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Educação

108 razões para comemorar

Alunos do Centro de Ensino Médio Setor Oeste dão exemplo de dedicação e garantem vagas na Universidade de Brasília

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postado em 05/04/2013 10:00 / atualizado em 05/04/2013 15:38

Gustavo Aguiar

Iano Andrade
A primeira visão que se tem ao entrar no Centro de Ensino Médio Setor Oeste (Cemso), na Asa Sul, é a lista dos ex-alunos aprovados para o 1º semestre de 2013 da Universidade de Brasília (UnB). O colégio garantiu a aprovação de108 estudantes na instituição federal, entre o Programa de Avaliação Seriada (PAS), triênio de 2010/2012, e o último vestibular. Boa parte deles concorreu pelo sistema universal porque não cumpria todos os critérios exigidos para disputar pelo regime de cotas reservadas aos alunos de escolas públicas.

O alto índice de aprovação do Cemso reforça a fama da instituição de ser uma das melhores do DF, e a põe em pé de igualdade com os índices de alguns colégios particulares da cidade. Neste ano, a taxa geral de aprovação na UnB foi de 35%, num universo de cerca de 300 alunos do 3º ano do ensino médio. “Quando uma escola pública consegue um resultado assim, é motivo de comemoração”, conta, satisfeito, o diretor, Augusto Neto, professor da unidade desde 1998. Apesar de ser uma das escolas mais disputadas pelos alunos que ingressam no sistema de ensino público de Brasília, o Cemso passou por muitas dificuldades. Em 2011, o número de calouros na UnB não passou de 50.

Novo projeto
Para Augusto, o mérito conquistado em 2013 provém de um projeto que tenta aproximar o aluno da rotina de provas da universidade. “Passamos a investir em simulados e em provas interdisciplinares. Uma das maiores dificuldades dos nossos alunos era o preenchimento da folha de respostas, por causa da falta de prática. Por isso, decidimos adotar o sistema semelhante ao usado pelo Cespe, que é corrigido eletronicamente”, explica o diretor.

Além disso, diversas atividades extracurriculares e interdisciplinares ajudam a integrar a comunidade escolar. No projeto Teclarte, por exemplo, os estudantes desenvolvem vídeos sobre assuntos apresentados nas aulas de artes, literatura, filosofia e sociologia. Há ainda um sarau poético, uma feira de artes e ciências e os intervalos culturais, que ajudam a revelar talentos entre os jovens. Nos fins de semana, os professores são voluntários em aulas de revisão para motivar ainda mais os alunos.

Para a professora Ana Maria Gusmão, o número de aprovados poderia ser ainda maior. Ana Maria diz que o potencial de muitos é desperdiçado pela falta de investimentos nas escolas públicas do DF. “Não temos muito apoio de ninguém, e o trabalho que fazemos aqui é na garra”, revela. “A Secretaria de Educação não valoriza as experiências positivas nas escolas. Não recebemos sequer um parabéns”, critica Augusto. Apesar de uma recente e pequena reforma, que deu nova pintura às salas de aula, a escola ainda enfrenta dificuldades, como a falta de um ginásio de esportes coberto, carteiras e quadros sucateados, além de goteiras no teto. O laboratório de informática, completamente equipado desde 2007, nunca funcionou porque não há professor.
 
Calouros
Apesar da dedicação aos estudos e das boas notas nas provas da escola, Carla Larissa Cunha, 18 anos, nem imaginava que poderia ser aprovada na UnB. “Fiz o PAS para biotecnologia, mas achei que não seria a minha vez. Então, prestei também o vestibular, mas também sem muita confiança”, conta. A jovem, que sempre estudou em colégio público, garantiu a vaga nos dois exames. “A felicidade foi enorme”, lembra. Nos planos da garota, estão concorrer a uma bolsa de intercâmbio, estagiar e aproveitar ao máximo a experiência acadêmica.

Outro estudante que demorou a acreditar na própria aprovação foi Lucas da Costa, 17 anos, que conquistou uma vaga em direito na 4ª chamada do PAS. “Tinha perdido todas as esperanças, e já estava matriculado em um cursinho”, conta. Os momentos que passou no Cemso, onde cursou o ensino médio, agora são uma boa lembrança. “Vou sentir saudade, mas agora é tudo novidade. As aulas começaram esta semana, e eu estou completamente focado lá.” Ele não vê diferença em relação aos colegas de escolas particulares que também cursam direito. “Lá dentro, somos todos iguais.”
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