Fora do jogo

Novo edital do Ciência Sem Fronteiras não prevê participação de alunos de humanas e de alguns cursos de saúde

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postado em 27/11/2012 17:30 / atualizado em 27/11/2012 18:06

A exclusão de cursos elegíveis a bolsas pelo programa Ciência Sem Fronteiras (CSF), do governo federal, pegou de surpresa muitos alunos que estavam se preparando para o programa de intercâmbio universitário. Eles descobriram que não poderiam mais se candidatar às bolsas oferecidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Ao todo, 20 áreas previstas no edital anterior foram eliminadas do programa para as bolsas do 2º semestre de 2013. A maioria delas da área de humanas, como cinema, artes plásticas, publicidade e jornalismo, além de cursos na área de saúde, como enfermagem e fisioterapia. As inscrições para quem quer tentar uma bolsa de estudos no exterior começam hoje e podem ser realizadas no site do programa.

De acordo com o CNPq, o programa tem como foco principal atingir cursos do setor tecnológico e industrial, considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico do país. Mesmo assim, mais de mil estudantes de humanas já foram beneficiados pelo CSF em uma categoria excluída do novo edital chamada Indústria Criativa. Até 2015, o projeto prevê a utilização de até 101 mil bolsas de intercâmbio a alunos de graduação e pós-graduação.

Mariana de Carvalho Cascelli, estudante de publicidade da Universidade de Brasília (UnB), se sentiu prejudicada com a adaptação. Ela se preparou para pleitear por uma bolsa com cursos e atividades extracurriculares, mas o pior, segundo ela, não foi o dinheiro já gasto, e sim a frustração de um sonho. “Ir estudar fora do Brasil, conhecer novas culturas, aprender outra língua. Isto seria acompanhado de um grande crescimento profissional e pessoal”, diz.

Estudante do curso de cinema e novas tecnologias do Instituto de Educação Superior de Brasília, Isabella Nascimento sonhava em poder fazer cursos de animação em alguma universidade do Reino Unido ou do Canadá, já que, segundo ela, essa é uma área deficiente no Brasil. Como precisava do diploma de proficiência em inglês, a universitária pagou cursinho, estabeleceu contratos, e agendou a prova em Goiânia para poder entregar todos os documentos em tempo hábil. Depois de tanta correria, veio a frustração. “Gastei mais de R$2 mil reais. A oportunidade para mim era fundamental para garantir uma boa formação”, ela lamenta. Agora a aluna busca uma bolsa que seja oferecida embaixadas de países de língua inglesa.

A Procuradoria da República do Distrito Federal confirmou o recebimento de uma representação judicial referente ao tema. Segundo o órgão, o processo foi protocolado na sexta-feira (23/11), três dias depois da publicação do edital . Os fatos serão averiguados pelo Ministério Público Federal do Distrito Federal.

Para o presidente do CNPq Glaucius Oliva, a medida busca estimular a formação e a capacitação de profissionais de maior demanda no mercado de trabalho no país. “Temos o desafio de industrializar um país, e precisamos de mão de obra qualificada para áreas que são prioridade nesse processo. O país passa por diferentes fases de necessidades e prioridades, esta é uma nova fase: a de se formar engenheiros e pessoas na área de tecnologia e indústria”, pondera. Segundo Oliva, a alteração no edital não prejudica os alunos dos cursos não constados em edital.

A assessoria da Capes esclareceu que a mudança na nova lista é motivada pela dificuldade das instituições em definirem os cursos que abrangem a categoria de Indústria Criativa. Segundo o órgão, o processo de homologação da candidatura do estudante precisa passar por várias etapas até ser aceita, incluindo o momento em que instituições parceiras da Capes no exterior tentam alocar o aluno nas universidades estrangeiras. O problema dos editais passados foi identificado e debatido pelos comitês que formam o CSF, e para evitar novos impasses, a decisão foi definir uma lista de cursos específicos elegíveis segundo a prioridade do país.

Paulo Ricardo Rocha é aluno de comunicação social da UnB, curso não incluso nas listas do CSF. Ele também passa pelo impasse de ter se preparado para o programa e ter as expectativas frustradas. “Meu questionamento é: será que apenas o pessoal da área técnica tem algo a contribuir para o Brasil? Vou continuar tentando a inscrição, pois é bom, inclusive, para eu poder fazer uma reclamação formal. Quero que o edital mude.”

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