Novo reitor repensa a UnB

Ivan Camargo assume hoje o principal cargo da Universidade de Brasília com o desafio de criar condições para manter a expansão da instituição aliada à qualidade de ensino. Estudantes e servidores cobram mais assistência e valorização

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postado em 20/11/2012 13:33 / atualizado em 20/11/2012 13:50

Thaís Paranhos , Manoela Alcântara

 

Instituto Central de Ciências (ICC), na Asa Norte: Câmpus Darcy Ribeiro precisa de reformas estruturais urgentes e melhoria na questão da segurança (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 29/10/12) 
Instituto Central de Ciências (ICC), na Asa Norte: Câmpus Darcy Ribeiro precisa de reformas estruturais urgentes e melhoria na questão da segurança


O novo reitor da Universidade de Brasília (UnB) assumirá o cargo diante de uma instituição diferente de quatro anos atrás. O processo de expansão, iniciado em 2008, aumentou a estrutura física e a comunidade acadêmica. O número de alunos cresceu 50%, e as vagas para a graduação praticamente dobraram. Ivan Camargo assume a função hoje com o desafio de consolidar essa ampliação e preservar a qualidade do ensino. Para a gestão do quadriênio 2012-2016, cabe ainda melhorar a segurança nos câmpus, desburocratizar processos, garantir recursos e melhorar a infraestrutura.

A nomeação do professor da Faculdade de Tecnologia, eleito pela comunidade acadêmica em setembro deste ano, foi assinada pela presidente da República, Dilma Rousseff, há seis dias. Às 15h de hoje, será realizada a cerimônia oficial no Ministério da Educação (MEC). Amanhã, ele apresentará a equipe da nova gestão em evento aberto à comunidade, no Centro Comunitário Athos Bulcão, às 9h30 (leia quadro). Segundo Camargo, o trabalho à frente da reitoria começa hoje mesmo. Entre as primeiras medidas está a análise das contas para este ano e o planejamento orçamentário da instituição.

No segundo semestre deste ano, a administração da universidade sinalizou que as contas entre receita e gastos não fechariam. Chegou-se a cogitar um deficit de R$ 72 milhões, que não se confirmou, segundo Camargo. No entanto, o novo reitor pretende fazer um planejamento adequado para não repetir o quadro. “Precisamos conhecer os nossos gastos, saber onde a gente pode reduzir e onde a gente deve investir mais”, disse (leia entrevista na página 25). Revisar todos os contratos firmados pela instituição será um dos passos previstos.

Ainda para 2013, ele deverá lidar com uma situação nova para todo o país. A Lei Federal nº 12.711 prevê reserva de 12,5% para estudantes oriundos de escolas públicas, negros, pardos, indígenas e de baixa renda. Em quatro anos, serão 50% das oportunidades para esse público. Com tal medida, será necessário ampliar a assistência estudantil. Entre as ações está a conclusão da reforma da Casa do Estudante Universitário (CEU) e de programas como os de tutoria, já existentes para garantir a permanência dos calouros nos cursos.

A segurança, uma das principais preocupações da comunidade acadêmica, também despertou a elaboração de medidas emergenciais nos câmpus. Alunos, professores e técnicos reclamam principalmente de arrombamentos de carro, furtos e depredação do patrimônio. Em um site criado por estudantes para mapear a violência nos câmpus da UnB, foram registradas, entre abril e outubro, 78 ocorrências. Os casos não ocorreram necessariamente nesse período. Há relatos, por exemplo, de furtos de veículos de 2009.

Reivindicações
As entidades representativas também sinalizam as insatisfações dentro da instituição. Representante dos estudantes no Conselho Universitário (Consuni), Octávio Torres avalia a necessidade de melhorar a infraestrutura. “É preciso melhorar banheiros, bebedouros, salas de aula e laboratórios. Comparados a outras federais, estamos com uma estrutura precária”, afirmou.

Ele defende também um programa de assistência que evite a evasão dos alunos sociovulneráveis, tanto para os antigos quanto aos calouros que ingressarão pelo sistema de cotas sociais. “É uma série de desafios. O novo reitor deve estar atento ao problema da segurança, da excelência acadêmica e da assistência estudantil”, completou.

Os funcionários técnicos administrativos também esperam algumas ações da nova gestão. Entre elas, a realização de concurso público. O coordenador-geral do Sindicato dos Servidores Técnicos Administrativos (Sintfub), Mauro Mendes, citou a implantação da jornada de 30 horas semanais para a categoria. A medida foi aprovada pelo Conselho de Administração da UnB, mas precisa ser implementada até dezembro deste ano. “A realidade da UnB é outra. A universidade se expandiu muito, com a criação de novos cursos, principalmente os noturnos. Há uma defasagem grande de técnicos”, justificou. Mendes também cobrou a valorização dos trabalhadores. “É preciso haver um compartilhamento da gestão, valorizar é trabalhar de forma conjunta”, finalizou.

A união dos professores foi uma das principais bandeiras da campanha de Ivan. Para isso, o novo reitor precisa acabar com a divisão que se instalou na academia. Neste ano, a universidade enfrentou uma greve de quase 90 dias, que separou os grevistas em dois grupos. As divergências ficaram claras em confusões durante as assembleias para a discussão da continuidade do movimento. “Tenho certeza de que a gestão anterior tentou muito trabalhar no sentido da união, mas vários colegas não se sentiram contemplados. Eu era um deles”, afirmou Ivan Camargo.

 
Os decanos

Jaime Santana
Decanato de Pesquisa e
Pós-Graduação (DPP)

Mauro Rabelo
Decanato de Ensino de
Graduação (DEG)

Luís Afonso Bermudez
Decanato de Administração (DAF)

Carlos Alberto Torres
Decanato de Planejamento
e Orçamento (DPO)

Thérèse Hofmann
Decanato de Extensão (DEX)

Denise Bomtempo
Decanato de Assuntos
Comunitários (DAC)

Gardênia Abbad
Decanato de Gestão de Pessoas (DGP)

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