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Universitários não conseguem se inscrever no Ciências sem Fronteiras

Erro técnico impede o cadastro de estudantes de design e sistemas da informação em todo o país

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postado em 04/01/2013 18:28 / atualizado em 04/01/2013 20:50

Um problema técnico está impedindo os estudantes de design e de sistemas de informação, matriculados em instituições de todo o país, de se inscreverem no programa Ciências sem Fronteiras (CsF). O prazo para a apresentação da candidatura para intercâmbio em pelo menos quinze países termina em dez dias. Mesmo incluídos no edital que autoriza a participação dos estudantes dessas áreas de conhecimento no processo do governo federal, a incompatibilidade entre o nome dos cursos e o registro no edital vem bloquando o acesso dos alunos ao programa.

O erro acontece porque, nos editais, alguns cursos previstos possuem nomes diferentes no registro do Ministério da Educação (MEC). Os da área de design, por exemplo, têm nomenclaturas específicas no documento: desenho industrial, comunicação visual, design digital, design do produto etc. Isso significa que os graduandos de cursos registrados apenas como design, ou seja, sem especificação, não conseguem participar da seleção.

Ana Paula de Souza/ Reprodução Internet


O mesmo acontece com o curso de sistema de informação, que está no edital com outros nomes. Quando o estudante tenta se cadastrar, o sistema acusa que a instituição de ensino onde está matriculado não oferece o curso indicado.

Procurado pela reportagem, o Mec apenas informou que “a Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior] trabalha no ajuste sistemático da nomenclatura dos cursos no sistema, a fim de viabilizar a inscrição de todos os interessados até o final do período válido”, não estabelecendo prazos nem esclarecendo como o estudante deve proceder.

Em Brasília, a instituição que participa do programa com o maior número de alunos da cidade, a Universidade de Brasília (UnB),  segue as mesmas nomenclaturas dos cursos descritas no edital do CsF. Por isso, não há registros no DF de estudantes que não tenham conseguido se inscrever para o intercâmbio por causa do mesmo problema.

De mãos atadas

 “Já perdi as contas dos e-mails que mandei para o Mec pedindo para o problema ser corrigido”, declara o estudante gaúcho André Juliano, estudante do 5º semestre de design da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) em Porto Alegre. Ele revela que, nas correspondências que envia à área de atendimento do ministério, André precisa explicar detalhadamente o mesmo problema inúmeras vezes, anexar links do próprio site do órgão e provar ítem por item todas as argumentações para mostrar que o sistema não está funcionando. “Depois de muito tempo depois, obtive apenas uma resposta, evasiva e incompleta”, diz.

O e-mail que o estudante recebeu diz apenas que ele deve tentar fazer a inscrição usando diferentes navegadores. “É claro que eu já tentei isso, antes da sugestão técnica deles. Mesmo assim, não adiantou. O problema é mais simples do que isso, mas depende deles, e não de nós, estudantes, de resolver.”

A expectativa de André é a mesma de cerca de 500 universitários da área de design que, frustrados, se organizaram nas redes sociais para discutir o problema. “Nos juntamos para ter ideias de forma coletiva, e não fazermos nada sozinho”, explica a estudante Ana Paula de Souza, da Universidade Federal de Pelotas, em São Paulo.

Ana Paula de Souza/ Arquivo pessoal


Sonhando em viajar para o Reino Unido, Ana Paula procura uma solução para a dificuldade há quase dois meses, mas sem sucesso. “O Mec diz que vai resolver. Prometem, mas até hoje nada mudou”, revolta-se. Para ela, o ministério não está tratando  do assunto com a devida importância. “Estou me sentindo uma boba”, ela completa.

Inscrições terminam dia 14
Segundo os editais publicados no site do CsF, os estudantes brasileiros podem se inscrever para intercâmbio estudantil em universidades estrangeiras de 15 países até 14 de janeiro. A previsão para o início das atividades nas universidades estrangeiras é o mês de julho deste ano, e as inscrições devem ser enviadas CNPq.

As instituições internacionais cujos editais estão disponíveis são localizadas na Alemanha, Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Hungria, Itália, Japão, Noruega, Portugal, Reino Unido e Suécia.

Os valores das bolsas concedidas pelo CNPq variam de acordo com a moeda de cada país para onde o estudante vai viajar. O repasse dos de benefícios incluem despesas com instalação, deslocamento e material didático, além do seguro saúde e taxa de matrícula.

Para se candidatar à bolsa, o estudante precisa estar matriculado em algum dos cursos de graduação listados nos editais, ter frequentado no mínimo 20% e no máximo 90% do currículo definido para seu curso no momento do início previsto da viagem de estudos, boas notas e apresentar teste de proficiência no idioma do país escolhido.

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