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Correio Braziliense

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UnB do Gama terá catracas

O câmpus da Universidade de Brasília na cidade passará a controlar o acesso de alunos, professores e funcionários. Em Ceilândia, a diretoria ainda discutirá medida com a comunidade. Unidades da Asa Norte e de Planaltina continuam com a entrada liberada

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postado em 15/02/2013 13:35

Thaís Paranhos , Isabela de Oliveira /


As catracas em fase de teste no Gama: de acordo com os gestores da universidade, o objetivo é aumentar a segurança no câmpus (Bruno Peres/CB/D.A Press) 
As catracas em fase de teste no Gama: de acordo com os gestores da universidade, o objetivo é aumentar a segurança no câmpus

A administração do câmpus da Universidade de Brasília (UnB) no Gama começou a testar um sistema de catracas para o acesso de estudantes, professores e servidores aos prédios da instituição. Adotada em nome da segurança, a medida gera polêmica entre a comunidade acadêmica e reflete sobre a situação das outras unidades da instituição. Assim como no Gama, o projeto do câmpus de Ceilândia prevê a colocação dos equipamentos, mas a necessidade ainda vai ser discutida entre os frequentadores. No Darcy Ribeiro, na Asa Norte, as catracas não estão em discussão, pelo menos por enquanto. A entrada em Planaltina também é liberada.

No Gama, o sistema será implantado no fim do próximo semestre, quando os testes estiverem finalizados. Cerca de 1,7 mil pessoas deverão apresentar uma carteirinha para entrar. “A comunidade pode ficar tranquila. Alunos, servidores e professores terão acesso irrestrito aos prédios a qualquer horário, ninguém vai ser barrado. Usamos uma tecnologia de radiofrequência que permite o acesso rápido, por isso também não haverá problema se a pessoa esquecer o cartão em casa, é só se apresentar aos vigilantes”, garantiu o diretor do câmpus UnB Gama, Alessandro Borges de Sousa Oliveira.

Ele garante que as catracas servirão para proteger a comunidade, e não para impedir o acesso da sociedade ao câmpus. “Já abordamos homens que não trabalham ou estudam aqui olhando os alunos. Coincidentemente, duas semanas após pedir que uma pessoa saísse do câmpus porque observava um laboratório, sofremos uma tentativa de furto no local”, contou Alessandro. Segundo ele, a implantação do sistema será precedida por um treinamento de combate a incêndio oferecido pelo Corpo de Bombeiros.

Mesmo em fase de teste, o sistema provoca polêmica. Para o estudante do 6º semestre do curso de engenharia de energia João Ferreira Barreto, 20 anos, morador da Asa Sul, as catracas podem afastar a sociedade da instituição de ensino superior. “A gente vai se tornar um estranho para a universidade, sem contar que a velocidade para entrar e sair não será mais a mesma. Imagina se um dia alguém chegar atrasado para uma prova e esquecer a carteirinha. Vai ser uma burocracia”, opinou.

Para uma colega de João, a estudante do 5º ano de engenharia de energia Larissa Guimarães de Oliveira Ramos, 19 anos, moradora de Taguatinga, a implantação das catracas não é a melhor saída. “Existem outras formas de proteger o câmpus. O lado externo é muito mais inseguro do que aqui dentro”, opinou. O professor de engenharia de software Fernando William Cruz, 46 anos, morador de Águas Claras, também se posicionou contra a medida. “Defendo a concepção de uma universidade aberta. Há outros jeitos de defender o espaço público.”

Aluno passa a carteirinha: 1,7 mil pessoas serão cadastradas (Bruno Peres/CB/D.A Press) 
Aluno passa a carteirinha: 1,7 mil pessoas serão cadastradas

Repercussão
A diretora do câmpus UnB Ceilândia, Diana Lúcia Moura Pinho, explicou que a implantação das catracas será discutida com a comunidade acadêmica e deliberada no conselho da faculdade. “Os equipamentos devem ser instalados em locais específicos. Por exemplo, nos laboratórios em que há a necessidade de uma circulação mais restrita. Nesses lugares, há equipamentos sensíveis e amostras coletadas fruto de estudos”, explicou. Ao contrário das outras unidades, em Ceilândia há cerca nos prédios.

No Darcy Ribeiro, na Asa Norte, a discussão sobre a implantação de catracas também teve repercussão. Com uma área aproximada de 4 km² no câmpus central, para muitos os equipamentos seriam ineficientes. Para o estudante de relações internacionais Pedro Augusto Franco, 19 anos, a restrição do acesso prejudicará a participação da comunidade nos eventos acadêmicos. “Reconheço que há muita insegurança no câmpus, mas acredito que aumentar o policiamento seja uma solução mais viável.”

Na avaliação da secretária Genesi Michelis, 47, mãe do estudante de odontologia Matheus Michelis, 19, a medida traria segurança aos frequentadores da UnB. “Nos ambientes profissionais, as pessoas precisam se identificar para ter acesso aos prédios, então por que aqui também não pode ser assim?”, questionou. “A UnB é muito grande, o que torna difícil a identificação do autor de um crime que possa vir a ocorrer aqui. Com o RG, por exemplo, a identificação seria possível”, defendeu.

O prefeito dos câmpus central, Marco Aurélio Gonçalves de Oliveira, adiantou que não há previsão de instalar catracas da unidade da Asa Norte. “Em Ceilândia e no Gama, a estrutura dos prédios permite um controle maior na entrada, mas no Darcy Ribeiro as características são outras”, disse. Ele reafirmou que a segurança é uma prioridade da nova gestão. “Estamos fechando acordos com a segurança pública do DF, instalamos 30 câmeras de qualidade superior e fazemos o controle de acesso, como no ICC, onde os portões são fechados depois das 22h30.”

Memória

Polêmica no câmpus central

Há dois anos, o Centro de Manutenção de Equipamentos Científicos (CME) da UnB iniciou o processo de contratação de duas empresas para prestar consultoria em segurança. O controle do acesso da comunidade acadêmica por meio de catracas e cancelas e a presença de policiais militares no Câmpus Darcy Ribeiro estavam na pauta de discussão. Ao término do trabalho, seria elaborado um termo de referência para indicar as necessidades da instituição e, posteriormente, um plano de segurança.

A iniciativa gerou polêmica e dividiu estudantes, professores e servidores da universidade entre aqueles que defendem uma universidade aberta para a comunidade e os que priorizam a segurança. À época, 30 câmeras ajudavam na vigilância dos prédios do câmpus. De acordo com o mapa da segurança elaborado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), no qual os estudantes relatam situações de violência, foram registrados em dezembro um furto de bicicleta, dois de mochila, dois de steps e um no interior de um veículo, além de um assalto.

Povo fala

Você é a favor de catracas nos câmpus?

Luiz Oliveira, 25 anos, estudante do 9º semestre de engenharia eletrônica do câmpus UnB Gama, morador de Ceilândia
“Depende do prédio. Os que têm laboratório, com objetos de valor, podem ter, mas nos que têm somente salas de aula, com grande circulação de pessoas, ter ou não faz pouca diferença. Aqui no câmpus, qualquer um pode entrar, basta se identificar. A segurança pode ser resolvida de outra forma, como com uma cerca ou com mais vigilantes.”


Rudmar Rodrigues,21 anos, estudante do 6ºsemestre de engenharia de software do câmpus UnB Gama,morador de Taguatinga
‘Era a favor porque poderia haver um controle maior sobre os alunos, mas a chamada na sala de aula já faz isso. Sou contra porque as catracas vão causar tumulto na entrada e na saída dos estudantes. Os ônibus têm horário para sair e isso pode atrapalhar. Também não acredito que as catracas podem aumentar a segurança.”


Maria Luiza Souza Rodrigues, 48 anos, assistente de administração no câmpus UnB Gama, moradora de Santa Maria
“Sou a favor pela localização do câmpus. Vai trazer mais tranquilidade para nós. Temos pouca segurança, principalmente do lado de fora da universidade. Tem que haver um controle de quem entra e sai daqui.”


Euler de Vilhena Garcia, 35 anos, coordenador do curso de engenharia eletrônica no câmpus UnB Gama, morador da Asa Norte
“Só porque é público todo mundo tem acesso? Ninguém entra no Palácio do Planalto na hora que quiser. A catraca não é chamada nem tem sistema de ponto. Não é para restringir, é simplesmente para identificar. Sou a favor, estamos num câmpus à beira e uma via, sem construções do lado. Não é igual ao da Asa Norte, que está no meio da cidade.”
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