CLIMA

Chuvas atingem áreas do ICC

Entrada de água em trechos do subsolo provocou transtornos em unidades acadêmicas. Instituto de Meteorologia registrou 87,6 ml de chuva nesta madrugada, mais da metade da média de outubro

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 17/10/2012 18:53 / atualizado em 17/10/2012 18:55

Agência UnB

Paulo Castro/UnB Agência
 

 

A chuva forte da madrugada desta quarta-feira, 17 de outubro, que causou transtornos nas pistas e danos em hospitais do Distrito Federal, provocou alagamentos também no Instituto Central de Ciências da Universidade de Brasília. A área mais afetada do prédio foi a Ala Norte. A água entrou em unidades acadêmicas, auditórios e salas de aula. Em alguns pontos, chegou a uma altura aproximada de 20 centímetros.

A Prefeitura do Campus está percorrendo o Instituto Central de Ciências (ICC) para mapear os locais atingidos e identificar por onde a água entrou. Segundo Arnaldo Gratão, diretor de Engenharia e Arquitetura da Prefeitura, até o momento não houve registro de danos materiais de grande porte, como ocorreu em abril do ano passado, quando uma forte chuva provocou destruição e perdas de materiais no subsolo do prédio.

As áreas do subsolo mais atingidas pela chuva foram as unidades acadêmicas localizadas entre a altura do Ceubinho e o fim do ICC Norte. Estão incluídas aí as sedes dos programas de pós-graduação em Administração, Ciências Contábeis, Gestão Social e do Trabalho e Sociologia; os departamentos de Antropologia, Ciência da Computação, Economia, Linguística, Português e Línguas Clássicas; os laboratórios de Línguas e de Informática; o auditório do Instituto de Ciências Humanas; as salas destinadas à empresa junior AD&M e à UnB TV; e pelo menos três anfiteatros.

No local, ficam também o restaurante Natural e o Centro Acadêmico de História, lugares onde o alagamento foi mais intenso. A água danificou o exaustor do restaurante. Deuzete Lopes Santos, proprietária do Natural, disse que chegou ao local por volta das 6h. “Havia mais de 20 centímetros de água aqui, mas já lavamos tudo e vamos funcionar normalmente durante o dia”, disse. “Na enchente de 2011 tivemos muito prejuízo, pois cinco motores de geladeira queimaram. Agora, apenas a tubulação do exaustor teve problema”, lembrou.

No ICC Sul, os problemas foram mais pontuais, como no caso do Laboratório de Informática da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAV), que fica no subsolo, tem 16 computadores e é utilizado por alunos da graduação e da pós. “Cheguei aqui e estava cheio de água. Há casos de computadores que ficaram molhados, mas temos de esperar secar para ver se houve dano”, afirma Tales Gontijo, funcionário terceirizado do laboratório.

No Programa de Pós-Graduação em Administração, localizado no subsolo do ICC Norte, uma aula, dada pelo decano de Administração Eduardo Raupp, teve de ser transferida para o nível superior devido ao alagamento. “Cheguei para a aula um pouco antes das 8h e estava bem alagado”, contou Raupp. “Aqui entrou muita água, muita lama, mas não atingiu equipamentos. Estamos concluindo a limpeza e as atividades serão retomadas normalmente à tarde”, disse Vênis Maria Fernandes, da secretaria da pós-graduação.

O encarregado de limpeza do ICC Centro e Norte, Ernande Ferreira dos Santos, mobilizou cerca de 70 funcionários para limpar os locais afetados pela chuva. “Pedi para que a maior parte do pessoal de limpeza do ICC Sul ajudasse na limpeza do ICC Norte, onde os problemas foram maiores”, disse.

PREVENÇÃO - Os pluviômetros do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registraram nesta madrugada 87,6 milímetros de chuva, nível acima da forte chuva de 10 de abril de 2011, quando foram medidos 53 milímetros em todo o DF. Em 2011, porém, houve fortes estragos no subsolo do ICC. A água destruiu paredes, equipamentos e deixou a UnB sem aulas por dois dias. Leia mais aqui.

A meteorologista Márcia Seabra, do Inmet, afirma que o impacto da chuva não decorre somente da quantidade de água, mas também de fatores como a velocidade do vento. Além disso, ela destaca, o registro pluviométrico é feito pela estação do Inmet no Sudoeste, podendo haver variações em relação a outras regiões, como a Asa Norte, onde está localizado o campus Darcy Ribeiro. “Em 2011, os 53 milímetros foram registrados no Sudoeste, portanto a chuva pode ter sido bem mais intensa na região da UnB, da mesma forma que na madrugada desta quarta-feira pode ter chovido na Asa Norte menos do que foi registrado no Sudoeste”, diz Márcia.

O diretor do Centro de Planejamento Oscar Niemeyer (Ceplan), Alberto Alves de Faria, disse que, após a enchente de 2011 no ICC, foi adotada uma série de medidas para melhorar a capacidade de rede de drenagem, que coleta a água da chuva, e evitar as enxurradas que comumente arrastam folhas e lixo da L2 até a UnB, localizada em uma área mais baixa em relação às quadras comerciais e residenciais da Asa Norte.

Uma delas foi fechar as arestas localizadas na parte inferior externa do ICC. “As redes que passam em frente ao Minhocão e em frente à Faculdade de Tecnologia também foram feitas. Agora, precisamos de um levantamento para identificar por onde a água conseguiu penetrar e causar alagamentos”, disse Alberto. “Depois da enchente de 2011, foram feitos vários reparos para prevenir novos danos, mas a chuva dessa madrugada mostrou que será necessário fazer novos ajustes”, comentou Eduardo Raupp.

Na tarde desta quarta-feira, a Prefeitura se reúne para analisar as informações levantadas pela manhã e discutir os ajustes necessários para evitar estragos nas próximas chuvas. “Vamos passar um relatório hoje ao prefeito Francisco Cassiano”, disse Márcio Nascimento, da Prefeitura da UnB, que percorreu o ICC durante a manhã ao lado de funcionários da unidade.

 

 

 

Tags: