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Documentário de aluna do Serviço Social é premiado

Trabalho de Jackeline Soares Lima sobre mulheres vítimas de violência foi escolhido entre os melhores em concurso da Câmara dos Deputados com enfoque na Lei Maria da Penha

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postado em 07/03/2013 17:51 / atualizado em 07/03/2013 17:54

Agência UnB

 

A estudante de Serviço Social da Universidade de Brasília Jackeline Soares Lima foi premiada no 1º Concurso Curta Documentários sobre a Lei Maria da Penha da Câmara dos Deputados, organizado pela Procuradoria Especial da Mulher e Secretaria de Comunicação da instituição e pelo Banco Mundial. O documentário “Trajetórias marcadas pela violência” é resultado do trabalho de conclusão de curso da aluna, apresentado no final de 2012. Nele, mulheres relatam histórias de sofrimento e tentativas de superação.

A premiação ocorreu nesta segunda-feira, 5 de março, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Além desta, outras quatro produções vencedoras receberão R$ 10 mil e serão exibidas pela TV Câmara. A cerimônia contou com a presença de autoridades como o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, instituição apoiadora do prêmio, e a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci.

Jackeline quis trabalhar com o tema por causa das matérias de gênero que cursou na UnB e porque lida com processos judiciais de violência doméstica em seu estágio no Ministério Público. Sua orientadora foi a professora Debora Diniz, antropóloga e militante de direitos humanos. Autora de inúmeras pesquisas de impacto e repercussão nacional, Débora Diniz coordenou amplo estudo sobre os manicômios judiciários do país. Leia mais aqui.

O curta tem duas versões, segundo a aluna. A primeira, com 30 minutos, traz o relato de três entrevistadas. “Acabei conseguindo reunir mulheres de três diferentes classes sociais. É interessante também porque duas delas passaram por violência antes da Lei e outra depois. Isso revela alguns contrastes”, conta a estudante.

O vídeo teve que ser reduzido para se adaptar ao edital do concurso. Jackeline deixou 10 minutos de duas entrevistas. Uma delas, de uma mulher chamada Veronica, é a que mais impressionou a estudante pela impunidade do agressor. Os fatos aconteceram antes que a Lei Maria da Penha fosse sancionada. “Ela sofreu todo tipo de violência: moral, física e sexual. Quando ela já não se relacionava mais com ele, estava de resguardo do filho de outro homem, ele a procurou e começou a ofendê-la. Como ela estava psicologicamente abalada, foi com faca para cima dele. O vizinho viu e chamou a polícia. Ela foi presa e ele não. Durante três anos ela cumpriu pena com trabalho voluntário”.

Arquivo pessoal
 

LEI MARIA DA PENHA - A legislação de proteção à mulher entrou em vigor há seis anos e homenageia a biofarmacêutica cearense Maria da Penha Fernandes, que ficou paraplégica após sofrer duas tentativas de assassinato por parte do ex-marido. A lei alterou o Código Penal, triplicando a pena para crimes de violência doméstica contra as mulheres, além de permitir a prisão em flagrante dos agressores.

A Procuradora Especial da Mulher na Câmara dos Deputados, deputada Elcione Barbalho, do PMDB do Pará, acredita que ainda há muita dificuldade para colocar a lei em prática. "O que acontece: nunca há recursos para implantar as delegacias especiais. Então, falta muita coisa em termos de aperfeiçoamento. Tem que ter condições de dar apoio para essa mulher, até no sentido de ter um apoio interdisciplinar, seja uma psicóloga, porque eu sempre digo que a pior agressão é aquela que não deixa marca, que é a psicológica. E uma outra preocupação é cuidar também do agressor, porque senão ele vai reproduzir mais adiante com outra mulher", afirma a deputada.

Por outro lado, destaca a deputada, a repercussão midiática da Lei Maria da Penha encoraja as mulheres a denunciarem os seus agressores. "Hoje nós temos muito mais acesso à imprensa. Eu não sei se antes era assim, pois nós não tinhamos essa facilidade, não tinhamos acesso à internet, não tinhamos como denunciar, os movimentos ainda estavam enfraquecidos. Hoje nós estamos muito mais fortalecidos. Hoje a mulher vai para cima, denuncia, toma a iniciativa, tem o apoio dos movimentos sociais, realmente tem quem o ajude"

De acordo com levantamento da Secretaria de Políticas para as Mulheres, a Central de Atendimento à Mulher - mais conhecida como Ligue 180 - recebeu mais de 2 milhões de denúncias até o ano passado, das quais quase 330 mil foram enquadradas na Lei Maria da Penha.

 

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