SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Medicina

Validar diploma ficará mais fácil

O governo estuda mudanças no processo de reconhecimento dos títulos emitidos por universidades estrangeiras. Estudantes brasileiros podem ter que fazer a prova de avaliação

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 14/03/2013 17:40 / atualizado em 14/03/2013 17:46

Grasielle Castro /Correio Braziliense , Julia Chaib

Antonio Cunha
O governo estuda incluir estudantes brasileiros no sistema de validação de diplomas de medicina expedidos no exterior, o Revalida. A proposta tem o objetivo de verificar se o grau de exigência do exame de validação está muito elevado, já que o índice de aprovação tem ficado em torno de apenas 10%. Além de calibrar o teste, a inclusão dos estudantes formados no Brasil também é vista como um instrumento eficiente para fornecer um raio-X do desempenho dos alunos e das instituições brasileiras. Para isso, também está sendo discutida a possibilidade de aplicar o teste para estudantes do 2º e do 4º anos de medicina. A proposta foi apresentada em reunião dos ministérios da Educação e da Saúde com reitores de algumas universidades, há duas semanas. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), dos 782 candidatos que fizeram o exame em 2012, 77 (9,8%) foram aprovados. No ano anterior, dos 536 candidatos, apenas 65 (12,1%) passaram. Em 2010, a situação foi ainda pior: de 507 inscritos, só dois conseguiram validar o diploma emitido no exterior. Quem já passou pela peregrinação para reconhecer no Brasil o título obtido em faculdade estrangeira de medicina concorda com a proposta. Formada pela Universidad Maimónides, da Argentina, a médica Tâmara Pereira de Araújo Góes, 34 anos, levou seis anos para ter seu diploma revalidado. “Acho ótimo, para ver se a prova é justa ou não. Tenho certeza de que 90% dos brasileiros não vão passar, a menos que seja reduzido o nível de dificuldade da prova”, argumenta. Na opinião do reitor da Universidade de Alfenas e presidente da Comissão de Recursos Humanos da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Paulo Márcio de Faria e Silva, a proposta é inovadora. Ele acredita que a medida pode ajudar a melhorar a calibragem e a mostrar se o nível das provas é compatível com o que os formandos brasileiros aprendem. “Até para sabermos se o que está sendo exigido é muito ou pouco”. Para o presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), Renato Azevedo, se as mudanças servirem para facilitar o exame, elas serão negativas. “O Revalida é bom como está, atualmente. Tem um nível de exigência alto, mas não absurdo. Quem não passa no teste não está preparado para exercer a medicina”, sentenciou. Na opinião do presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto d’Ávila, “não há necessidade de usar estudantes brasileiros para calibrar o teste. A preocupação tem de ser com a responsabilidade perante a sociedade e os futuros pacientes, e não a de facilitar a entrada de médicos para suprir, na visão do governo, uma carência de profissionais”. Diretor da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Antônio Carlos Lopes acha que colocar os estudantes brasileiros para fazer o Revalida pode revelar a realidade das instituições nacionais. “Esperamos que os nossos alunos tenham nível de aprovação maior no exame, mas imagina se eles se saem piores. Isso pode se refletir no nível da universidade brasileira.” Edital deve dispensar a burocracia Além de arquitetar o aprimoramento do Revalida, o governo também estuda trabalhar com outra frente para facilitar o ingresso de médicos no país. Por meio de um chamamento internacional, estrangeiros viriam ao país para atuar em locais (e por períodos de tempo) determinados pelo governo. Se, ao fim do período preestabelecido — provavelmente dois anos —, o médico estrangeiro quiser ficar no país, deverá fazer o Revalida para ter o diploma reconhecido. A proposta também incluiria o vínculo desses profissionais com universidades brasileiras. Ainda indefinido, o edital pode ser direcionado a todas as nacionalidades ou somente a médicos de Portugal e da Espanha. De acordo com o reitor da Universidade de Alfenas, Paulo Márcio de Faria e Silva, esses profissionais viriam atender a demanda imediata por médicos em locais carentes, por isso, é necessário contratar médicos já formados. Os conselhos regionais de Medicina são contrários à proposta. “Em primeiro lugar, não precisamos de mais médicos no país, precisamos reordená-los. Em segundo lugar, esses médicos viriam sem a devida revalidação do diploma, o que não nos garante profissionais bem preparados”, avalia o presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto d’Ávila. O vice-presidente do conselho, Carlos Vital, acrescenta que, caso revalidem o diploma, nada garante que os médicos estrangeiros permanecerão nas áreas onde há carência desses profissionais. (JC e GC)

publicidade

publicidade