sÍRIA

Atentados matam 82 em universidade

Explosões em Aleppo, capital financeira, acontecem no primeiro dia de provas da instituição, inaugurada em outubro. Refugiados e alunos estão entre as vítimas

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postado em 16/01/2013 12:02 / atualizado em 16/01/2013 12:04

Um duplo atentato cuja autoria foi rejeitada tanto por rebeldes quanto pelas forças do governo matou 82 pessoas e deixou 162 feridos em uma universidade sediada em Aleppo, na Síria, segundo o governo local. “Era o primeiro dia das provas trimestrais e estudantes e refugiados fazem parte das vítimas”, indicou a agência de notícias oficial Sana. Um vídeo postado na internet por estudantes mostra alunos chorando em desespero depois do ataque. “Houve confusão na rua por causa do trânsito. Eu vi fumaça saindo dos dormitórios” disse Tony, um ativista contra o governo que se identificou apenas pelo primeiro nome ao New York Times. As bombas atingiram as faculdades de arquitetura e belas artes. Apesar dos combates, a Universidade de Aleppo abriu as portas em meados de outubro.

Militantes da oposição afirmaram que as explosões decorreram de um bombardeio aéreo realizado pelas tropas do regime. Mas uma fonte militar assegurou que dois mísseis terra-ar foram disparados pelos rebeldes, que erraram o alvo e acabaram atingindo os prédios da universidade.

Vários atentados acontecerem na Síria desde que insurgentes lutam para derrubar o ditador Bashar Al-Assad. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 60 mil pessoas, entre rebeldes, militares e civis, já morreram no conflito. Na segunda-feira, um grupo de mais de 50 países pediu ao Conselho de Segurança da ONU que acione o Tribunal Penal Internacional para julgar os crimes de guerra na Síria.

Lealdade militar

Mesmo em meio à violência e à pressão internacional, Al-Assad não dá sinais de recuo. Um dos membros de seu governo, o vice-ministro de Relações Exteriores, Moqdad Jihad, disse à BBC que o presidente poderia se candidatar legitimamente ao cargo nas eleições de 2014. Segundo a emissora, ele citou a lealdade do Exército sírio como um sustentáculo das pretensões políticas de Al-Assad. “Por que excluí-lo? As urnas vão decidir o futuro da Síria”, declarou Moqdad.

Desde que o Partido Baath chegou ao poder, há meio século, um único candidato se apresenta às eleições sírias em todas as ocasiões. Hafez Assad governou o país de 1971 até morrer, em 2000, quando seu filho Bashar ocupou o lugar dele na política. Os mandatos são de sete anos e, segundo a Constituição aprovada em fevereiro de 2012, o atual chefe de Estado tem o direito de se candidatar duas vezes a partir de 2014. Eleito em todas as oportunidades, Assad poderia, assim, ficar no cargo até 2028, totalizando 28 anos de poder.

Em dezembro, o governo rejeitou uma proposta de solução do conflito apresentada pelo enviado da ONU, Lakhdar Brahimi. A comunidade internacional pretendia que fosse instaurado um governo de transição avalizado pelas principais potências do mundo. A oposição disse na ocasião que apoiaria a iniciativa sob a condição que Al-Assad não integrasse o gabinete. A Rússia, principal aliada do regime, indicou no domingo que a saída do presidente não integra os acordos internacionais e considerou ser “impossível sua aplicação”. Ela também considerou nesta terça como “contraprodutiva” a iniciativa de 57 países de acionar o Tribunal Penal Internacional para investigar os crimes cometidos na Síria.
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