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Pesquisa da UnB sobre educação a distância recebe prêmio internacional

Premiado no 18º Congresso Internacional de Educação a Distância, mestrando constata seriedade de disciplinas semipresenciais na Faculdade de Ciências da Saúde

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postado em 03/10/2012 17:35

Agência UnB

A excelência da Faculdade de Saúde (FS) da Universidade de Brasília no que tange ao ensino a distância (EaD) foi novamente reconhecida no último dia 23 de setembro, durante o 18º Congresso Internacional de Educação a Distância, realizado em São Luís, no Maranhão. Na ocasião, um comitê técnico avaliou os melhores trabalhos no âmbito da educação flexível no país - e o pesquisador Henry Maia Peixoto, orientando de mestrado do professor Elioenai Dornelles Alves na Faculdade de Ciências da Saúde (FS) da UnB, foi premiado pelo artigo Hábitos, estratégias e percepções de graduandos e pós-graduandos inseridos em disciplinas semipresenciais na área de saúde. No artigo, Henry Maia analisou o perfil de graduandos e pós-graduandos que realizam disciplinas presenciais e semipresenciais na área da saúde, utilizando a internet como ferramenta principal na relação aluno-professor.

Para a pesquisa premiada, foram analisados 148 alunos (67,2% de um total de 220) que passaram pelas disciplinas semipresenciais da FS em 2010. A análise ocorreu por meio de estudos estatísticos do desempenho dos alunos; por formulários preenchidos por eles com dados sociodemográficos; pelo histórico escolar; por passagens anteriores por disciplinas semipresenciais; e por opiniões pessoais sobre a experiência.

"O objetivo era obter dados quantitativos e qualitativos. Queríamos saber a percepção do aluno sobre o ambiente de aprendizagem, hábitos de estudo e avaliação dos tutores”, explica o professor Henry Maia. Para ele, o mais relevante foi perceber que não há grandes abismos entre os hábitos dos alunos de graduação e de pós-graduação a distância - nem no aproveitamento destes em comparação com os alunos de disciplinas presenciais. "Embora as disciplinas sejam de quatro horas semanais, constatamos que os alunos passam, em média, seis horas por semana dentro do nosso Moodle, espécie de portfólio eletrônico em que os alunos têm acesso a todo o conteúdo”, diz Maia. 

Dos alunos pesquisados, 50% já haviam feito disciplinas semipresenciais; 98% têm acesso a computador em casa; 60% têm até 34 anos de idade; 70% têm renda familiar acima de oito salários; e o número de mulheres supera o de homens em 12%. Os números apontam para uma provável pesquisa posterior, segundo Henry: “É verdade que a maioria tem renda familiar elevada e contato prévio com a tecnologia. Levanta-se a hipótese, para futuros estudos, que pessoas mais velhas e pouco afeitas à internet têm alguma dificuldade ainda quanto a essa tecnologia”.

PRECONCEITO - Ao longo de cada semestre, os alunos de EaD participam de três encontros presenciais, sendo o primeiro apenas para orientação geral da disciplina e os seguintes para interação e apresentação de temas desenvolvidos a partir de textos oferecidos. A cada semana, uma atividade de feedback a partir do que foi ensinado é exigida pelos professores e tutores e lançada virtualmente.

"Confesso que os resultados não me surpreenderam, porque vínhamos tendo respostas em questionários dos alunos há anos - e 90% elogiavam. Muitos dizem que esperavam algo menos sério, em que o aluno poderia 'pular' várias atividades e ainda sair com a aprovação, mas os números da pesquisa comprovam que as médias de notas são equivalentes, assim como a de reprovação e evasão, que gira em torno de 20%”, afirma Elioenai Alves. “Comparar é perigoso. A diferença está mesmo nos interesses do aluno. Esses que passam pelo ensino a distância procuram otimizar seu tempo, já que o aluno tem o tempo que quiser para trabalhar, desde que dentro do cronograma, e também seu espaço, uma vez que, se ele não vai à sala de aula toda semana, pode criar seu próprio ambiente de aprendizagem”, completa.

Paulo Castro/UnB Agência
 

A maioria dos itens relativos ao ambiente de estudo, procedimentos de interação e instrução, interface gráfica e habilidade do tutor apresentaram médias acima de sete – em uma escala de 0 a 10 - e não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre graduandos e pós-graduandos. Com base nesses dados, Henry Maia endossa o repúdio ao preconceito: “Há ainda certa resistência, em função de experiências malsucedidas no passado e, mais que isso, por pura desinformação. O prêmio vem para consolidar internacionalmente o nosso trabalho, mostrando o conhecimento que nós desenvolvemos em um campo moderníssimo. O mundo está ávido por isso”. 

PRIMÓRDIOS - Não é a primeira vez que o Congresso Internacional de Educação a Distância premia um trabalho da UnB. Em 2007, um estudo de caso da disciplina Tópicos Avançados da Promoção da Saúde, realizado por quatro autores, recebeu o prêmio Destaque Relato de Experiência.

Desde 1979, a UnB realiza experiências no campo de educação a distância, com o curso de iniciação às Ciências Políticas, culminando na criação do Centro de Educação a Distância da Universidade de Brasília (CEAD). Contudo, até o ano 2000 não havia ainda nenhuma disciplina da Faculdade de Saúde na modalidade. "Isso incomodava a nós, do Núcleo de Estudos em Educação e Promoção de Saúde (NESPROM), e decidimos ofertar uma primeira disciplina experimental. Felizmente, veio na hora certa, quando as Leis de Diretrizes e Bases deram a autonomia e flexibilidade à faculdade para gerir nosso processo político e pedagógico", conta Elioenai Alves.

A primeira disciplina de graduação, chamada Tópicos Avançados de Promoção da Saúde, foi criada em 2001. Ela se mantém ativa até hoje e a ela se juntaram duas matérias na graduação (Promoção da Saúde 2 e Metodologia da Pesquisa em Saúde); uma disciplina de pós-graduação em Enfermagem (Práticas Educativas em Ciências da Saúde); e um curso de especialização em educação e promoção de saúde. A cada semestre, entre 600 e mil alunos procuram essas disciplinas na Faculdade de Ciências da Saúde. Para o próximo semestre, a FS planeja abrir vagas para a disciplina Promoção de Saúde 3 – Controle Social em Saúde.

TUTORES – Para a excelência do trabalho, o NESPROM criou o programa de extensão Capacitação de Tutores e Monitores em Educação a Distância, em que alunos de graduação ou profissionais passam um semestre aprendendo sobre o ensino e monitoração de resultados. Os melhores colocados são convocados para a tarefa de tutor.

“Na capacitação, trabalhamos o conceito de andragogia, que entendemos como um modelo de compartilhamento de saberes, onde o professor ainda é gestor do processo, mas o aluno também é responsável”, explica Elioenai.

Após mais de uma década dedicada ao tema, o professor situa no educador, e não no aluno, o maior ponto de engessamento nesse modo de ensino. “Nós não tivemos formação para ser docente dessa modalidade. Reproduzimos o modelo em que fomos educados, que é de um tradicionalismo tecnicista centrado no professor. A internet vem mudando paradigmas e esse sistema de 'eu sei, você não sabe' é um deles. Se a rede é parte integrante da nossa vida hoje, e causa fascínio em todos, por que não usá-la na Universidade?”, provoca.  

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