SIGA O
Correio Braziliense

Ensino Superior

Sem cobranças no Beijódromo

Manifestantes protestam contra taxa de utilização do auditório localizado no espaço administrado pela Fundação Darcy Ribeiro, no câmpus da Asa Norte da UnB

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 22/11/2012 08:00 / atualizado em 21/11/2012 12:36

Estudantes e docentes pedem liberdade para a oca inaugurada em 2010 (Monique Renne/CB/D.A Press) 
Estudantes e docentes pedem liberdade para a oca inaugurada em 2010
 

“Um palco para serestas e leituras de teatro, para namorar, beijar e ver a lua cheia.” Foi assim que o antropólogo Darcy Ribeiro imaginou o memorial erguido em sua homenagem na Universidade de Brasília (UnB) e batizado como Beijódromo. A proposta era fazer do prédio, uma oca de 2 mil m² inaugurada em 2010, um espaço livre. “Não será uma fundação careta”, escreveu o pioneiro. Mas, para alunos e professores da universidade, não foi nisso que o local se transformou.

Revoltados com a forma como o espaço tem sido administrado pela Fundação Darcy Ribeiro, cerca de 30 estudantes e professores pintaram os lábios com batom e ocuparam a área, localizada ao lado da reitoria da universidade, na manhã de ontem. “O Beijódromo é para beijar”, gritavam os manifestantes, encabeçados pelo Movimento Honestinas, grupo da UnB que concorre às eleições para o Diretório Central dos Estudantes (DCE). Entre as reclamações, a principal delas dizia respeito à cobrança de uma taxa para uso do auditório com capacidade para 200 pessoas existente no memorial.

Professora da Faculdade de Direito, Alejandra Pascual engrossou o coro que reivindicava mais liberdade na utilização do espaço. Ela conta que, no início do ano, precisou desembolsar R$ 2 mil para realizar ali um seminário sobre direitos humanos. “Esse protesto é mais do que necessário. Essa privatização vai contra o espírito do próprio Darcy Ribeiro”, disse.

Segundo a docente, até o fim de 2011 os administradores da área alegavam que a realização de eventos não acarretaria qualquer custo. Em janeiro deste ano, contudo, quando entrou em contato com a direção do Beijódromo para organizar um dia de palestras no auditório, ela descobriu que precisaria pagar — e caro — pelo seminário. “Eu expliquei que era professora da UnB, mas me responderam que ali eles faziam negócio e eu precisaria pagar, sim”, lembra a professora.

Aluguel

O Centro Acadêmico de Direito da UnB também precisou desembolsar R$ 3.250 pela utilização do espaço para realizar um encontro no local em junho deste ano. “A gente precisou cobrar uma entrada dos estudantes para cobrir os custos com o aluguel”, comenta um membro do CA que preferiu não se identificar.

O presidente da Associação de Pós-Graduandos da Universidade de Brasília, Fábio Borges, diz que também foi cobrado ao tentar promover palestras no Beijódromo, no mês passado. “Era um seminário sobre a história e a memória estudantil, em homenagem aos 50 anos da UnB”, lembra. “A gente acabou fazendo no auditório Dois Candangos, porque precisaria pagar R$ 4,5 mil pelos três dias de encontro e nós não tínhamos esse dinheiro”, completa.

Diária dos técnicos

O presidente da Fundação Darcy, Paulo Ribeiro, porém, nega que haja pagamento de taxa para utilização do auditório. “Nós só cobramos a diária dos técnicos que precisam trabalhar no dia dos eventos, como o cinegrafista e o operador de áudio”, afirma. Essa diária, segundo o presidente, ficaria em torno de R$ 200 — valor bem inferior ao que professores e alunos alegam pagar quando precisam usar o espaço. Questionado sobre os recibos emitidos pela Fundação com valores de R$ 2 mil (ver acima), Ribeiro retrucou: “ Isso não existe”.

Paulo Ribeiro explica que é necessário cobrar pelo trabalho dos terceirizados durante eventos, pois a Fundação não recebe dinheiro da universidade para tocar o memorial — a UnB colaborou apenas com o terreno para construção do Beijódromo.

Até 2040, o local será administrado pela entidade que leva o nome do antropólogo, mas depois ficará ao dispor da UnB. Com salas de aula, biblioteca e auditório, o projeto custou  R$ 8,5 milhões, dos quais o Ministério da Cultura (MinC) colaborou com 80% e a Fundação Darcy Ribeiro, com 20%. A assessoria de comunicação da UnB esclarece que a Fundação tem autonomia sobre o espaço.

 

Seminário na Católica
A Universidade Católica de Brasília na Asa Norte (veja Inscrições) realiza no auditório, na manhã de sexta-feira, o Seminário Terceiro Setor: Marco regulatório e novos modelos jurídicos, promovido pelo grupo de pesquisa da UCB para discutir o segmento da sociedade que trabalha na iniciativa privada sem fins lucrativos e pelo bem público.

O primeiro tema em debate será os novos modelos jurídicos de parceria entre sociedade e Estado. “Hoje, está claro que o governo tem necessariamente que buscar apoio na sociedade civil organizada. Temos que criar novas formas jurídicas para prestar esses serviços na área de saúde, de serviço social, da educação.”, explica Eduardo Sabo, professor do mestrado em direito da universidade.

Para encerrar o evento, haverá um painel sobre o novo marco regulatório: “Vamos falar da nova lei da parceria entre Estado e sociedade, que veio para regulamentar as transferências de recursos públicos para tornar mais transparente o repasse de dinheiro para entidades privadas”, define Sabo.

Participam, entre outros, o reitor da Universidade Católica de Brasília, Cícero Ivan Ferreira Gontijo; o diretor do programa de mestrado em direito da universidade, Marcos Aurélio Pereira Valadão; o promotor de Justiça Nelson Faraco de Freitas, e o procurador do Ministério Público do Rio Grande do Sul Antônio Carlos de Avelar Bastos .

Inscrições

Seminário Terceiro Setor: Marco regulatório e novos modelos jurídicos
Local: Auditório Central da Universidade Católica de Brasília na Asa Norte (câmpus 2, SGAN 916, Módulo B).
Quando: sexta-feira, com abertura às 8h30 e encerramento às 12h30
Inscrições: e-mail terceirosetorucb@gmail.com
Informações: telefone 3448-7134
Entrada franca

Tags: