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Correio Braziliense

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História cantada de pai para filho

Faroeste caboclo, que chega hoje aos cinemas da cidade, está viva na memória de brasilienses após 34 anos. Na tela, versão conserva trechos do enredo composto por Renato Russo, em 1979

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postado em 29/05/2013 11:37 / atualizado em 29/05/2013 16:05

Renato Alves


Alunos da Universidade de Brasília foram convidados pelo Correio a interpretarem trechos da música e se empolgaram (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Alunos da Universidade de Brasília foram convidados pelo Correio a interpretarem trechos da música e se empolgaram

Trinta e quatro anos depois de composta, a letra com nove minutos de duração da música Faroeste caboclo demonstra atualidade invejá-vel e é cantada por jovens que nem mesmo eram nascidos em 1979, quando ela foi criada. De geração para geração, as estrofes estão na ponta da língua de alunos da Universidade de Brasília (UnB). João Paulo Barbosa, de 27 anos, é um deles e não esconde o gosto pelo rock da cidade. O estudante era criança quando a Legião Urbana estava no auge, mas não esquece o primeiro CD comprado ainda adolescente. “Era o Acústico MTV. Escutei muito Legião e escuto até hoje”, afirma.

Alguns jovens provam que não é preciso ser brasiliense para gostar da banda. Gustavo Barbosa, de 19 anos, nasceu e cresceu em Paracatu (MG) e se diz fã por causa da mãe. Há quatro anos, ele conseguiu decorar as 30 estrofes da letra. O aprendizado veio depois de tanto ouvir a canção.
Como Gustavo, aqueles capazes de relatar a história de João de Santo Cristo garantem que a memorização surge naturalmente, sem esforço. Outra aluna da UnB que herdou, com a família, o gosto pelas músicas do grupo é Andrea Gomes. Adivinha em quem a mãe se inspirou para chamá-la assim? Em Andrea Doria, da Legião, é claro.

Quem for aos cinemas esperando uma acópia fiel da canção vai se decepcionar. Como avisa o diretor René Sampaio, Faroeste caboclo, o filme, não é um videoclipe da música homônima. O longa traz um enredo mais completo do que a história escrita por Renato Russo, em 1979. Os roteiristas criaram até personagens. No entanto, mantiveram cenas e situações pensadas pelo líder da Legião Urbana. Os produtores fizeram questão de recriar os cenários da Brasília dos fins dos anos 1970 e início dos anos 1980. Filmaram a festa Rockonha, por exemplo, no mesmo local onde ela ocorreu, há mais de 30 anos.

O Correio, que conferiu a obra em sessões exibidas na capital há duas semanas, comparou trechos de Faroeste caboclo retratados no filme com os descritos na música. Também anotou as partes cortadas ou modificadas na adaptação da canção para o cinema (veja quadro). “Não queríamos fazer um clipe da música, mas dar mais força para que o filme se sustentasse sozinho”, explicou o diretor.

A produtora Bianca de Felippes acrescentou que muitas cenas da música foram gravadas, mas descartadas no corte final para o longa “não perder” o ritmo. Uma delas diz respeito ao “general de dez estrelas”, que sequer aparece na fita. “As cenas dele, como tantas outras, vão estar em extras do DVD, Blu-ray e em especiais para a tevê”, adiantou ela.
Com 1h45 de duração, a produção tinha estreia em circuito nacional prevista para o dia 30, mas acabou antecipada para hoje devido à grande procura por ingressos, vendidos por meio de um site especializado.

Como na letra, o filme conta a história de João do Santo Cristo, da sua vida miserável no interior da Bahia até a ascensão e morte na capital federal. Aqui, ele se envolve com o tráfico de drogas, se apaixona pela “linda” Maria Lúcia e, em função do comércio ilegal e do amor, ganha como inimigo o traficante playboy Jeremias.

Brasília é uma das protagonistas. A cidade aparece por meio de cenários, costumes e gírias. De forma incomum no cinema nacional, em Faroeste, além de circular pela capital, os personagens se referem frequentemente a blocos, superquadras, passagens subterrâneas, Esplanada e Eixão.


Semelhanças entre canção original e adaptação cinematográfica

O QUE APARECE

“Não tinha medo o tal João de Santo Cristo
Era o que todos diziam quando ele se perdeu
Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda
Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu”
Como na música, o João de Santo Cristo do filme tem uma infância miserável, sem perspectiva, em uma fazenda no sertão baiano.

“Quando criança só pensava em ser bandido
Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu
Era o terror da sertania onde morava
E na escola até o professor com ele aprendeu”
No filme, a infância de Santo Cristo é fundamental para justificar a violência do protagonista. No entanto, não é tão detalhada como na letra.

“E João aceitou sua proposta
E num ônibus entrou no Planalto Central
Ele ficou bestificado com a cidade
Saindo da rodoviária, viu as luzes de Natal…

…Mas ele não queria mais conversa
E decidiu que, como Pablo, ele ia se virar
Elaborou mais uma vez seu plano santo
E sem ser crucificado, a plantação foi começar.”
O roteiro segue quase à risca esse trecho da música. O longa reproduz a chegada de Santo Cristo a Brasília, pela Rodoviária do Plano Piloto (que era interestadual na época), em época de Natal, com as luzes na Esplanada. Ele logo arruma emprego de carpinteiro, mas acaba seduzido pelos benefícios oferecidos pelo parente Pablo, até ter o próprio negócio criminoso.

“Foi quando conheceu uma menina
E de todos os seus pecados ele se arrependeu”
Santo Cristo tem no amor por Maria Lúcia a esperança de uma vida mais tranquila.

“Jeremias, maconheiro sem-vergonha
Organizou a Rockonha e fez todo mundo dançar”
A famosa festa, em 1980, com convites impressos em seda na gráfica do Senado, está no longa. No filme, como na letra, vira cenário da história.

“Chegando em casa então ele chorou
E pro inferno ele foi pela segunda vez
Com Maria Lúcia Jeremias se casou
E um filho nela ele fez”
Maria Lúcia e Jeremias ficam juntos, mas em circunstâncias diferentes da descrita na canção

“Santo Cristo era só ódio por dentro
E então o Jeremias pra um duelo ele chamou”
Há o duelo final, marcado em um lote 14 fictício de uma Ceilândia fictícia, filmada em uma cidade cenográfica, no Jardim ABC.

O QUE NÃO APARECE

“Comia todas as menininhas da cidade
De tanto brincar de médico, aos 12 era professor.
Aos 15, foi mandado pro o reformatório
Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror.”
Quase não se retrata a adolescência de João no filme nem sua passagem por Salvador. Nesse período, o protagonista da película também não se passa pelo galã da música.

“E lá chegando foi tomar um cafezinho
E encontrou um boiadeiro com quem foi falar”
Este trecho tem outra leitura no filme.

“’Não boto bomba em banca de jornal
Nem em colégio de criança isso eu não faço não
E não protejo general de dez estrelas
Que fica atrás da mesa com o cu na mão”
Não há o “general de dez estrelas” no filme. Até criaram o personagem, que não entrou na montagem da obra. O diretor entendeu que não fazia sentido, “estava forçado”.

“Jeremias, eu sou homem, coisa que você não é
E não atiro pelas costas não”
Motivo de críticas em Somos tão jovens (cinebiografia de Renato Russo), por causa do excesso, o roteiro de Faroeste evita colocar as frases de efeito da letra na boca dos personagens.

“E João não conseguiu o que queria
Quando veio pra Brasília, com o diabo ter”
O Santo Cristo do cinema não tem engajamento social nem faz discursos políticos.

De geração a geração, Faroeste Caboclo está na ponta da língua dos joven. Confira o vídeo.
 
 
Kaila Maieri (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Kaila Maieri

Kiko Sena (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Kiko Sena

Ana Piratelli (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Ana Piratelli

Rodrigo Mendes (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Rodrigo Mendes

Maria Madeira (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Maria Madeira

Gustavo Barbosa (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Gustavo Barbosa

Bruno de Alencar (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Bruno de Alencar

Alexandre de Souza, Ismael Felipe e Bernardo Brunale (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Alexandre de Souza, Ismael Felipe e Bernardo Brunale

Kaio Mendes (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Kaio Mendes

Ana Raquel Tamiozzo (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Ana Raquel Tamiozzo

Breno Uriel (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Breno Uriel

Isaac Lima (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Isaac Lima

Bianca Soares do Vale (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Bianca Soares do Vale

 Luana Araújo (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Luana Araújo

Giovanna Borges (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Giovanna Borges

Andrea Gomes (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Andrea Gomes

Cristiano  Moreira e Henrique Almeida (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Cristiano Moreira e Henrique Almeida

Clara Brito (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Clara Brito

Alexandre Kosby e Lucas Gonçalves (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Alexandre Kosby e Lucas Gonçalves

Marlin Leite (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Marlin Leite

Guilherme Victor (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Guilherme Victor

Douglas Menezes (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Douglas Menezes

Marina Olivier (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Marina Olivier

Tatiane Braz (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Tatiane Braz

João Paulo Barbosa (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
João Paulo Barbosa

Matheus Marlon, Luis Carlos Rayol e Rafael Marques (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Matheus Marlon, Luis Carlos Rayol e Rafael Marques

Luís Pedro Lapa (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Luís Pedro Lapa
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