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Polícia prende quatro por fraude em vestibulares de medicina no DF

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postado em 13/12/2012 09:55 / atualizado em 14/12/2012 10:37

Grasielle Castro /Correio Braziliense

Polícia Federal/Montes Claros (MG)/Divulgação
No DF, a Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central (Faciplac) foi vítima da tentativa de fraude em três certames. Na capital federal, foram expedidos cinco mandados de prisão - quatro já foram cumpridos. A ação integra a Operação Calouro da Polícia Federal, deflagrada nesta quarta-feira (12/12) para desarticular quadrilhas especializadas em fraudar vestibulares de medicina em todo o país. Até o fim da noite de ontem, 49 foram presos e, na manhã desta quinta-feira (13), outros dois foram detidos. No total, devem ser cumpridos 70 mandados de prisão e 73 de busca, expedidos pela Justiça de Vitória (ES). Os criminosos chegavam a cobrar R$ 80 mil por gabarito. Dos cinco investigados no DF, quatro eram aliciadores, estudantes de medicina ou de cursinhos, e o outro, corretor - a pessoa que auxilia na elaboração do gabarito. O delegado-chefe do núcleo de inteligência da PF no Espírito Santo, Leonardo Damasceno, explica que os membros das quadrilhas exerciam diversas profissões, muitos ligados à área da saúde, incluindo médicos. Durante a tarde de ontem, a reportagem tentou contato com a Faciplac, mas não obteve resposta. Segundo Damasceno, com o andamento das investigações, a maioria das tentativas foram frustradas. Entretanto, o órgão tem uma lista preliminar dos estudantes que tiveram êxito. "No momento oportuno, com a decisão judicial de compartilhamentos, vamos fazer a comunicação para as instituições adotarem providências que julgarem competentes". A principal estratégia da PF foi dar prejuízo às quadrilhas, pois o dinheiro só era recebido após o aluno passar no vestibular. No período, mais de 60 pessoas foram presas, a maioria por falsidade ideológica, ao tentarem fazer o vestibular no lugar do candidato. Grande parte dos envolvidos na fraude já haviam sido presos por esquemas corruptos em vestibulares ou concursos. "Alguns atuavam há décadas e já ganharam muito dinheiro com isso. Inclusive, um já tinha sido preso este ano. Eles eram flagrados em casos isolados, mas com a operação mostramos um caso contínuo grave, de saúde pública. E voltarão a atuar, porque a lucratividade é muito grande". A estimativa de ganho por vestibular era de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões. Os envolvidos responderão por fraude em processo seletivo, formação de quadrilha, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro. Os alunos também serão indiciados. O delegado ressalta a necessidade de punição. "Foi uma operação longa, mas muito importante. Não é admissível que, em um país onde tem tanto problema de saúde, o nascedouro de um médico tenha problemas de ética, de comportamento. É algo sério para as instituições que tem seu nome prejudicado, para o meio médico, que acaba tendo de conviver com esse tipo de profissional e, principalmente, para a sociedade, que põe a vida na mão dessas pessoas", critica Damasceno. O presidente do Sindicato dos Professores em Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (Sinproep-DF), Rodrigo de Paula, lamenta o fato. "Esses cursos têm poucas vagas e uma forte demanda. No meu entendimento, deveriam ter uma oferta maior. Sem isso, acaba ocorrendo fraude. Espero que tenha punição exemplar". Em nota, o Ministério da Educação informou que "já solicitou, via ofício, a íntegra dos autos do inquérito policial para as devidas ações de supervisão em todas as instituições apontadas, em cumprimento à legislação educacional e à indução de melhorias dos padrões de qualidade da educação superior". O Conselho Federal de Medicina não se manifestou em relação a operação.
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