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UnB altera norma e muda cota racial

Apesar de ainda não ter definido o percentual para o ingresso de alunos pelo novo sistema, a instituição brasiliense abre as discussões a fim de se adequar à nova regra. Reserva de vagas destinada apenas a negros e pardos deve ser extinta

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postado em 05/10/2012 17:40 / atualizado em 05/10/2012 17:48

Manoela Alcântara , Gabriella Furquim

As medidas previstas na Lei nº 12.711 provocaram impacto direto na Universidade de Brasília (UnB). O edital para o 1º vestibular de 2013, por exemplo, será alterado. O sistema de cotas raciais também sofrerá mudanças. O percentual atual, de 20% reservado para negros e pardos, deve deixar de existir para ser englobado pelo novo sistema. Embora não haja previsão para a alteração das datas das provas, o período de inscrição será prorrogado. Com data antes prevista para 16 de outubro, é possível que não haja tempo hábil para fazer as mudanças e ainda abrir um prazo para aqueles que já haviam se cadastrado e desejam alterar os requisitos de ingresso na instituição.
As amigas Michele Torres e Natália Corrêa (à frente dos colegas de Elefante Branco) se empolgaram com a possibilidade de entrar na UnB

A UnB ainda não definiu qual será o percentual a ser adotado na próxima seleção. Embora o mínimo previsto para o primeiro ano de implementação da norma seja de 12,5% das vagas destinadas aos alunos que tenham cursado integralmente o ensino médio nas escolas públicas, é possível chegar a até 25% neste primeiro momento. “Vamos discutir no Conselho de Ensino e Pesquisa (Cepe) as melhores medidas a serem adotadas”, afirmou o decano de Ensino e Graduação da UnB, José Américo Soares. Outro ponto a ser discutido pelo colegiado é o fim das cotas raciais, implantadas há oito anos na instituição (leia Memória).

De acordo com o estabelecido pela lei, não é possível conciliar as duas políticas afirmativas. As cotas passariam a ser sociais, com a inclusão de negros, pardos e indígenas e o recorte principal voltado para a escola pública de ensino. Isso exclui os afrodescendentes de instituições privadas. Logo, das 4.184 vagas previstas para o 1º vestibular de 2013 e para o Programa de Avaliação Seriada (PAS), 523 seriam para todos os citados no documento, se adotados os 12,5%. Antes, do total de vagas para o vestibular universal, 421 oportunidades estavam reservadas apenas ao Sistema de Cotas para Negros.
As inscrições nos parâmetros antigos começaram em 20 de setembro. Ainda deve ser estabelecido um meio para que os cadastrados possam fazer alterações no modo de ingresso. “Não haverá prejuízo. Nos reuniremos amanhã com o Centro de Seleção de Promoção de Eventos (Cespe) para começar a definir alguns parâmetros”, completou o decano. Porém, as decisões finais só sairão após ser lançado o decreto do MEC com as definições. As provas devem ser aplicadas nas datas prováveis de 8 e 9 de dezembro.

Incentivo
As mudanças animaram os estudantes da escolas públicas. As amigas Natália Corrêa, 15 anos, e Michele Torres, 17 anos, ambas alunas do 1º ano do ensino médio do Elefante Branco, na Asa Sul, estão animadas para ingressar na Universidade de Brasília. “É um absurdo ter demorado tanto para que uma política como essa fosse criada. O ensino público sempre ficou para trás. Percebo que tenho chances de passar no vestibular, vou me esforçar”, afirmou Michele. Antes, a jovem dizia não ter nenhuma esperança de ingressar no ensino superior público, mas agora faz planos. “Estou muito feliz, vou estudar mais”.

Natália não acha injusto ter menos vagas para os alunos das escolas privadas. “O sistema já prejudica aqueles das escolas públicas há muito tempo. Não temos um ensino de qualidade e isso acaba pesando muito”, ressaltou. Ela complementa que o esforço valerá a pena para corrigir a distorção. A colega de sala Yorrane Alencar, 15 anos, complementa: “ A lógica é simples. Se alguém tem dinheiro para pagar uma escola privada, tem dinheiro para pagar uma faculdade”, afirmou. Para a moradora de Santa Maria, atualmente, o sistema é perverso para os estudantes das instituições públicas. “Quem não tem dinheiro encontra todas as portas do ensino superior público fechadas”, avaliou.
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