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Comportamento

O curioso modo de falar na UnB

Nos corredores da UnB, onde circulam mais de 39 mil pessoas diariamente, o vocabulário da rotina acadêmica é reinventado ao longo das décadas. Disciplinas, prédios e até mesmo comida servem de inspiração para as gírias

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postado em 13/05/2013 10:15 / atualizado em 13/05/2013 10:17

Carlos Vieira
Os batateiros, antigos plantadores de alface, não são obrigados a passar pelo boteco durante a graduação  a matéria é optativa, mas, ainda assim, disputada. Ao contrário dos habitantes do Monte Olimpo, eles se vestem de maneira casual, alguns a caráter, com bota e chapéu. Nos fins de semana, frequentam as badaladas festas no sutiã de Madonna; e, mesmo em dias de aula, promovem churrascos no curral. Sempre que podem, passam horas conversando despretensiosamente no Udefinho. Se precisarem ir da Ala Sul para a Ala Norte, sonham com o lendário Transminhocão.

Se você tem alguma ideia do que essas frases significam, é porque faz parte de um seleto e diversificado grupo, dos estudantes da Universidade de Brasília (UnB). Com um linguajar próprio, eles inventam e reinventam a maneira de falar da rotina universitária. Disciplinas, cursos e espaços ganham abreviações e apelidos curiosos. Os batateiros são os alunos de agronomia; o boteco, a sigla da matéria botânica econômica; o Monte Olimpo, o prédio da Faculdade de Direito; o sutiã de Madonna, o Centro Comunitário; e o Udefinho, o corredor entre as alas Sul e Central.

Glossário: os novos jargões

RU: Restaurante Universitário

Udefinho: corredor entre as alas Sul e Central do ICC, local ideal para ficar à toa

Iesbinho: novo Módulo de Apoio e Serviços Comunitários (MASC) Honestino Guimarães, em frente ao Minhocão

Tetas de Madonna / tetas de vaca / circo: apelido do Centro Comunitário, devido à cobertura em lona branca e formato pontudo

Elefantinho: banca no Ceubinho onde ficam os escaninhos com os textos dos professores

Corredor da morte: corredor no subsolo do Minhocão nde ficavam os centros acadêmicos invadidos, como de antropologia

Estuprinho / Sequestrinho: estacionamento ao lado a Faculdade de Direito. Em alguns aplicativos letrônicos de localização é possível vizualizar o nome

Arena Santander: quadras ao lado do banco Santander

Beco diagonal: Anfiteatro 14, onde alunos escreveram, a parede, palavras referentes ao personagem da literatura e do cinema Harry Potter

Frango à granada: prato servido no RU

Suco de vermelho ou de amarelo: maneira como os alunos identificam a bebida servida no Restaurante Universitário, já que ela não tem sabor

C.U: disciplina comunicação e universidade, a Faculdade de Comunicação

T.P.M: disciplina teoria política moderna

Demo de Rel: disciplina democracia do curso de relações internacionais

Anal POL: disciplina de análise política

Batateiro: estudante de agronomia

Açougueiros: alunos da Faculdade de Saúde que e vestem de branco

Transminhocão: ônibus fictício que passa no subsolo do ICC transporta os alunos de uma ala para a outra

Centro de Orientação (C.O): local fictício para tirar dúvidas. Os veteranos diziam que a unidade fica no Centro Olímpico ou no Anfiteatro 1 (que também não existe)

Expressões sobreviventes

Monte Olimpo: Faculdade de Direito, onde os
alunos se acham deuses

Ceubinho: corredor entre as alas Norte e Central, “onde todo mundo passa”. Referência à instituição e ensino superior particular

Pica-pau: como os alunos da engenharia florestal são chamados

Frango atropelado: frango mal cortado servido com legumes

Disciplina optatória: o nome é resultado da mistura entre optativa e obrigatória. De uma lista de matérias opcionais, o aluno é obrigado a escolher algumas.

Gírias extintas

Muro das lamentações: mural do departamento de matemática, onde são fixadas as menções de cálculo

Caixotinho: ônibus circular interno, em formato de caixote

Cinderela: último ônibus da noite que vai para a rodoviária

Palácio da Fome: prédio do RU, suntuoso, com comida ruim

Maria vai com as outras: arroz muito cozido e pastoso

Unidos venceremos: arroz em blocos

Meteoritos: almôndegas duras

Morte lenta: a comida do RU

Denorex: suco servido no RU que “parece remédio, tem cheiro de remédio, tem gosto de remédio, mas não é remédio” — slogan de um comercial da época

Sopa Lavoisier: servida com os restos do almoço, afinal “na natureza nada se perde, tudo se transforma”

Suco de SNI: bebida de sabor não identificável, servida no RU

Corcundas: estudantes que jogam truco na parte superior da UnB

Almofadinhas e bico fino: alunos da Faculdade de Direito, que primam pelo guarda-roupa impecável

Bombeiro: estudante de engenharia mecânica

Ceubetes: alunas frequentadoras do Ceubinho

Margaridas: estudantes do curso de engenharia florestal

Plantador de alface: estudante de agronomia

Pirorocó da Revolução: esquerdistas festeiros

Eletropau: disciplina de eletricidade e magnetismo

Fábrica: prédio da Faculdade de Medicina

Digestivo: cigarro de maconha fumado após o almoço
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