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Ensino Superior

Arrocho fiscal marca transição na UnB

Ivan Camargo terá pela frente um deficit de R$ 70 milhões para administrar a partir de 2013. Os principais nomes do primeiro escalão da universidade já estão definidos

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postado em 15/11/2012 08:00 / atualizado em 21/11/2012 12:44

Thaís Paranhos

Marcelo Ferreira
O novo reitor da Universidade de Brasília (UnB) assumirá o cargo neste mês cercado de desafios. O deficit da instituição para 2012, por exemplo, deve se confirmar em aproximadamente R$ 70 milhões. Por causa disso, o escolhido pela comunidade acadêmica para comandar a UnB, o professor da Faculdade de Tecnologia (FT) Ivan Camargo, sinalizou que uma das primeiras medidas a tomar ao assumir a função será o corte de gastos no próximo ano. A cinco dias da posse, o docente aguarda a aprovação da presidente Dilma Rousseff para dar início aos trabalhos.
Mesmo sem a palavra final da presidente, Camargo escolheu os nomes dos próximos decanos, o primeiro escalão da administração (leia quadro). O prefeito da UnB e o chefe de gabinete também estão definidos. Como o prometido durante a campanha, o reitor eleito promoverá uma grande mudança nesses cargos. “O mais importante para a escolha é o mérito de cada um, estamos seguindo o que nos comprometemos a fazer, mas com união. Vários grupos estão sendo representados”, explicou Camargo. O vice-reitor da UnB, João Batista, está à frente do processo de transição.


Nos cargos acadêmicos, Camargo escolheu o professor Jaime Santana para assumir o Decanato de Pesquisa e Pós-Graduação (DPP); Mauro Rabelo ficará à frente do Decanato de Ensino de Graduação (DEG); e Thérèse Hofmann, do Decanato de Extensão (DEX). “O Ivan queria renovação e pessoas com experiência. Aceitei com muito entusiasmo. O DPP é uma vitrine para a universidade, representa a produção do conhecimento. Vamos trabalhar para que todas as áreas estejam representadas”, afirmou Santana.

Rabelo encarou o convite para assumir o DEG como um desafio. “A universidade conta com 32 mil alunos. Um projeto de expansão ocorreu recentemente e temos muito trabalho pela frente, inclusive para inserir mais estudantes na instituição.” A fim de garantir a permanência desses novos universitários, o professor destacou que a assistência estudantil será uma prioridade da gestão. O professor Marco Aurélio de Oliveira assumirá a Prefeitura; e Humberto Abdalla, a chefia de gabinete.

Atento às funções administrativas, consideradas estratégicas e com muitos problemas a serem resolvidos, Ivan Camargo escolheu a docente Denise Bomtempo para o Decanato de Assuntos Comunitários (DAC). Luís Afonso Bermudez ficará à frente do Decanato de Administração (DAF); Gardênia Abbad, do Decanato de Gestão de Pessoas (DGP); e Carlos Alberto Torres, do Decanato de Planejamento e Orçamento (DPO). “Aceitei com muito entusiasmo e darei o melhor que puder, mas sabemos que precisamos tomar medidas para melhorar a universidade”, disse Torres. “Fiquei muito orgulhosa ao ser lembrada. Passei a vida estudando gestão de pessoas, será uma continuidade da minha própria carreira”, comentou Gardênia.

Controle


Os gastos da UnB para o próximo ano preocupam o novo reitor. “Tudo indica que teremos um ano de austeridade e uma administração bastante rigorosa com o controle orçamentário”, apontou Camargo. Ele prometeu verificar a conformidade dos contratos de prestação de serviço que vêm sendo questionados e resolver a situação dos precarizados (com contratos temporários), além de restaurar o Conselho Diretor. “Ele não foi usado nos últimos anos, mas é quem tem competência para avaliar as contas da universidade”, disse.

Com essa perspectiva, Bermudez projeta o trabalho à frente do DAF. “Será um desafio fazer uma boa gestão dos recursos da universidade, que são parcos. A UnB precisa é de uma nova forma de gestão dentro de uma estrutura pública difícil, com uma cenário de orçamento que não é fácil. Será um desafio conseguir recursos para que possamos levar a UnB a ser inovadora, empreendedora, moderna e que atenda aos anseios da sociedade e cumpra o seu papel”, opinou.

Ivan Camargo apontou a burocracia como um dos obstáculos a ser vencido na gestão. “A gente não consegue comprar nada, a demora é de seis meses. Precisamos colocar a máquina para funcionar”, disse. Além disso, ele pretende tomar medidas para melhorar a segurança. “Uma das primeiras medidas será a reforma da parte elétrica do Minhocão. Isso contribuirá para a segurança do câmpus”. Camargo também citou medidas para melhorar a excelência acadêmica.

Apesar da proposta de mudança, Camargo não trocará alguns comandantes. Ricardo Carmona continuará como diretor-geral do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe). Armando Raggio também ficará no cargo de diretor do Hospital Universitário (HUB). “A criação das empresas do Cespe e do HUB foi aprovada e já está em processo (comandado por Carmona e Raggio). Vamos cumprir o que os conselhos determinarem”, completou o novo reitor.

Adesão
ao Enem

Antes de definir se a Universidade de Brasília (UnB) vai aderir ao Sistema de Seleção Unificado (Sisu), o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) quer ouvir a comunidade acadêmica. Os representantes das faculdades, dos institutos e dos centros poderão se posicionar a favor ou contra a proposta que destina 25% das vagas do vestibular para os candidatos que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Atualmente, a UnB aproveita as notas do Enem nas vagas remanescentes do Programa de Avaliação Seriada (PAS) e do vestibular tradicional. “Isso representa cerca de 25% do total, por isso, sugerimos a adesão”, explicou o decano de Ensino de Graduação e idealizador da proposta, José Américo Garcia. Se os conselheiros aprovarem a iniciativa por maioria absoluta — atualmente, há 70 integrantes —, 25% das vagas serão destinadas ao Sisu, 25% ao PAS e 50% ao vestibular convencional.

Eleições no DCE Enquanto o novo reitor escolhido pela comunidade acadêmica se prepara para iniciar a administração, os alunos da Universidade de Brasília (UnB) se articulam para a realização das eleições do Diretório Central dos Estudantes (DCE). A comissão eleitoral definiu as regras do processo. As chapas poderão se inscrever em 14 de novembro, e a campanha começará no dia seguinte. As eleições ocorrerão em 5 e 6 de dezembro.

Os últimos detalhes foram ajustados na semana passada, durante reunião com os integrantes da comissão eleitoral. Eles acertaram datas, por exemplo. Qualquer aluno regularmente matriculado pode se inscrever e, cada grupo, deverá ter, no mínimo, 19 pessoas. Para se candidatar, os concorrentes deverão apresentar o nome da chapa e dos integrantes, documentos com fotos, identificação dos cursos, números de matrículas e cargos pleiteados, além do programa de gestão, as declarações de aluno regular e de aceitação dos termos do regimento.

Democracia

A expectativa dos integrantes da comissão é que as eleições ocorram dentro da normalidade. “O processo eleitoral para o DCE tem a tradição de ser bastante respeitoso, não costumamos ter problemas em relação a fraudes ou confronto entre as chapas. Esperamos que a democracia saia fortalecida e a gestão responda pelos anseios, vontades e necessidade dos alunos”, comentou o estudante do 8º semestre de ciências sociais Wevertton Brasil.

 

Perfis

            

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