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Estudantes denunciam professores ausentes

Alunos da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília criam formulário para anotar o não comparecimento dos docentes. Há caso de até 80% de faltas em um semestre

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postado em 03/05/2013 18:00 / atualizado em 03/05/2013 11:30

Ariadne Sakkis

Breno Fortes
As normas acadêmicas da Universidade de Brasília (UnB) mandam o aluno frequentar ao menos 75% das aulas nas disciplinas em que estiver matriculado. Caso contrário, reprova automaticamente. Nenhuma regra, no entanto, estabelece frequência mínima ou punição aos professores faltosos. Mas alunos da Faculdade de Direito criaram um formulário para registrar as ausências dos docentes. A proposta ganhou a admiração de universitários de outros cursos e até de outras unidades da Federação. A direção da faculdade vai analisar a possibilidade de institucionalizar a iniciativa.

A inconstância de alguns professores não é novidade na vida acadêmica. Mas a ausência de quase 80% do semestre de um professor revoltou os matriculados na disciplina, geralmente oferecida no 5º semestre. Das conversas nos corredores e no Centro Acadêmico de Direito (Cadir), surgiu a ideia de uma espécie de folha de ponto às avessas. “Criamos essa ficha porque, sempre que levávamos as reclamações à coordenação, diziam que sem um documento para provar a falta, nada poderia ser feito”, conta Marcos Vinícius Queiroz, coordenador-geral do Cadir.

Com a aprovação da Coordenação de Graduação do Curso, no fim do ano passado, os estudantes começaram a registrar cada encontro desrespeitado pelo docente. Na primeira semana de aula de 2013, a faculdade recebeu três formulários. Inicialmente, o procedimento adotado pela coordenação era de telefonar para o professor, informá-lo do registro e pedir explicações. Um professor, no entanto, perdeu as estribeiras ao saber da notificação. “Chamou o coordenador de incompetente e os alunos, de burros”, diz Lucas Carneiro, 20 anos, aluno do 4º semestre e também coordenador do Cadir. Agora, os formulários são encaminhados por e-mail.

Qualidade

Os alunos que aderiram à medida explicam que a intenção não é constranger ninguém, mas encontrar uma maneira de melhorar a qualidade do ensino. “Não estamos pedindo nada absurdo, mas o básico. Queremos o compromisso dos professores com a excelência acadêmica, com a pesquisa, com o ensino”, afirma Maria Cristine Lindoso, aluna do 1º semestre. Por enquanto, só é fichado o professor faltoso. “Há também a questão do atraso, mas para isso existe tanto a tolerância com o aluno quanto com o professor”, observa a caloura Heloísa Adegas,19 anos.

Os estudantes espalharam cartazes e faixas pelo prédio da Faculdade de Direito avisando que, mesmo sob a resistência de muitos professores, vão insistir na causa até conseguirem que o controle de faltas se torne um mecanismo oficial. Por isso, fundaram o movimento E não vamos parar. A ideia já recebeu elogios de outros centros acadêmicos, inclusive de universidades de outros estados. “O pessoal de ciências da computação quer implementar o formulário lá. É um problema que existe na faculdade toda”, conta Rodolfo Veloso, 21 anos, matriculado no 4ª semestre.

O Diretório Centra dos Estudantes Honestino Guimarães (DCE) manifestou o endosso à postura em nota pública. O diretor da Faculdade de Direito, o professor George Galindo, classifica a medida como salutar e pode até se tornar um procedimento normatizado. “Vemos como uma iniciativa legítima. Acredito que devemos melhorar o mecanismo de aferição de faltas. E muitos professores veem isso com simpatia. Vamos conversar com os estudantes e discutir a proposta com os órgãos internos da faculdade”, disse.

Obrigações
O Artigo número 9 do regimento interno da Faculdade de Direito da UnB estabelece, entre outras obrigações burocráticas, o dever do professor de avisar, com antecedência falta, atrasos e substituições.
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