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Rondonistas querem redescobrir o Brasil

Estudantes brasileiros se preparam com antecedência para as operações do projeto do governo federal que aproxima as universidades ao interior do país

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postado em 08/11/2012 18:11 / atualizado em 09/11/2012 12:31

A primeira edição do projeto Rondon de 2013 está marcada para começar só em janeiro, mas os estudantes que vão participar no ano que vem já estão se preparando para viajar. O Ministério da Defesa, encabeçando as nove pastas que coordenam o projeto, divulgou a lista das universidades aprovadas no processo de seleção, e quatro são do Distrito Federal (DF).

Dessa vez, 148 alunos voluntários do Brasil inteiro vão a campo para conhecer a realidade no interior de Alagoas, Bahia, Pernambuco, Piauí e Sergipe, e trocar experiências em saúde, direitos humanos, educação e cultura. O DF integra o projeto enviando 32 universitários da Faculdade Anhanguera, Universidade Católica (UCB), Centro Universitário do Distrito Federal (UDF) e Universidade de Brasília (UnB).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

UnB no Piauí
O professor Antonio Carlos dos Anjos, coordenador do projeto na UnB, explica que, por lá, os trabalhos já começaram. Ele e o professor Cleiton Mendes chegaram nesta segunda-feira (5/11) no interior do Piauí para conhecer o município para o qual a equipe da universidade foi destinada. A cidade é Campo Alegre do Fidalgo, a cerca de 1,5 mil km de Brasília.

“É uma cidade muito pequena, não tem prédio, não tem asfalto, não tem nada. A população é muito carente aqui, e vive prioritariamente no meio rural” descreve o professor as primeiras impressões sobre a cidade piauiense de menos de 5 mil habitantes. “Os moradores criam cabras, galinhas e porcos por toda parte. Por isso, é certo que vamos fazer em janeiro oficinas de saneamento básico e medicina veterinária”, acrescenta Antonio Carlos.

Equanto os professores recolhem materiais sobre a cidade, os estudantes em Brasília ajustam os detalhes dos projetos que vão ser desenvolvidos entre 11 de janeiro de 4 de fevereiro. "Não vejo a hora de embarcar", confessa Tomé de Pádua, que está no 7º semestre de geologia da UnB e já participou de cinco operações do projeto Rondon desenvolvido pela UnB.

Essa é a primeira vez que o aluno embarca no programa do Ministério da Defesa. “Estamos nos preparando há um ano. A nossa equipe é formada por oito alunos e dois professores. Tem gente do direito, do curso de letras, da antropologia e da enfermagem. Estamos todos ansiosos, recolhendo o máximo de informação que pudermos sobre o lugar e as pessoas com quem vamos trabalhar.”

Os trabalhos dos alunos e professores da UnB em Campo Alegre do Fidalgo vão ser didividos com a equipe do Centro Universitário de Votuporanga, em São Paulo. "Ainda não conhecemos a outra equipe, mas a ideia é trabalhar todo mundo junto. A cidade em que vamos ficar é muito pobre, e tem muitas necessidades. Vamos tentar ajudar a própria população a saná-las", relata Tomé.

Arrumando a bagagem
A equipe da professora Fabiana Nunes, coordenadora do Rondon na UCB, tem o desafio de selecionar oito de 40 alunos inscritos para participar do programa em janeiro. A seleção rigorosa visa levar à cidade de Campo do Brito, em Sergipe, alunos preparados para enfrentar qualquer dificuldade.

"Nossa equipe tem que ser multidisciplinar. Além do conhecimento acadêmico, nossos alunos precisam levar na mala a noção de que vão aprender muito mais do que ensinar. Humildade é item obrigatório nas operações do Rondon", explica a coordenadora.

Segundo Fabiana, a experiência do projeto Rondon inspira a formação de profissionais mais completos. "Nada que é feito dentro de sala de aula substitui a vivência nas cidades. Nossos alunos vão para o mercado de trabalho muito mais conscientes do que podem ou não fazer. Mais do que isso, eles voltam da experiência amadurecidos, transformados pelo contato com a realidade brasileira", completa.

Formação de rondonistas
O projeto Rondon surgiu em 1967 como forma de estender a atividade acadêmica e aproximá-la à realidade dos municípios mais pobres do interior do Brasil. Extinto em 1989, o projeto Rondon só foi retomado em 2005, quando a UCB e a UnB começaram a participar de maneira regular em todas as edições. Para atender a demanda dos alunos interessados em se tornar rondonistas, a universidade federal precisou adaptar o projeto, criando um Rondon complementar ao programa do Ministério da Defesa.

Em 2007, a universidade passou a oferecer uma disciplina multidisciplinar com status de projeto de extenção para alunos e membros da comunidade que querem viver essa experiência. Durante um semestre, eles criam os projetos e discutem ações de fortalecimento dos municípios em que vão atuar. A iniciativa fez sucesso e, hoje, o curso, classificado como módulo-livre, passou a ser optativo para os cursos de geologia e medicina veterinária. Só nesse semestre são 450 alunos matriculados na disciplina do projeto Rondon.

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