Comando feminino na UnB

Com doutorado em biofísica, a gaúcha Sônia Báo, de 52 anos, é a primeira mulher a ocupar a vice-reitoria da universidade

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postado em 23/11/2012 13:49 / atualizado em 23/11/2012 20:21

Manoela Alcântara

 

A bióloga Sônia Báo começou como professora visitante no IB em 1987 e chegou à direção do instituto: cerca de 200 artigos publicados (Luis Xavier de França/Esp. CB/D.A Press) 
A bióloga Sônia Báo começou como professora visitante no IB em 1987 e chegou à direção do instituto: cerca de 200 artigos publicados
A cidade de Bozano, no Rio Grande do Sul, tem 2,2 mil habitantes e uma contribuição com a história do Distrito Federal. Foi lá que nasceu a primeira mulher a ocupar a vice-reitoria da maior universidade da capital federal. Conhecida pela postura rígida e exigente dentro da Universidade de Brasília (UnB), basta conversar alguns minutos com Sônia Nair Báo para perceber o temperamento doce, a disposição para dialogar e enaltecer o trabalho daqueles com quem convive. Ao quebrar uma tradição de 50 anos com homens à frente do segundo maior cargo da instituição, as armas da gestora estão na valorização de todo o corpo docente, dos servidores e dos alunos. Com um currículo invejável, Sônia Báo, 52 anos, tem experiência suficiente para entender os principais problemas. Nos 25 anos dentro da UnB, ela galgou todos os cargos. Começou como professora visitante do Instituto de Ciências Biológicas (IB), em 1987 e foi professora assistente, adjunta e titular. Ocupou a direção do IB, onde permaneceu entre 2006 e 2012, exercendo um trabalho de vanguarda. Hoje, chega à vice-reitoria com a sensação de reconhecimento. “É o resultado da minha trajetória, do trabalho realizado”, disse. Com projetos audaciosos para a instituição onde desenvolveu projetos e se destacou pela proeficiência e pelo número de trabalhos publicados — são quase 200 em toda a carreira— a gestora tem grandes planos. “Gostaria de ver a UnB entre as grandes instituições Brasil. Acho que a gente merece estar entre as cinco primeiras do país”, reconhece. Uma das primeiras ações para atingir a excelência desejada é dialogar e ainda dar tempo para os professores trabalharem as aulas e pesquisarem. “Desburocratizar é algo relativamente simples e que muda muita coisa. Sofri muito com processos que tinham que passar pelas mãos de várias pessoas antes de serem aprovados. Isso vai mudar”, analisou a vice-reitora. Organizada, ela já tem estratégias de atuação. Sônia será a responsável por estabelecer convênios e parcerias para concretizar e ampliar os projetos científicos e tecnológicos da instituição no Brasil e no exterior. Trajetória Todo o trabalho terá o diálogo, a simplicidade e a observação como pilares. Características que aprendeu quando ainda estava no ensino fundamental, na cidade de Bozano (RS). Tudo isso aliado à experiência adquirida desde o primeiro semestre de faculdade, quando começou a fazer o curso de licenciatura em biologia na Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí), aos 17 anos. “Trabalhei desde o primeiro semestre. Morava com a minha avó, pois meus pais continuavam no interior. Trabalhava de dia e estudava à noite. Quando me formei, continuei a atuar nos três turnos. Foi nessa época que decidi fazer mestrado”, contou. Antes de concluir o mestrado, inscreveu-se no concurso da UnB e foi aprovada. Desde o primeiro dia, viu que o trabalho e o esforço seriam a maior demonstração de que poderia crescer dentro daquele ambiente livre, com uma série de doutores, nos quais se espelhou. Manteve a qualificação como meta e, em 1992, concluiu o doutorado em ciências biológicas (biofísica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Fez formação complementar em outros estabelecimentos, como a Universitá di Siena, na Itália, sempre seguindo a paixão pela biologia. Na carreira, ela recebeu o prêmio FADPF de Pesquisadora do Distrito Federal 2010 e o Prêmio ADUnB/Fausto Alvim de Excelência Acadêmica em 1999. Ao lado do reitor, Ivan Carmargo, eleito em setembro pela comunidade acadêmica, ela cumprirá a vontade de um grupo de professores que se reuniu com um único motivo: mudar. “Havia uma insatisfação, nos reunimos e a comunidade nos apoiou”, resume Sônia. Cinco perguntas para... Sônia Nair Báo, vice-reitora da Universidade de Brasília O fato de ser a primeira vice-reitora da UnB aumenta a responsabilidade? Aumenta e muito. Estamos em um momento em que nós temos uma presidente mulher, uma diretora da Petrobras e tantas outras em cargos importantes. Como decidiu ingressar na carreira de professora? Ser professora foi uma consequência de toda a minha trajetória de formação. A curiosidade me levou ao encantamento pela docência, mas ter tido bons professores também foi essencial. Tive professores que não usavam livros para falar de zoologia. Para dar aula usavam insetos, anfíbios, mostravam passarinhos, baratas, o que passasse pela frente. Acho que se fosse feito isso nas escolas teríamos mais cientistas. A senhora é uma das pesquisadoras da Unb que mais publica. Isso vai mudar com o cargo? Tenho uma filha que está no ensino médio. Vou manter a rotina de sair de casa, deixá-la na escola e vir para a UnB. Hoje (ontem) mesmo, às 7h15 estava no laboratório. Também não saio para almoçar e com uma rotina bem estruturada vou conseguir conciliar as duas coisas. Tenho um grupo de pesquisa muito bom e isso ajudará na continuidade do trabalho. Qual trabalho pretende fazer a fim de levar a UnB para as primeiras colocações nos rankings de qualidade? Vamos acabar com a dificuldade da burocracia. Ela faz, muitas vezes, com que a dedicação do professor não seja para a pesquisa, mas sim para preencher papéis. O docente gasta muito tempo para encaminhar compras, mapear processos e outras coisas que não deveriam ser atribuição dele. O professor deve ter tempo para pensar, produzir, pesquisar, estar em sala de aula. Esse é o primeiro passo para a melhoria da qualidade da UnB. Quais são as atividades que vai exercer? A questão da desburocratização será trabalhada por todos. Como vice-reitora, vou ainda olhar com muito carinho para as áreas afins da UnB: a pesquisa, a boa formação — envolvendo tanto o ensino de graduação como o de pós-graduação — e a inserção da UnB na sociedade por meio de atividades de extensão. Atuarei na parte administrativa, já que alguns conselhos são de responsabilidade da vice-reitoria.
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