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Alunos da UnB na Alemanha

Sete graduandos de engenharia são escolhidos para representar o Brasil no Maniac Challenge, competição internacional do setor de telecomunicações. O desafio é criar uma opção eficiente e econômica à rede 3G

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postado em 03/07/2013 18:00 / atualizado em 03/07/2013 10:57

Ana Pompeu

Janine Moraes
Pela primeira vez, uma equipe brasileira vai participar do Maniac Challenge, uma competição internacional na área de telecomunicação. O país vai ser representado por sete estudantes de engenharia da Universidade de Brasília (UnB), além do professor coordenador. A Alemanha será o palco do evento, entre 27 de julho a 2 de agosto. Os integrantes da equipe não sabem o que esperar dos outros cinco competidores. Vários rounds entre todos os inscritos vão definir o vencedor. A ideia básica é programar uma rede alternativa à 3G, que seja eficiente e economicamente viável, hoje sobrecarregada. No entanto, a viagem dos pesquisadores ainda não está garantida por falta de verba.

Os jovens se embrenharam em uma temática nova, ainda sem soluções pelas próprias empresas de comunicação, não usual entre estudantes de graduação. “Normalmente, quem participa da competição são doutorandos, ou pós-graduandos”, conta a estudante do terceiro semestre de engenharia elétrica Tais Laurindo, 19 anos. Além dela, outros cinco alunos cursam o mesmo período da faculdade. O sétimo é Raphael Melo, 21 anos, que faz engenharia de redes de comunicação. Quatro estudantes participam do Programa Jovens Talentos para a Ciência; dois são do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) e um aluno é voluntário.

O grupo se formou em abril de 2012. Metade era de calouros. Inicialmente, eles se familiarizaram com o tema. As redes ad hoc
eram o foco. Elas são de comunicação sem fio, que dispensam o intermédio de torres, como funcionam as usadas hoje. Os próprios dispositivos móveis, com a função habilitada, passam a atuar ativamente na transmissão de pacotes de dados, por meio de aplicativos. Com essa atividade, a bateria do celular dura menos tempo. Para compensar, as operadoras ofereceriam um desconto na conta do cliente. Cada vez que um processo não fosse concluído, o cliente estaria sujeito a uma pequena multa.

Desafio

No desafio, a proposta é verificar a viabilidade do uso de redes ad hoc entre dispositivos de comunicação móvel com tecnologia Android (smartphones, tablets etc.) para escoar o tráfego de dados. Cada equipe pensou uma estratégia que consiga ser eficiente do ponto de vista da transmissão de dados e garanta mais lucro. “A competição não cobre todos os aspectos, como segurança e privacidade e eficiência energética. Mas logo o 3G não vai dar conta da demanda. É preciso identificar alternativas viáveis”, se empolga Luiz Felipe Campos, 19. Os estudantes explicaram que é preciso encontrar o equilíbrio entre o caminho mais curto e rentável de dispositivo em dispositivo, até o destino final.

“É um problema atual. Desde 2007, com o lançamento do iPhone, apenas uma empresa americana teve aumento de 2.000% no tráfego”, detalhou o professor orientador Marcelo Carvalho. De acordo com ele, em eventos como a Copa das Confederações, que reúne milhares de pessoas em estádios, é possível perceber a dificuldade de transmissão de dados com a tecnologia atual. Como o problema é novo, não há soluções óbvias, o que seria uma vantagem para a equipe brasiliense. “O pessoal mais novo não tem todos os conhecimentos de redes móveis, mas estão muitos esforçados, correndo atrás das informações. A empolgação é grande, e eles estão superando as dificuldade”, completou Marcelo. Para o professor, as chances são boas na Alemanha, inclusive pelo próprio retorno do comitê organizador, que elogiou o trabalho inscrito. As estratégias foram enviadas em abril, e as respostas, dadas no fim de maio.

Durante o evento, as equipes vão se enfrentar várias vezes no mesmo dia. Entre cada round, é permitido fazer ajustes e mudar configurações. “A estratégia é readaptável. Por isso, é importantíssimo que toda a equipe esteja presente. Cada cabeça pensando vai fazer diferença”, disse João Antônio Rondina, 19 anos. Para bancar estadia e passagens, o grupo precisa de R$ 17 mil. A equipe conseguiu apoio do Decanato de Ensino de Graduação, com R$ 400 por participante. O laboratório Latitude, da instituição, ofereceu duas passagens, e a Faculdade de Tecnologia garantiu a passagem do professor. Para arrecadar o restante, o grupo construiu um site com informações da competição, dos integrantes, opções de doação. Eles planejam custear os gastos, caso não consigam as doações. “É importante participar, mesmo que para representar. É a primeira vez de uma equipe de graduação e que brasileiros são chamados. Se vamos ganhar ou não, a história é outra”, diz Daniel Serra, 19 anos.

Organização

O Mobile Ad Hoc Networking Interoperability and Cooperation (Maniac) Challenge é uma competição internacional na área de comunicações móveis que acontecerá juntamente com a 87ª Reunião da IETF/IRTF (Internet Engineering Task Force), organização que trata das normas e protocolos utilizados pela Internet. O evento tem o patrocínio do Google (que concederá a premiação), além da Internet Society, o IETF/IRTF, a Agência Nacional de Pesquisa da França e o Ministério da Educação e Pesquisa da Alemanha. O evento está sendo organizado pela Freie Universitat Berlin, INRIA (França) e a Hamburg University of Applied Sciences.

Para ajudar

Para mais informações sobre os estudantes e sobre a cometição na Alemanha, acesse o site criado pelos alunos na internet: http://www.donatechallenge.com.br/
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