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Lei de Cotas divide opiniões entre estudantes

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postado em 04/10/2012 22:11 / atualizado em 05/10/2012 10:17

A Lei de Cotas, sancionada em agosto deste ano, divide opiniões entre estudantes. Há alunos contrários e favoráveis ao novo sistema tanto em escolas públicas quanto em particulares. Todas as instituições precisam reservar no edital de seleção pelo menos 12,5% das vagas para quem cursou integralmente o ensino médio em escolas públicas. Em quatro anos, esse percentual aumentará para 50%.

Apesar de estudar na rede pública de ensino, Natalia Naomi, 18 anos, estudante do 3º ano no Centro de Ensino Médio Setor Leste (CEM Setor Leste) é contra as cotas. Para a aluna, o sistema atesta que a capacidade dos estudantes de escola pública é menor do que a das outras pessoas.

Lucas Alves Teixeira, 17 anos, compartilha parte da opinião de Natália. Ele estudou em escola particular e frequenta, desde o início do ano, um cursinho pré-vestibular. Mesmo sendo a favor de cotas sociais — para os que não têm condições de pagar pelo ensino na rede privada —, o jovem acredita que a mudança na distribuição de vagas não é justa. “Esses 50% vão fazer diferença, a concorrência vai aumentar”, acredita.

Ele e o colega Patrick dos Reis Oliveira, 19 anos, querem passar no curso de medicina. Os dois estudaram em escolas particulares durante o ensino médio e já preveem o aumento na carga de estudos no cursinho. “Não se pode mais errar questões bobas. Vai ser preciso estudar muito e praticamente gabaritar a prova agora”, conclui Patrick.

A favor da mudança
Maria Carolina Souza, 17 anos, ao contrário, é totalmente a favor das cotas. Aluna do 3º ano no CEM Setor Leste, ela acredita que, com a mudança, a inclusão nas universidades será maior. “A própria UnB parece uma faculdade particular. Lá, só existem alunos de escolas particulares praticamente. A mudança é positiva e vai balancear os estudantes das universidades públicas, que devem ser acessíveis para todos”, afirma ela.

Giulliano Cezar Ferreira, 17 anos, colega de Maria Carolina enxerga a nova possibilidade como uma forma de igualar as oportunidades dos estudantes de entrarem em universidades federais. As colegas Rebeca Felix ,16, e Brunna Figueiredo,17, também comemoraram a notícia. “Nós temos que estudar do mesmo jeito para passar no vestibular, a diferença é que nas escolas privadas não tem greve. Aqui, só este ano, a gente durou 52 dias. E não adianta repor. É preciso mudar toda a educação”, opina Rebeca. “Por isso, foi uma excelente notícia ter mais chances. Deu esperança para todos aqui”, completa Brunna.

Entenda o caso
A lei 12.711 foi sancionada pela presidente Dilma em agosto deste ano, depois de ser aprovada por unanimidade na Congresso Nacional. As instituições federais têm um prazo de quatro anos para implementar o novo processo de destinação das vagas, mas o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, exigiu que a aplicação seja imediata.

A nova norma entrará em vigor, portanto, nas próximas provas do Enem. No Distrito Federal (DF), o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe), responsável pela aplicação das provas de vestibular da Universidade de Brasília (UnB), adaptará o edital para o primeiro vestibular de 2013, modificando o número de vagas destinados a cotistas.

As inscrições para o processo seletivo da instituição começaram em 28 de setembro e os que já a fizeram terão a opção de trocar o modo como serão selecionados: pelo sistema universal ou pelo de cotas.

Para o primeiro vestibular de 2013 da UnB, metade das 4.184 vagas dos 96 cursos é destinada aos ingressantes no Programa de Avaliação Seriada (PAS). Isso deixa apenas metade das vagas (2.092) para o vestibular tradicional. Com as novas regras 1.046 dessas vagas serão para cotistas.

O projeto prevê, ainda, que a lei vigore por 10 anos. Após esse período, o tema deverá ser analisado para checar se o modelo funcionou.

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