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Bienal da UNE reunirá estudantes brasileiros em homenagem a Luiz Gonzaga

Evento em Pernambuco conta mostras, shows e exposição de trabalhos universitários. Três projetos selecionados são do DF

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postado em 11/01/2013 19:55 / atualizado em 14/01/2013 12:14

Monique Renne/CB/D.A Press
Movimentar a cultura e promover o intercâmbio entre os estudantes brasileiros que estão pensando e produzindo arte no Brasil. Ao mesmo tempo, discutir o espaço da educação no país e abrir as portas das universidades aos olhares de quem ainda não conseguiu alcançar o ensino superior. Tudo isso ganha vida no centro histórico de Recife e em Olinda, em Pernambuco, entre 22 e 26 de janeiro durante a 8ª Bienal da União Nacional dos Estudantes (UNE).

O evento pretende reunir cerca de 10 mil alunos de instituições de ensino superior e médio brasileiras. Do DF, mais de 80 estudantes da Universidade de Brasília estão se preparando para viajar. Entre eles, três foram selecionados para expor trabalhos artísticos durante a bienal junto às quase 100 obras que comporão uma mostra de música, artes plásticas, cênicas e audiovisual.

Os que ainda quiserem participar do evento têm até domingo para se cadastrar no site da UNE e pagar a taxa de inscrição no valor de R$50. Depois disso, as inscrições serão feitas apenas no local do evento no dia da abertura.

Nordeste homenageado
O encontro escolheu o cantor e compositor Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, como um arauto para a celebração da cultura nordestina, que permeia as atividades durante os dias do evento. Além de palestras, debates e shows de bandas universitárias, o evento traz nomes como o de Elba Ramalho e os artistas plásticos Derlon Almeida e J. Borges. A ideia é promover o debate sobre a educação no país e as influências da cultura nordestina na formação da juventude brasileira.

Alex Canuto, de 27 anos, estudante de letras da Universidade de Brasília (UnB), está feliz por poder expor o cordel que fez ao lado de famosos e iniciantes que, como ele, se inspiram na arte nordestina. No trabalho selecionado pela bienal, o estudante reviu o mito de Lampião no cordel Das travessias de como Lampião, o Virgulino, se converteu a santo menino.

Na história rimada, Virgulino é julgado no céu e condenado a voltar a terra como pedra, árvore e pomba de asa-branca antes de ter os pecados perdoados. Para o estudante, a trajetória espiritual do personagem é símbolo da história do brasileiro.

Filho de mãe piauiense e pai maranhense, Alex comemora a lembrança de homenagear Luiz Gonzaga e a cultura nordestina num evento ligado à educação. “A universidade brasileira vive um momento em que o acesso é mais abrangente. Pessoas de outras classes sociais alcançam o ensino superior, e trazem para a academia narrativas que, antes, eram ignoradas pelo conhecimento formal”, explica. Para Alex, a cultura popular da região nordestina faz parte da formação dele. “A ideia é manter essa cultura viva”, ele afirma.

Nesse ano, a bienal marca os 14 anos de existência se consolidando como um dos maiores encontros estudantis do Brasil. A ideia é integrar, trocar ideias e influencias de jovens de diferentes origens, além de mapear a produção artística e científica existente dentro das escolas e universidades brasileiras. Em cada edição, o evento promove debates sobre a valorização da cultura nacional, estimulando o interesse dos jovens em temas como o samba, a integração latino-americana e, neste ano, o Nordeste, no tema “A volta da Asa Branca”.

Jovens interligados
“Estamos celebrando a cultura popular. Escolher Pernambuco, a terra do Rei do Baião, como sede para esse evento é algo quase óbvio. Mas não podia ser diferente”, afirma Rafael Buda, coordenador geral da bienal. Segundo ele, a proposta é atrair cada vez mais o interesse da juventude para temas relevantes na agenda nacional, e desenvolver nos estudantes um pensamento crítico e interligado sobre os diferentes pólos de produção no país.

“Queremos mobilizar os circuitos da produção universitária, seja na música, nas artes, na literatura ou mesmo na reflexão científica, para que uns vejam os trabalhos dos outros, se conheçam, discutam, e saiam daqui transformados”, explica o coordenador. Para Rafael, a bienal serve como uma vitrine para o pensamento da juventude brasileira.

O trabalho do brasiliense Augusto Botelho, estudante de artes visuais da UnB, também estará exposto durante a bienal. Ele preparou duas peças em xilogravura inspiradas nas pessoas que dependem do Rio São Francisco, inspiração que buscou durante uma viagem que fez ao Nordeste em 2010. “A ideia não é só divulgar o meu trabalho, mas conhecer pessoas, estabelecer contatos entre estudantes que também estão criando algo interessante no Brasil”, ele revela.
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