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Particulares protestam

Federação que representa as escolas privadas adianta que vai entrar na Justiça para questionar a nova lei, com base no princípio da igualdade

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postado em 05/10/2012 17:27 / atualizado em 05/10/2012 17:32

Flávia Maia , Gabriella Furquim

Apesar de a lei das cotas ter sido sancionada em agosto e da intenção do governo federal de colocá-la em prática imediatamente, os representantes das escolas particulares ainda estão descontentes com a reserva de 50% das vagas das universidades federais para os alunos vindos de colégios públicos. A Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) garante que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a legalidade da nova norma.

De acordo com a presidente da Fenep, Amábile Pacios, a entidade aguarda o término de um estudo jurídico para entrar com a ação. Para ela, a lei desrespeita a igualdade de acesso e fere os direitos individuais. “Essa questão foi mal discutida com a sociedade. Não é facilitando a entrada de alunos nas universidades públicas que o problema da educação vai ser resolvido. Todos devem entrar pelo mérito”, analisa.

A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF) estima que o sistema de cotas vai aumentar a procura dos alunos pelas escolas públicas. “Como a lei exige que o concorrente tenha estudado os três últimos anos na rede pública, a procura vai aumentar para o primeiro ano (do ensino médio). Principalmente em escolas com referências nacionais, como o Setor Leste (611 Sul)”, acredita Raphaella Cantarino, coordenadora da departamento de oferta educacional da secretaria.

A coordenadora explica que a Secretaria de Educação ainda não tem estimativa de quanto será esse crescimento, mas adianta que a rede tem estrutura para atender a demanda. “Vamos sentir como será o impacto da lei quando começar o período letivo”, calcula. A presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe-DF), Fátima de Mello Franco, discorda dessa projeção de que os alunos vão sair do ensino particular para o público de olho na reserva de vagas. “Pode acontecer por causa do jeitinho brasileiro de querer se dar bem. Mas o impacto nas escolas privadas vai ser mínimo porque os pais estão preocupados com formação dos filhos, não com a simples entrada deles na universidade”.

A estudante Anna Carolina Macedo, 15 anos, aluna do 2ª ano de um colégio privado da Asa Sul, se sentiu frustrada com a nova lei. “As cotas jogaram meus planos e os da minha família no lixo. Desde que nasci, meus pais investem em mim. Gastam com bons colégios e esperam que eu entre em uma boa faculdade”, disse a adolescente. Para a estudante, além de prejudicar alunos como ela, as cotas não solucionam os problemas da educação. “Vamos ser prejudicados e não vai adiantar nada. As escolas públicas vão continuar sucateadas e o ensino, precário”, protesta a jovem.
A colega Mariana Campos, 15 anos, diz que reconhece as dificuldades enfrentadas por estudantes de escolas públicas. “A cota dá a eles uma chance de mudar a realidade. Mas acredito que assim o governo tenta tapar o sol com a peneira. O ensino público não vai melhorar por ter mais alunos da rede em boas universidades”, acrescenta.
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