Robô com mania de limpeza

Sem patrocínio, estudantes de engenharia mecatrônica da UnB faturam o primeiro lugar em competição latino-americana de robótica

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postado em 25/10/2012 08:00 / atualizado em 24/10/2012 10:02

Uma ideia criativa e muito esforço levaram 13 estudantes de engenharia mecatrônica da Universidade de Brasília (UnB) à vitória na principal categoria — Open — da 11ª Competição Latino-Americana de Robótica (ver Para saber mais). Após duas tentativas, desde a formação do grupo, em 2009, a equipe levou o troféu para casa concorrendo com 38 times do Brasil, Chile, Uruguai, México, Colômbia e Venezuela.

O concurso ocorreu em Fortaleza, entre os dias 17 e 21 deste mês. A cada ano, o desafio é modificado. Nesta etapa, a proposta era somar a aplicação da robótica com sustentabilidade. O objetivo das máquinas era recolher latas jogadas na areia da praia. “Tínhamos que construir um robô que fosse capaz de recolher latinhas em uma simulação de praia, com areia, além de desviar de obstáculos, como pessoas e cadeiras”, explicou Caio Neno Silva Cavalcante, 23 anos, estudante do 5º semestre e integrante da equipe.

Na categoria Kits Educacionais — pequenos robôs montados com peças de Lego —, o grupo conquistou o sétimo lugar. “O integrante dessa categoria está começando na robótica, no início do curso. Mas ele aprende noções de programação e de mecânica, assim, quando chegar à etapa principal, vai fazer um bom papel”, explicou Caio. Os alunos mais antigos, sete deles, ficam encarregados em construir o robô campeão. “Eles começam o trabalho desde o chassi, a parte mecânica e os componentes elétricos. No outro, não há tanta preocupação com elétrica, mas com mecânica e programação.”

Sem controle remoto
Sem patrocínio, os estudantes precisaram tirar do próprio bolso o equivalente a R$ 3 mil para construir o modelo. Com aparência de um pequeno trator, o robô, batizado de Droid 1, demorou pelo menos cinco meses para sair do papel. Com cerca de 13kg, é programado para funcionar de forma autônoma, ou seja, sem controle remoto.

“Ele possui duas câmeras, frontal e traseira, que fazem com que ele seja capaz de identificar cores e formatos de objetos”, explicou Rodrigo de Lima Carvalho, 21 anos, estudante do 6º semestre. Com o programa utilizado, a máquina consegue encontrar a latinha, se alinhar e recolhê-la. A caçamba do aparelho pode armazenar até 20 latas. “Mas, na competição, foram apenas 11. O tempo era limitado em 10 minutos para rodar em uma grande arena”, contou Rodrigo.

Além do primeiro lugar na Competição Latino-Americana, a equipe garantiu a primeira classificação no Campeonato Brasileiro de Robótica. As etapas ocorrem paralelamente. O brasileiro melhor colocado no torneio internacional fica com o primeiro lugar na etapa nacional. Até agora, os amigos acumulam troféus: o terceiro lugar no Campeonato Brasileiro de 2009 e o primeiro, em 2010. No Latino-Americano, conquistaram o terceiro lugar em 2010.

Falta de apoio
Feliz com a vitória, Caio faz planos para a próxima competição. Apesar de terem conseguido cobrir 40% dos custos com a viagem, pagos pela UnB, o estudante espera mais. “É o trabalho de um ano, que a gente coloca esforço e não recebe tanto apoio quanto gostaria”, lamentou. Segundo ele, é complicado desenvolver ciência no Brasil. “Patrocinar ainda não é costume do governo e das empresas. A gente espera que, com esse resultado, tenhamos mais ajuda”, acrescentou.

Antônio Padilha Lanari Dó, professor de engenharia elétrica na área de robótica médica na Unb, acompanhou o trabalho dos estudantes no laboratório da universidade. Ele garante que toda a pesquisa principal foi desenvolvida por eles. “Eles compreenderam conceitos, alçaram voo. O importante é que eles criaram o robô do nada, fizeram toda a parte elétrica, mecânica, é mais difícil que fazer um computador”, comparou.

O professor reconhece o esforço dos alunos. “Dentro de vários grupos, eles chegaram na frente. Muitos tinham patrocínio e, mesmo sem apoio grande, conseguiram”, concluiu Padilha.

Para saber mais

Tecnologia acadêmica


A competição nasceu com o intuito de mostrar à sociedade o que as universidades estão fazendo na área da tecnologia. Pelo menos 1,6 mil pessoas participaram em 17 categorias desta que é a 11ª edição da etapa latino-americana. O campeonato brasileiro soma 10 edições. O evento internacional é sempre realizado em países diferentes a cada apresentação. No ano passado, o torneio foi realizado em Bogotá, na Colômbia. Um ano antes, em 2010, os competidores se encontraram em São Bernardo do Campo, em São Paulo. O local a ser realizado em 2013 ainda não foi divulgado.


Jovem embaixadora é de Taguatinga

Única representante do Distrito Federal, Yasmin Gomes de Araujo, 16 anos, moradora de Taguatinga, é uma das 37 estudantes brasileiras da rede pública escolhidos entre 16,5 mil candidatos para participar de um intercâmbio nos Estados Unidos, em janeiro de 2013. Eles integrarão o programa Jovens Embaixadores, iniciativa de responsabilidade social da embaixada americana, em parceria com os setores público e privado em ambos os países e que existe há 11 anos. Para participar, o candidato deve ter entre 15 e 18 anos, ter excelente desempenho escolar, falar inglês e pertencer à camada socioeconomica menos favorecida, entre outros. A viagem vai durar três semanas, com visitas aos principais monumentos, a escolas e a projetos sociais em Washington e outras regiões norte-americanas.
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