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Joaquim Barbosa é aplaudido de pé por universitários em conferência

O vice-presidente do STF falou por quase uma hora a alunos, professores e comunidade no Iesb

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postado em 23/10/2012 12:56 / atualizado em 24/10/2012 11:12

Breno Fortes/CB/D.A. Press
Aplaudido de pé e aclamado pela plateia, o vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Benedito Barbosa Gomes, foi o convidado ilustre do segundo dia do 2º Congresso de Ensino, Pesquisa e Extensão do Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb). Barbosa foi recebido como herói por um auditório repleto de universitários ansiosos por ouvir o ministro que teve participação decisiva na condenação dos réus do Mensalão. Ele foi relator do processo e, em breve, assumirá a presidência da Corte.

Acomodados nas cadeiras do auditório, sentados no chão, em pé, encostados nas paredes, em cadeiras improvisadas, fora do auditório ou escutando por meio de alto-falantes. Foi assim que mais de 300 pessoas assistiram à conferência O direito e a justiça ministrada por Joaquim Barbosa na manhã desta terça-feira (22/10), curiosos para ver pessoalmente o magistrado, que também é professor.

Inúmeros tablets, celulares e máquinas fotográficas foram sacados de bolsas e casacos de professores, estudantes e demais participantes no momento em que o ministro entrou no auditório da faculdade. Todos queriam registrar o momento que consolida o Dr. Joaquim Barbosa como exemplo de cidadania e responsabilidade com a democracia no cumprimento dos deveres como juiz da Suprema Corte do país.

Isso porque Joaquim Barbosa vem sendo reconhecido pela sociedade brasileira, e mesmo pela mídia internacional, como o juiz brasileiro que se portou com retidão diante do maior julgamento contra a corrupção do país. Como relator do Mensalão, Barbosa leu centenas de páginas apenas para apresentar o caso que iria ser julgado, contou a história dos laços de envolvimento dos acusados e examinou argumentos pró e contra os envolvidos.

Respeito
Visivelmente cansado pelo esforço dos longos dias de julgamento, Joaquim Barbosa entrou no Auditório Benedito Coutinho apenas algumas horas depois do término do último dia de votações do mensalão. "Estou em meio a um vendaval. Mal dormi, mas a luta recomeça”, disse o ministro, que participará da sessão que vai definir como tratar os casos de empate.

Concentrado, recebeu homenagem feita pelos estudantes e docentes da instituição, que lhe enaltecia valores pessoais considerados de grande importância na mudança da concepção de justiça do Brasil. “É de reconhecimento público que Vossa Excelência representa não apenas um marco jurídico desse país, mas também um modelo ético-republicano, espelho de superação, os quais não mais lhe pertencem, mas são agora propriedades do imaginário coletivo nacional”, dizia parte do texto.

Em resposta, Barbosa afirmou que busca apenas levar a sério o papel que o STF tem no Brasil. “Longe de mim ter a pretensão de mudar o país. Eu não tenho feito nada além do papel que se espera de um juiz”, afirma. Na apresentação para os alunos, o magistrado destacou que o juiz não pode se limitar a interpretar normas jurídicas, mas tem o papel de julgar e verificar qual impacto as decisões tomadas trarão para o meio social.

“Um país que não pune adequadamente e no momento certo a criminalidade leva a sociedade a algo muito mais sério e perigoso que o crime. Leva à desagregação social e à completa descrença no funcionamento da própria democracia”, defendeu o magistrado.

Exemplo

O estudante do 5º semestre de direito do Iesb Gabriel Silva Borges, 23 anos, esteve presente no momento da apresentação do ministro e considera Joaquim Barbosa como exemplo a ser seguido. “Ele desperta no aluno o sentimento de que o caminho pode ser difícil, mas que a gente consegue chegar nos nossos objetivos”, relata.

Já o professor aposentado Sebastião José Sobrinho, 65 anos, vê em Barbosa o personagem que tenta recuperar a dignidade nacional. "Ele está revolucionando. A excelente participação dele dá esperança para os brasileiros."
“Vivemos um momento histórico e com a presença do ministro podemos incentivar os alunos a transformarem a realidade. A presença dele foi emblemática”, definiu a coordenadora dos cursos de graduação e pós-graduação em direito do Iesb, professora Any Ávila Assunção.

Breno Fortes/CB/D.A. Press

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