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Ensino Superior

Cotista social disputa nos dois sistemas

Segundo a nova regra, publicada no Diário Oficial da União, esse aluno poderá concorrer pela modalidade de reserva e também pela universal.Além disso, negros dependem só da auto declaração para se enquadrarem no critério da seleção

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postado em 17/10/2012 12:46 / atualizado em 18/10/2012 10:44

Manoela Alcântara

Durante os quatro primeiros anos de aplicação da Lei das Cotas Sociais, os alunos que concluíram o ensino médio em escolas públicas, além de negros, pardos, índios e de baixa renda, poderão concorrer pelos dois sistemas de ingresso à universidade: o com reserva de vagas e o geral.Dessa forma, os cotistas que não obtiverem nota para se classificarem nas avaliações, terão a chance de disputar pelo sistema universal por ampla concorrência. Essa condição, assim como as regras para balizar a implantação da Lei Federal nº 12.711, foram publicadas ontem no Diário Oficial da União.O decreto e a portaria com as especificações sanam as dúvidas das instituições que precisarão retificar os editais. A Universidade de Brasília (UnB) deve publicar o novo documento até a próxima sexta-feira.

Até 30 de agosto de 2016, todas as universidades federais brasileiras deverão disponibilizar 50Ús oportunidades aos cotistas. Segundo o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, enquanto isso não acontece, é importante que eles estejam incluídos nos demais sistemas de ingresso. A norma abrange vestibular, Programa de Avaliação Seriado (PAS) e Exame Nacional do Ensino Médio(Enem).“Caso contrário, estaria restringindo, em vez de beneficiar esses alunos. Porque, nos primeiros anos, não há cota plena, será só 12,5%. Por isso, todas as universidades deverão assegurar aos que optarem pelas cotas o direito de também participarem pelo concurso geral”, explicou Mercadante.

Outro parâmetro definido é sobre a comprovação de raça e de renda (leia quadro). Será exigida para os que desejarem ingressar como negros, pardos ou indígenas somente a auto declaração. Esse será o único critério levado em conta. Assim, não serão permitidas bancas de avaliação por cor, como é feito hoje na UnB.No caso da instituição brasiliense, 32,5% das vagas serão destinadas a algum tipo de cota.Para os12,5% que abrangem as cotas sociais, não será permitido nenhum sistemade avaliação,como prevê a lei.

Dentro dos 20% para negros a mais instituídos pela UnB, há autonomia para definir como será a comprovação étnica. Porém, de acordo com o decano de Ensino e de Graduação da UnB, José Américo Soares, avalia-se a possibilidade de seguir o que estipulada nova legislação. “É bem provável que sigamos a orientação de autodeclaração. Antes, era a banca, mas, agora, estudamos seguir o raciocínio das cotas sociais”, revelou.

Na avaliação da renda, os critérios mudam. O edital para as seleções poderá prever a possibilidade de realização de entrevistas e de visitas ao local de domicílio do estudante, além de consultas a cadastros e informações socio econômicas. A prestação de informação falsa do estudante acarretará no cancelamento da matrícula, além das devidas sanções penais. Há ainda a necessidade de comprovação do currículo escolar, no qual ateste a conclusão de todo o ensino médio em escola pública. Os colégios militares estão incluídos nesse grupo.

Acolhimento

Os estudantes egressos de escolas públicas terão acompanhamento diferenciado, caso necessitem. Eles podem receber tutoria de alunos da pós-graduação para nivelar os conhecimentos em matérias como matemática, por exemplo. “Teremos recursos especiais para melhorar o desempenho e garantir que eles não só entrem, mas que se formem”, disse o ministro da Educação.

O Decreto nº 7.824, que regulamenta a lei das cotas, prevê um comitê de acompanhamento para verificar a implantação das cotas. As regras valem para os próximos 10 anos.“É um apolítica temporária, para diminuir a desigualdade social e racial no Brasil.Vamos ainda estimular o aluno da escola pública e trabalhar com mais intensidade na melhoria da qualidade do ensino médio”,complementou Mercadante.

A definição das regras possibilitaram a retificação dos editais.O1º vestibular daUnB e a 3ª etapa do PAS estavam suspensos desde 5 de outubro.Comos documentos, até a próxima sexta-feira, as inscrições devemser reabertas. “Os cálculos estão prontos, de acordocomo decreto. Só falta estabelecer um mecanismo para o aluno escolher o sistema de cotas,e o Cespe definir o calendário,que estará pronto”,definiu o decano José Américo. As datas das provas podem ser alteradas.


“Pode haveruma acomodação”
“A decisão do Ministério de Educação quanto à definição das cotas parte de um princípio chamado autor reconhecimento, que tem se constituído desde os anos 80 e é resultado de uma crítica a quem define ou exime o outro de uma possível condição racial. É um assunto difícil de discutir, mas existe há alguns anos, oriundo das ideologias e das justiças sociais dos povos ao longo do tempo, criado para evitar ou reduzir que o homem seja julgado por outros. Apesar disso, consequentemente, há comprovação do aumento no tamanho do grupo de pessoas,antes minoria.Um exemplo, são as pessoas que se declaram índias no Brasil. Embora o número tenha quadriplicado, a taxa de natalidade se manteve e a de mortalidade não foi reduzida. Diante do novo método de aprovação nos vestibulares das faculdades públicas do Brasil, pode haver uma acomodação por parte dos alunos e das escolas que formam o estudante. É inevitável que a universidade vire um mercado. Isso não deve resolver os problemas sociais, muito menos a educação brasileira.Mas, ao mesmo tempo, é importante, pois muda as regras do jogo. Só daqui um tempo será possível ter uma opinião mais concreta.” Eurico Antônio dos Santos é sociólogo e professor da UnB

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