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Na UnB, cerveja é disputada disciplina no currículo dos alunos de química

Incluída no currículo pela primeira vez este semestre, matéria que ensina os fundamentos de produção da bebida foi a mais disputada na universidade. Segundo a criadora do curso, objetivo é aproximar os alunos de química das possibilidades do mercado de trabalho

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postado em 10/06/2013 11:39 / atualizado em 10/06/2013 11:41

Gabriella Furquim

Iano Andrade
Um grupo de jovens universitários reunidos em volta de dezenas de garrafas de cerveja. Poderia ser mais um encontro casual de amigos, mas a conversa entre os estudantes denuncia que há algo de diferente. No lugar de comentários sobre os últimos resultados do futebol e a rotina da universidade, os diálogos citam fermentação, beta amilase, enzimas alfa. Em vez de copos, cadernos na mão. A reunião faz parte das atividades da disciplina Fundamentos da Produção da Cerveja, oferecido pelo Instituto de Química da Universidade de Brasília (UnB). Ofertada pela primeira vez, a matéria foi a mais disputada entre os alunos da instituição. Com apenas 26 vagas, a lista de estudantes que tentaram a matrícula, mas ficaram de fora, ultrapassa os 180 nomes.

Engana-se quem acredita que os jovens matriculados na matéria encontraram uma boa maneira de conquistar boas notas sem esforço. Na primeira prova, apenas 70% conseguiram tirar mais do que a média. “Teve só um 10. A grande maioria não foi muito bem”, conta Lourenço Di Gioergio, 23 anos. Formando no curso de Química e apaixonado por cerveja, ele é o monitor da turma e pretende continuar estudando a produção da bebida em um futuro mestrado. Aluno do segundo semestre do curso, Jayne Oliveira, 19, faz parte da turma que se encrencou na primeira prova. “Não vou contar minha nota, mas não foi boa. Caíram muitos assuntos de química que ainda não estudei na faculdade e outros de biologia que nunca tinha visto na vida. Estou aprendendo muito, mais do que em algumas matérias clássicas do curso”, garante a estudante.

Responsável pela criação da disciplina, a professora Grace Ghesti, 29 anos, diz que não esperava atrair tantos interessados com o conteúdo. “Foi um susto. Decidi criar a matéria para compartilhar o meu conhecimento sobre o assunto com os alunos”, conta a professora, que, além de ter trabalhado na Ambev durante anos, foi a Berlim, na Alemanha, estudar engenharia de cervejaria. A principal intenção com a disciplina, de acordo com a professora, era aproximar os alunos de química das possibilidades oferecidas pelo mercado. “Toda a minha formação acadêmica foi dentro da UnB. Fui aluna de graduação, mestrado e doutorado. Sempre senti falta de disciplinas que falassem da vida de um químico fora da sala de aula. Quis mostrar como o profissional atua na aplicação da química em um processo tecnológico normal”, explica.
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