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Primeira aluna indígena do curso de nutrição da UnB recebe diploma

Leonarda Ferreira da Costa, da etnia pataxó, pretende empregar seu conhecimento em aldeias indígenas

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postado em 09/05/2013 18:57 / atualizado em 10/05/2013 14:38

Agência UnB

A última turma de formandos em nutrição da Universidade de Brasília tinha, entre os alunos, uma jovem de estatura baixa e sorriso radiante. Leonarda Ferreira da Costa, da etnia pataxó, era a primeira indígena a se formar no curso pela instituição.
Quando saiu da cidade de Cumuruxatiba, no sul da Bahia, com 19 anos, Leonarda não tinha certeza do que a aguardava em Brasília. Mas sabia que a decisão mudaria os rumos da família. “Ninguém tinha feito faculdade na minha família, eu fui a primeira”, conta a jovem nutricionista. A iniciativa de Leonarda também chamou atenção na cidade, povoada por ribeirinhos e indígenas. Até então, apenas duas pessoas haviam saído para cursar faculdade. "Foi um estímulo para os outros", diz.
Antes de ser aprovada em uma das melhores universidades do país, Leonarda prestou vestibular em outras instituições. "Eu sempre pensei em continuar estudando, aí tentei Letras". Foi então que ouviu falar sobre o sistema de cotas para indígenas da UnB. Resolveu fazer as provas e passou no vestibular para o curso de Nutrição.
Os anos cursando a graduação longe de casa não foram fáceis. "Eu não achei que ia ser tão difícil, mas a distância complicou tudo. Só ia para casa duas vezes ao ano”, conta. A relação com os demais alunos foi outro obstáculo. “Existe uma retração por parte dos estudantes, por desconhecer o viver, a educação, o meio onde [os alunos indígenas] vivem”, explica a professora Regina Alves, do curso de Nutrição. Mas a professora garante que eles são os alunos mais interessados. “A gente [professor] estuda bastante, pesquisa e ninguém pergunta nada pra gente. Já eles [os alunos indígenas] não, ficam escutando com toda a atenção, estão interessados em aprender e isso é o que mais me motiva”, diz.
Sobre Leonarda, a professora ressalta: "Foi uma aluna muito interessada e responsável", lembra a docente. Agora, a mais nova nutricionista da UnB pretende se especializar. "É bom estudar mais para poder melhorar. Vou tentar o mestrado", conta. Outro desejo da profissional é ingressar no mercado de trabalho, na área de políticas públicas para a população indígena. "O mercado voltado a eles é muito bom, porque carece de pessoas”, conclui a professora.
Atualmente, a Universidade de Brasília possui 55 alunos indígenas em cursos como Agronomia, Enfermagem e Obstetrícia, Engenharia Florestal, Medicina e Nutrição. O primeiro vestibular específico para indígenas aconteceu em 2005, após parceria firmada com a Fundação Nacional do Índio (Funai).
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