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Brasileiros optam por cursar o ensino superior na Rússia

Baixo custo de vida, ensino de qualidade e incentivo a estrangeiros atraem os estudantes

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postado em 03/05/2013 19:40 / atualizado em 08/05/2013 15:58

Wallace Martins/Esp. CB/D.A Press
A brasiliense Suellen Oliveira, 23 anos, começou na manhã desta quinta-feira (2/5) as 36 horas de peregrinação rumo à Kursk, no oeste da Rússia. Suellen viaja com outros 13 brasileiros para a cidade russa onde, durante três meses, farão curso básico de russo e terão aulas de ciências biológicas em inglês. Depois desse preparatório, os estudantes prestam um teste para demonstrar que estão aptos a ingressar na Universidade Médica Estatal de Kursk, uma das 10 melhores do país. A boa qualidade do ensino, herança do período socialista, e os programas de incentivo a estrangeiros atraem estudantes do mundo inteiro, principalmente chineses e indianos.

No Brasil, a seleção dos estrangeiros fica por conta da Aliança Russa, representante oficial das principais universidades russas desde 2005. Além de selecionar os candidatos, a organização também tira dúvidas sobre o processo de ingressos nas faculdades, na obtenção da documentação necessária para permanência legal no país, inscrição na universidade e assessoria durante a viagem até a chegada do estudante ao destino.

Suellen sempre quis estudar fora e foi em busca de realizar essa vontade que conheceu a Aliança Russa em 2007. Na época, tentou fazer intercâmbio, mas não deu certo. De lá pra cá, Suellen frequentou curso de medicina em uma particular de Paracatu – até ter uma resposta negativa do Fundo de Financiamento Estudantil – e até ingressou nos cursos de enfermagem na Universidade Federal de Pelotas e na Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde(FEPECS) de Brasília. Mas seu sonho sempre foi fazer medicina: "Acho que eu tenho o dom e me vejo realizada no futuro como médica, ajudando quem precisa", conta a jovem. Atraída pelo custo de vida e pela qualidade do curso de medicina na Rússia, resolveu tentar o intercâmbio novamente e foi aprovada no processo seletivo, que incluiu avaliação de currículo e histórico escolar, entrevistas com os pais, análise do perfil individual, exames laboratoriais e consultas médicas.

O curso de medicina em Kursk tem seis anos de duração, as turmas são reduzidas e os professores aplicam provas em todos os dias de aula. O conteúdo será passado não pelo idioma local, mas pelo inglês. Para sorte de   Suellen, que vai chegar ao país sabendo apenas dizer priviet, isto é, olá. A mãe de Suellen, Keulla Rodrigues aprova o sistema adotado em Kursk. "O método é muito bom porque faz com que os alunos estudem e não deixem acumular os estudos. Acho que o curso vai dar suporte para passar na prova de validação do diploma aqui no Brasil", afirma Keulla, que é professora de história no Centro de Ensino Fundamental 13 de Ceilândia.

O estudo de medicina na Rússia é renomado internacionalmente e o diploma vale em países da Ásia e da Europa. O governo brasileiro, no entanto, exige que médicos graduados no exterior façam o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições Estrangeiras (Revalida) – prova objetiva, discursiva e prática – para que possam atuar em solo brasileiro. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), mais de 90% dos candidatos que prestaram o Revalida em 2012 foram reprovados. A estatística negativa, entretanto, não se refere aos estudantes que ganharam bolsa da Aliança Russa, a primeira turma só vai se formar no ano que vem.

"Se não validar ela inverte: passa 3 meses aqui e 9 meses fora", brinca a mãe de Suellen. Para a estudante, muita coisa deve mudar até 2019, mas acredita que no contexto atual não vale a pena voltar. "Tem muitos outros países onde posso trabalhar, locais que, aliás, sempre tive vontade de conhecer", conclui.

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