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Ensino Superior

Greve estraga intercâmbio

Como a reposição de aulas vai até 2013, visto dos que trabalhariam nos Estados Unidos nas férias é negado

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postado em 10/10/2012 08:00 / atualizado em 10/10/2012 10:34

Ronaldo de Oliveira
Estudantes de universidades federais que se programavam para passar as férias de fim de ano em um intercâmbio nos Estados Unidos, onde trabalhariam e aprenderiam inglês, tiveram os vistos negados pelo consulado norte-americano. A decisão que acabou com o sonho de muitos alunos foi motivada pela greve dos professores. A reposição dos quatro meses de paralisação vai interferir no período de férias. Em nota enviada à Student Travel Bureau (STB), empresa responsável pelo programa de trabalho nos parques da Disney, em Orlando, o consulado argumentou que, “em função das greves, este ano os estudantes de universidades federais não serão considerados elegíveis para o programa J1 Summer Work and Travel”.

De acordo com a STB, os alunos sabiam que, em caso de alterações no calendário acadêmico que comprometessem o embarque, a participação poderia ser reavaliada. A empresa afirma que trabalha para orientar os estudantes. Entre eles, está Júlia Ávila, 21 anos, aluna do 6º semestre de economia da Universidade de Brasília (UnB). Ela calcula ter gasto mais de R$ 4 mil com as despesas do programa de intercâmbio. “Todas as entrevistas do processo de seleção eram presenciais e realizadas em São Paulo, o que exigiu que saísse de Brasília, pelo menos, duas vezes neste ano”, afirma. De acordo com ela, a segunda entrevista ocorreu em agosto, quando as universidades já estavam em greve e, mesmo assim, a STB não havia comentado sobre os possíveis problemas com o visto. “Nós (estudantes) só soubemos do impedimento da liberação do visto no último dia para o pagamento da taxa de
R$ 800 do seguro viagem”, conta.

Júlia afirma que a empresa de intercâmbio sugeriu duas opções: o reembolso dos gastos ou a participação no programa do próximo ano, o que inclui nova entrevista com os empresários responsáveis pela contratação dos jovens. “Estou muito triste com tudo isso. Planejo essa viagem desde 2010 e esse é o último ano que posso participar porque em 2013 estarei formada”, diz a estudante. Para não desistir do sonho, ela já estuda a possibilidade de adiar a conclusão do curso em um semestre.

Abaixo-assinado

A esperança dos estudantes é de que o consulado reveja a posição. Até o fechamento desta edição 3,7 mil pessoas aderiram a um abaixo-assinado que circula na internet pela liberação do visto J1 aos selecionados de universidades federais para o Disney International College Program 2012/2013. Aluna do 7º semestre de letras tradução — inglês na UnB, Alessandra Campos, 24 anos, também teve o visto negado e assinou o documento que será encaminhado ao consulado. “Queremos uma análise caso a caso, pois a decisão é generalista”, acredita. Alessandra participou do processo de seleção do programa duas vezes. Em 2011, chegou a passar para a segunda fase, mas só foi selecionada este ano. “Para mim, foi um investimento de dois anos. Quando consegui, acabaram com o meu sonho”, afirma a estudante.

Alessandra disse que os alunos da UnB prejudicados pela decisão buscaram apoio na Assessoria de Assuntos Internacionais da universidade. “Estamos em contato com a UnB para conseguir uma declaração favorável ao intercâmbio e encaminhá-la ao consulado.” Ela acredita que a experiência seria um diferencial no currículo. “A Disney é a maior empresa de entretenimento do mundo e teríamos contato com pessoas do alto escalão. Seria incrível ter isso no currículo.”


Memória


89 dias parada
Após 120 dias de paralisação, a greve nas universidades federais terminou em 17 de setembro. A decisão foi tomada após o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino (Andes-SN) informar em nota, em 16 de setembro, que havia decidido encerrar o movimento. A greve foi deflagrada em 17 de maio e, em julho, chegou a atingir 56 das 59 universidades federais, além de 34 institutos federais de educação tecnológica. Os professores reivindicavam a reestruturação da carreira e melhores condições de infraestrutura, além de melhorias salariais. Cada instituição teve autonomia para montar o calendário de reposição, porém, em boa parte das universidades, as aulas do segundo semestre letivo de 2012 devem prosseguir até o ano que vem. Na Universidade de Brasília, a greve foi encerrada em 17 de agosto, depois de 89 dias de paralisação. De acordo com o calendário da UnB, as aulas do segundo semestre letivo deste ano terão início em 22 de outubro e seguirão até 8 de março de 2013.

 

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