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Ensino Superior

Cota obriga escola pública a investir em modernização

À espera de possível migração de alunos de colégios particulares em busca do novo sistema de ingresso na UnB, a Secretaria de Educação adota medidas para alcançar o nível das instituições privadas

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postado em 18/10/2012 08:00 / atualizado em 17/10/2012 11:31

Manoela Alcântara

As escolas públicas do Distrito Federal, responsáveis pela formação de pelo menos 12,5% dos próximos estudantes a ingressarem na Universidade de Brasília (UnB), têm um longo caminho a percorrer para alcançar a qualidade do ensino na rede privada. No último levantamento divulgado a partir das notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a melhor instituição mantida pelo GDF, o Setor Oeste, aparece apenas na 54ª posição do ranking geral. As públicas com a melhor colocação — Colégio Militar e Dom Pedro II, mantidos, respectivamente, pelo Ministério da Defesa e pelo Corpo de Bombeiros — alcançaram resultados mais altos. A primeira ficou em 16º lugar, e a segunda, em 21º.

A diferença nas notas também é considerável. Enquanto o Olimpo, primeira escola privada da lista, alcançou média de 710,23, o Setor Oeste chegou a 591,55. Mesmo assim, com a instituição das cotas sociais, existe a possibilidade de alguns alunos migrarem dos colégios particulares para os do governo na esperança de terem mais chances de aprovação. As opiniões sobre o tema se dividem. A Secretaria de Educação se prepara para um possível aumento na procura, mas as privadas não temem uma evasão.

O coordenador de ensino médio da Secretaria de Educação, Gilmar de Souza Ribeiro, considera a política de cotas positiva. Para ele, a migração será gradativa, e os estudantes serão bem recebidos. “Depois de quase uma década sem investimento em infraestrutura, voltamos a modernizar as escolas, adotamos política de banda larga para todas as instituições e vamos reequipar os laboratórios de física e de química”, disse. Ele aposta ainda na retenção de talentos na rede. “Aqueles alunos excelentes que faziam provas para obter bolsas em escolas privadas se manterão nas públicas e aumentarão os índices de aprovação no vestibular.”

A Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) e a Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do DF (Aspa) pensam diferente. Segundo os presidentes das duas entidades, os responsáveis não abrirão mão de manter os filhos na rede privada. Luis Claudio Megiorin, da Aspa, ressalta que não vale a pena o risco. “Talvez alguns pais que matricularam os filhos em escolas mais fracas optem por migrar e pagar um cursinho por fora. Mas, no geral, não haverá êxodo.”. Ele acredita ainda que as cotas são importantes, mas que não deveriam se somar, como ocorreu na UnB. A universidade adotará 12,5% para cotas sociais e 20% para negros.

Amábile Pácios, da Fenep, salientou a inversão de possibilidade na aprovação, uma vez que os cotistas podem disputar uma vaga nos dois sistemas de ingresso: o de reservas e o tradicional, por ampla concorrência. “Isso dobra as chances dos alunos de escolas públicas e reduz pela metade as dos estudantes das privadas. Não achamos justo”, declarou.

Divergência
O estudante do 3º ano do Colégio Rogacionista, no Guará, Henrique de Magalhães Oliveira, 17 anos, se sente lesado com a nova lei. É contra a inclusão de cotas sociais na UnB. Para ele, o processo pode tirar vagas de muitos estudantes preparados. “É só o começo. No ano que vem, serão 25%, até chegar a 50%. Muita gente que se esforça para tirar uma nota boa pelo sistema universal, perderá vagas para aqueles com média menor no sistema de cotas”, reclamou.

Aluna do 1º ano do Centro de Ensino Médio Elefante Branco, na 606 Sul, Karen Brenda Mendes, 16 anos, concorda com a cota social. “Acho muito bom porque, atualmente, temos menos oportunidades”, acredita. Karen sente falta de investimentos em laboratórios, mas acredita estar preparada para entrar na universidade. “Essa é uma oportunidade de haver mais alunos da rede pública na universidade pública”, avalia.

Ensino democrático
A Lei Federal nº 12.711, aprovada pelo Congresso Nacional, prevê a reserva de 50% das vagas em instituições federais de ensino para estudantes de escolas públicas, negros, pardos, índios e de baixa renda em quatro anos. A aplicação é imediata e vale para as próximas seleções, que darão acesso à universidade em 2013. Do total de vagas, metade será reservada aos candidatos oriundos de famílias com renda per capita inferior ou igual a 1,5 salário mínimo.

Estudante fala

Você é a favor ou
contra as cotas sociais?

Rafael Cardoso de Oliveira Androzio,
14 anos, aluno do 9º ano do Colégio Rogacionista (Guará)

“Não acho muito bom, não vai funcionar. Muitos alunos não estão ligando para o estudo e podem ocupar um espaço que seria de alunos melhores. Para mim, não seria bom mudar para uma escola pública, pois acredito que ela não prepara para a universidade.”

Juliana Oliveira da Silva,
16 anos,  estudante do 1º ano do Centro de Ensino Médio Elefante Branco (606 Sul)
“Eu acho que vai ajudar bastante os alunos das escolas públicas porque não há comparação com a particular. A estrutura deles é melhor. Aqui, faltam laboratórios, livros, professores. Hoje (ontem), não tive aula.”

Gabriela Oliveira e Silva,
14 anos, aluna do 9º ano no Ciman (Área Octogonal Sul)

“Sou contra a cota social. O ensino deveria ser igual para todos, tanto na escola pública quanto na particular. Ele deve ser melhorado para ficar igual, no lugar de aumentar a cota. Não é justo só porque é pública ter mais vagas.”

Jefferson Oliveira Bizerra,
17 anos, estudante do 3º ano no Setor Leste (611 Sul)
“Sou a favor. Pode facilitar para os estudantes da rede pública.Com as cotas, concorreremos com alunos do nosso nível. Eu estou me preparando, a escola tem um foco, fazemos equipes de estudo. A base poderia ser melhor, mas acho que estou preparado.”

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