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PRECARIEDADE

UnB promete entregar moradia estudantil em outubro

Fim das obras da Casa do Estudante foi adiado três vezes. Incerteza de cumprimento da nova data preocupa estudantes

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postado em 08/07/2013 19:40 / atualizado em 09/07/2013 12:21

Camila Brunca / CB
Enquanto a Casa do Estudante Universitário (CEU), da Universidade de Brasília (UnB), não fica pronta, os estudantes que dependem do serviço se arranjam como podem em moradias improvisadas. Com prazo para entrega renovado pela terceira vez, as moradias universitárias deverão ficar prontas só em outubro.

O projeto inicial previa a finalização da reforma em janeiro de 2013, quando a obra completaria um ano, mas com a impossibilidade do término, o prazo precisou ser prorrogado primeiro para abril e ,em seguida, para outubro.

Desde que recebe o auxílio da UnB, Thauany Pires, estudante do 3° semestre de química, já se mudou cinco vezes. Atualmente ela mora na 407 norte e o aluguel é pago com a bolsa de R$ 530, que recebe da Diretoria de Desenvolvimento Social (DDS) da instituição. Mas a jovem passou por maus bocados e chegou até a morar no Centro Acadêmio de Letras (Calet) por um mês, enquanto o repasse não havia sido garantido.

Thauany está descontente com o adiamento da entrega. "Acho isso péssimo, me passam a impressão que eles estão só nos enrolando. A CEU tá em reforma desde que eu entrei na UnB. É só promessa que vai ficar pronta", afirma.

Segundo a estudante, em dezembro de 2012, quando morava em um apartamento bancado pela Fundação Universidade de Brasília (FUB), a DDS solicitou que a estudante comparecesse urgentemente à UnB para assinar um contrato de recebimento da bolsa. Mas em janeiro de 2013 -- dia do vencimento do aluguel de onde morava -- o dinheiro ainda não tinha saido.

Foi então que Thauany foi informada de que o dinheiro sairia apenas em fevereiro. A jovem só não ficou na rua porque foi acolhida pelo Centro Acadêmico de Letras (CALET). O mês em que morou no CA prejudicou muito o rendimento nos estudos: até reprovou em algumas disciplinas.

"Não conseguia ir para as aulas e não podia estudar. Sempre lembrava que não tinha um lugar para voltar. Também não poderia trancar o semestre. Se trancasse perdia as bolsas", conta. Thauany não vê a hora de se mudar para a residência estudantil e ter um lugar fixo para morar.

Atraso na obra

Segundo o diretor do Centro de Planejamento Oscar Niemeyer (Ceplan), da UnB, Alberto Faria, o atraso na reforma ocorreu por diversos fatores. “Além da Universidade ter solicitado determinadas mudanças no projeto durante a obra, a construtora teve problemas com fornecedores e mão de obra, esses fatores causaram certa lentidão ao processo”, explica. Ele ainda informou que a reforma da CEU tem custo superior a R$ 9 milhões.

O projeto prevê adaptação da estrutura para deficientes -- com um quarto em cada prédio para portadores de necessidades especiais --, instalação de dois elevadores, construção de sistema de água e esgoto e troca das portas e janelas. o total, haviam 92 apartamentos com capacidade para 4 estudantes cada, somando 368 vagas. Depois da reforma, o número de alunos atendidos será reduzido para 360.

Sobre acessibilidade na moradia, a decana de assuntos comunitários em exercício Maria Terezinha da Silva esclarece que o programa de moradia da UnB atende a apenas um deficiente. “Estou há 4 anos trabalhando no Decanato e nós só temos um portador de necessidades especiais incluido, com dificuldades de locomoção”, justifica. Ela esclareceu que os dormitórios para deficientes também foram pensados para abrigar um acompanhante.

Moradia estudantil
Os prédios que compõem a residência universitária foram contruídos em 1973, no câmpus Darcy Ribeiro, Asa Norte. A estrutura antiga foi um dos obstáculos para a reforma, e um dos motivos para o atraso, pois muitos reparaos precisaram ser feitos. “Além da reforma propriamente dita, estamos fazendo uma recuperação estrutural, vai ter muita demolição de paredes e algumas recosntruções”, relata a decana de assuntos comunitários.

Ainda em fevereiro de 2011, os 368 residentes da CEU começaram a desocupação do local, que se prolongou até setembro do mesmo ano para alguns resistentes à mudança. Destes, um pequeno grupo está em apartamentos alugados pela Fundação Universidade de Brasilia (FUB), e outros recebem um auxílio mensal de R$ 530 para despesas com moradia.

Maria Terezinha apontou que antes da mudança completa dos estudantes de volta à CEU -- em janeiro de 2014 --, haverá a criação de uma comissão que vai deliberar sobre as regras de convivência no local. O grupo será composto por representantes dos alunos, do Decanato de Assuntos Comunitários (DAC) e da Diretoria de Desenvolvimento Social (DDS), e tem previsão para começar sua atuação em agosto.

Após a conclusão das obras, a Unb tem dois meses para entregar apartamentos, que passarão por uma vistoria técnica pela equipe do Centro de Planejamento Oscar Niemeyer (Ceplan).


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