nas relações. Quero deixar claro que essa é a minha atuação. A minha chapa, O amanhã fazemos juntos, representa essa diversidade, a pluralidade da universidade. Há pessoas de todos os cantos, de todas as áreas e faculdades. Uma coisa temos um comum: o compromisso com a universidade pública.

O(A) senhor(a) considera que o resultado da última assembleia é válido?

IC — Sem dúvida nenhuma. A primeira já foi , mas eu não gostei do processo. Não é possível fazer aquilo. Deram um golpe em cima do golpe. Houve um golpe para adiar as eleições. Os professores ficaram revoltados e foram à assembleia e deram outro golpe. Então, já havia um resultado favorável ao fim da greve e, agora, teve outro. Acho que está na hora de parar, chega. O governo já falou que não tem mais negociação.

MA — A universidade, em assembleia, tomou uma decisão e, hoje, a situação é de total normalidade. Temos que trabalhar nas nossas atividades acadêmicas e de gestão na universidade por parte dos docentes. Os técnicos ainda estão em greve, mas devem realizar uma assembleia em breve. Mas, da nossa parte, dos docentes, estamos em atividade normal.

Tags:

publicidade

publicidade