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EMPREENDEDORISMO

Estudar garante negócio

Longevidade das pequenas empresas está relacionada ao aumento do nível de escolaridade dos seus proprietários, conclui pesquisa do Sebrae

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postado em 27/05/2013 11:21 / atualizado em 27/05/2013 12:00

Pedro Paulo Rezende - Especial para o Correio /

Monique Renne
Nos últimos 10 anos, a taxa de sobrevivência das pequenas e microempresas saltou de 50% para 73%. O segredo, segundo pesquisa inédita do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), está na melhoria do nível educacional dos que abrem seus próprios negócios. Nesse período, o índice de micro e pequenos empresários com ensino médio incompleto ou mais cresceu de 38% para 53%.

Segundo o presidente do Sebrae, Luiz Barretto, a educação está intimamente ligada à qualidade do empreendedorismo em todos os países. “A boa notícia é que o aumento da escolaridade no Brasil também traz reflexos positivos para os pequenos negócios. Ao desenvolver competências empreendedoras, as pessoas ampliam sua visão, planejam melhor e ampliam as chances de sobrevivência e crescimento do campo dos negócios”, analisa

O Brasil conta hoje com cerca de 7 milhões de micro e pequenas empresas, atrás apenas dos Estados Unidos, da China e da Nigéria. Hoje, o percentual de firmas criadas a partir do senso de oportunidade mercadológica aumentou de 42% para 70%. Assim, a abertura de um negócio motivada pelo desemprego ou necessidade financeira já não prevalece no empreendedorismo nacional.

Diploma

O levantamento feito pelo Sebrae mostra que quanto mais anos de estudo, maior a proporção daqueles que iniciam negócio por oportunidade. Entre os empresários com pós-graduação completa, a proporção chega a 87%, sendo também essa a realidade para 83,2% daqueles que têm o diploma de graduação.

Em termos de formação escolar, os jovens (até 34 anos) apresentam maior grau de escolaridade, se comparados aos não jovens (acima de 34). Entre o primeiro grupo, 11% têm ensino superior completo ou mais, 4%, superior incompleto, 41%, ensino médio (completo ou incompleto), 13%, ensino fundamental completo e 31% possuem no máximo o fundamental incompleto. No segundo segmento, 10% cursaram ensino superior completo ou mais, 2%, superior incompleto, 23%, ensino médio (completo ou incompleto), 11%, ensino fundamental e 53% o fundamental incompleto.

“A sociedade contemporânea exige pessoas empreendedoras, autônomas, com competências múltiplas, que saibam trabalhar em equipe e aprender nas situações novas e complexas, que enfrentem desafios e promovam transformações”, afirma o presidente do Sebrae. “Por isso é importante discutir a educação empreendedora, pois assim, desde cedo, essa capacidade é desenvolvida e lapidada nesses profissionais do futuro”, arremata.

O professor do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília (UnB) Leonardo Arêas acredita que capacitação é fundamental para quem deseja abrir uma empresa. “Muitos profissionais enfrentam problemas na execução dos negócios por falta de capacitação. Empreendedorismo não é loucura”, acentua. “É preciso planejar muito. E, para isso, o conhecimento é fundamental. Quando a qualificação é maior, o acesso à informação também é maior, o que facilita a identificação das variáveis.”

Visionário

Para ele, um bom empreendedor deve ser visionário e desenvolver seu processo criativo. Também precisa estudar, ter comprometimento com o projeto defendido e fazer um planejamento minucioso. Um exemplo de sucesso em Brasília, segundo o professor, é a companhia de comédia Os melhores do mundo. Além de escreverem, produzirem e dirigirem os próprios espetáculos, os artistas, que fizeram mais de 3 mil apresentações nos últimos 10 anos, também confeccionam os cenários e figurinos, além de administrarem a bilheteria. “A companhia abriu precedentes para uma série de novos grupos na cidade. É um caso de empreendedorismo que deu certo”, ressalta.

O docente avalia que o novo perfil do micro e pequeno empresário exercerá uma demanda por mais cursos voltados ao empreendedorismo no ensino médio e superior. “Hoje, o número de profissionais que optam por ser empresários é cada vez maior. Antes, a decisão era baseada na necessidade”, afirma. Ele lembra que inúmeras disciplinas com o tema já são ministradas na UnB. Três colégios em Brasília também inseriram a matéria no currículo escolar.


Novo perfil


A maior parte dos micro e pequenos empresários concluiu o ensino médio. Com a melhoria dos indicadores educacionais, cresceu o número de negócios abertos a partir de uma ideia e diminuiu os gerados por dificuldade de inserção no mercado de trabalho

Escolaridade                          Total de empreendedores       Negócios abertos por oportunidade     Empreendimentos iniciados por necessidade 

Nenhuma educação formal       1,8%       0,6%       2,0%
Primeiro grau incompleto        23,7%     14,4%     29,0%
Primeiro grau completo           11,7%       9,4%     10,2%
Segundo grau incompleto         6,3%       7,3%       7,9%
Segundo grau completo          35,2%     40,0%     36,7%
Curso superior incompleto        7,7%    1 1,0%       5,9%
Curso superior completo         10,7%     14,1%       8,1%
Pós-graduação incompleta        1,2%       1,5%       0,0%
Pós-graduação completa           1,7%       1,8%       0,4%

Fonte: Sebrae/GEM (2012)

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