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Bunker digital na UnB

A universidade ganhará uma sala especial para abrigar seu banco de dados. Superseguro, o espaço é à prova de fogo e desabamentos

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postado em 21/09/2012 12:37

Marcela Ulhoa

Um espaço de 44m² à prova de fogo, umidade, gases corrosivos, acesso indevido e desabamentos. O local superseguro está sendo construído para proteger um dos bens mais valiosos que uma instituição de ensino superior pode ter: informação. Prevista para entrar em funcionamento em outubro, a sala-cofre da nova sede do Centro de Informática da Universidade de Brasília (CPD) foi planejada para armazenar o banco de dados da entidade.

É a primeira vez que uma universidade brasileira investe em um ambiente desse tipo. O projeto custou R$ 3,5 milhões. “Atualmente, temos uma dependência muito grande da TI (tecnologia da informação). O objetivo é proteger dados importantes da universidade que não podem ser perdidos”, explica o professor Jacir Bordim, diretor do CPD.

Bordim lembra que, no ano passado, fortes chuvas alagaram o Instituto Central de Ciências (ICC), derrubando paredes e danificando equipamentos. O episódio causou grande prejuízo. Na época, o CPD funcionava no subsolo do bloco, com instalação inadequada e insalubre. A ideia é que a modernização da nova sede evite esse tipo de problema. “Se passarmos por uma situação semelhante de novo, é importante que nossas informações críticas estejam protegidas. Se a energia cair, a rede pode até ter problemas, mas o sistema tem de voltar rapidamente”, defende.

Além da segurança logística, um dos objetivos principais do investimento é preservar a memória e as informações fundamentais para as pessoas que frequentam ou já foram alunos da instituição. Toda a parte de matrícula, histórico dos alunos e informações acadêmicas de graduação e pós-graduação também estarão protegidas dentro das quatro paredes fortificadas. Outro importante ponto é assegurar o bom funcionamento dos cursos a distância, cada vez mais comuns. “Para o sucesso dessa modalidade nós precisamos que a unidade continue funcionando mesmo com a queda de energia”, acrescenta Bordim.

Também ficarão protegidas informações que fazem parte da Rede Nacional de Pesquisa (RNP), do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Segundo o diretor do CPD, Jacir Bordim, o ambiente poderá ser compartilhado com outras instituições ligadas à universidade e que precisam manter seus dados seguros, como o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe), que já tem o seu espaço garantido na supersala.

Entrada restrita
Localizada no primeiro andar do novo edifício, a entrada da sala é imponente. Para passar pela grande porta de aço, as poucas pessoas autorizadas terão de pressionar o dedo em um leitor biométrico que reconhece a impressão digital. O sistema busca impedir roubos e entrada indevida ao local. “A ideia é que ela não seja muito frequentada. Teremos uma sala à parte para monitorar tudo o que ocorre no interior do cofre. O acesso será programado somente para os casos de manutenção”, complementa o diretor do CPD.

De acordo com João Lúcio dos Reis Filho, diretor comercial da empresa responsável pela construção da sala-cofre, a Aceco TI, a estrutura do compartimento é formada por várias camadas, como se fosse um sanduíche revestido de aço. O tipo de material não foi divulgado por questão de sigilo técnico, entretanto ele afirma que tanto a parte externa quanto a interna são extremamente resistentes.

“A sala-cofre é um ambiente protegido dentro de um prédio. Se o edifício pegar fogo, por exemplo, tudo o que estiver dentro da sala não será atingido”, esclarece Filho. Ele afirma que, com o crescimento da automação, muitas empresas e órgãos públicos começaram a agir preventivamente e a solicitar a implementação de ambientes seguros para armazenameto de data centers.

De acordo com Filho, o espaço conta com várias formas de controle interno, como monitoramento de temperatura, umidade do ar e variações de tensões. “O ambiente também tem um mecanismo de detecção precoce de incêndio. Um analisador de partículas a laser aspira uma amostra do ar e, a partir dela, consegue verificar se há alguma alteração”, conta.

Para reduzir as possíveis falhas no sistema, é aplicada a chamada redundância de soluções. “Ligamos todos os computadores a duas tomadas distintas, todos os servidores a dois nobreaks. Toda arquitetura pode ter falhas, mas duplicando as soluções tentamos minimizar esse índice.”
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