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Correio Braziliense

71,5% dos cotistas não teriam ingressado na UnB pelo sistema universal

Sistema pioneiro entre as universidades federais ajudou a derrubar mitos sobre ações afirmativas

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postado em 06/06/2013 17:31 / atualizado em 06/06/2013 17:38

Gustavo Aguiar

Dados apresentados nesta quinta-feira (6/6) pelo decano de Ensino de Graduação, Mauro Rabelo, mostram que 71,5% dos alunos cotistas da Universidade de Brasília (UnB) não teriam conseguido ingressar pelo sistema universal na última seleção da instituição. No total, 499 alunos cotistas de escolas públicas e negros entraram na UnB no 1º vestibular de 2013. Desses, apenas 142 teriam sido aprovados nos respectivos cursos mesmo se concorressem com candidatos não cotistas. Os outros 357 teriam sido reprovados (confira o gráfico abaixo). “Esses dados mostram como as cotas são necessárias e como os resultados são efetivos”, afirmou Rabelo.

O levantamento sobre o sistema de cotas, que ainda é preliminar, foi apresentado nesta tarde durante o seminário Dez anos de cotas na UnB: memória e reflexão. O evento reúne professores e estudantes para debater a evolução da política pela universidade, que foi pioneira entre as federais. A professora da Faculdade de Comunicação da UnB Dione Moura, que foi relatora da comissão de implementação do plano de cotas em 2004 lembrou das dificuldades enfrentadas para publicar o primeiro edital. “Foram nove meses de preparação até publicar o edital e foram os nove meses mais difíceis. As pessoas não acreditavam e achavam que estávamos engavetando o documento”, conta.

O processo foi cansativo. A comissão tinha sete integrantes e se reuniu com mais de 100 pessoas até chegar ao resultado. Procuradores, movimentos representativos, políticos e outros especialistas participaram do debate. “Quando o STF (Supremo Tribunal Federal) julgou (as cotas) nem acompanhamos, porque sabíamos que ia vencer. Não foi por nossas falas, mas pelas avaliações que tivemos de especialistas. Eles garantiam que o edital era inquestionável. Nós tínhamos uma convicção e uma certeza de que era uma experiência importante de política publica para todo o Brasil”, afirma a professora.

Dione também listou os 10 mitos sobre as cotas raciais na UnB e que, após os 10 anos de implementação, começaram a ser derrubados (veja a lista abaixo). Entres eles está o de que as cotas e ações afirmativas são importadas dos Estados Unidos e não podem ser usadas no Brasil. “Por que você se incomoda em trazer uma ideia, mas não se importa de trazer um produto?”, questiona. Outro argumento recorrente é o de que a inclusão não deve ser feita para negros, mas, sim, para pobres. “Esse mito não quer assumir que há uma responsabilidade de corrigir um erro histórico ligado aos negros. Admitir erros significa corrigi-los.”

Confira os 10 mitos das cotas raciais
1. Cotas acirram o racismo
2. Negros e índios não teriam bom desempenho
3. Negros e índios iriam abandonar os cursos
4. UnB iria acirrar o conflito entre negros e não negros e gerar barricadas, conflitos permanentes entre os dois grupos dentro da universidade
5. Raça é um conceito que não existe, e a UnB cria esse conceito por interesse demagógicos
6. Cotas e ações afirmativas são importação dos Estados Unidos e não cabem no Brasil.
7. Não existiam professores e lideranças negras para discutir o assunto
8. Universidade não é para todos
9. Raça existe, mas não existe desigualdade no Brasil
10. Inclusão não deve ser feita para negros, mas para pobres

Apresentação do decano de Ensino de Graduação, Mauro Rabelo