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Artes abandonadas na UnB

Alunos do Instituto sofrem com a falta de instalações adequadas para representar, desenhar, pintar e tocar instrumentos musicais. O improviso existe há pelo menos 20 anos e atrapalha a formação dos estudantes

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postado em 06/06/2013 11:45 / atualizado em 06/06/2013 12:09

Gabriella Furquim

Ed Alves
As mais variadas manifestações artísticas aparecem em cada canto da Universidade de Brasília (UnB). São desenhos, esculturas, azulejos e instalações que compõem o ambiente acadêmico. Ao caminhar pelo câmpus do Plano Piloto, é comum encontrar músicos afinando os instrumentos embaixo de árvores e atores repassando falas e cenas nos gramados. Apesar de lúdicas, as cenas refletem a falta de espaço adequado para os alunos de artes na UnB.

Há 20 anos, o Instituto de Artes (IdA) funciona em prédios originalmente destinados ao almoxarifado da instituição. Revoltados, os estudantes do instituto se organizaram para pedir espaços físicos adequados. “Não há teatro para artes cênicas, não há ateliês para artes plásticas, não há salas com tratamento acústico para música e não há salas para desenho industrial”, reclama a aluna de artes visuais Natália Roncador, 19 anos.

Com 10 cursos oferecidos nos períodos diurno e noturno, o IdA abriga cerca de 1,8 mil universitários em três prédios improvisados. Em um deles, um cartaz chama a atenção com a seguinte mensagem: “O IdA está em todo lugar, mas qual o lugar do IdA?” O único curso que conta com um espaço próprio é o de artes cênicas, mas o prédio sofre com constantes inundações. O problema levou ao fechamento do teatro Helena Barcelos e de uma das salas de exposição. Hoje, o lugar que deveria servir de palco funciona como depósito.

São diversas as dificuldades encontradas por causa da falta de estrutura. “Já tive de ir para o corredor durante uma aula de desenho, porque não havia espaço na sala. Sem falar que faltam cavaletes e até parede para pendurar os trabalhos. No fim do semestre, o chão dos corredores fica coberto de telas secando. E elas molham com a chuva, rasgam, ficam empoeiradas. Isso acaba destruindo parte do que é produzido aqui, antes mesmo que os trabalhos fiquem prontos”, lamenta Natália.

A diretora do IdA, Izabela Brochado, conta que, para driblar as falhas, os espaços dos educadores foram transformados em salas de aula. “Isso atrapalha a relação dos alunos com os professores. Eles não têm contato com o nosso trabalho, muitas vezes, é necessário levá-los para outros lugares”, conta. Além disso, a falta de estrutura afasta a comunidade. “Nós queremos convidar os moradores de Brasília para terem contato com as nossas peças de teatro, as exposições, mas não podemos”, lamenta a diretora.

Ed Alves
   
Ed Alves
   
Ed Alves
Riscos


Os problemas continuam com banheiros quebrados e até salas com escorpiões e ratos. O representante do Centro Acadêmico de Música Danilo Martins, 29 anos, conta que a maior dificuldade enfrentada pelos estudantes do curso é a falta de tratamento acústico das salas. “Para estudar música, é fundamental conseguir escutar o que a gente está tocando. Mas, muitas vezes, é impossível. Você toca ouvindo os outros alunos. Quando é um instrumento grave ou agudo, então, é praticamente impossível”, desabafa.

Sem teatro, os estudantes de artes cênicas também precisam se virar para conseguirem espaços para as apresentações. “E, quando os alunos conseguem, formam-se deixando um buraco na graduação. Sem o teatro, não temos aulas com qualidade de iluminação e de cenário, por exemplo. Como aprender sobre isso sem ter um local para iluminar?”, questiona o universitário Caio Sigmaringa, 18 anos.

Inaugurado em 2002, o teatro Helena Barcelos está interditado desde o segundo semestre de 2011. Não tem previsão de reforma e de reabertura. A falta de climatização, aliada às constantes inundações do espaço, levaram à proliferação de fungos. O local, então considerado um dos mais modernos de Brasília, foi dado como insalubre e transformado em depósito. Falhas na rede elétrica ainda ameaçavam os frequentadores.

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