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Trabalho aponta que juventude é engajada em causas sociais

Tese de doutorado mostra que formas de participação dos jovens contemporâneos não são as mesmas de antigamente

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postado em 25/07/2013 18:26

Agência UnB

As recentes manifestações ocorridas em todo o território nacional colocaram em foco a participação política da sociedade brasileira, em especial, da juventude. Em relação direta com esse tema, a socióloga Patrícia Cabral de Arruda, ex-aluna do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade de Brasília, apresentou, em 2012, tese de doutorado com o título “Ainda somos os mesmos, mas não vivemos como nossos pais: Juventude e participação na Universidade de Brasília”.

Antes mesmo de o povo brasileiro ir às ruas para reivindicar pautas diversas, como ocorreu em maio e junho passados, Patrícia observou, em seu trabalho, pontos que marcariam as manifestações. Entre eles, dois se destacam: a preferência dos jovens por movimentos sem o envolvimento de partidos políticos e a presença das mídias sociais (principalmente do Facebook) como palco para a participação e articulação dos jovens. A autora utiliza o termo participação de forma mais ampla para designar as formas de inserção na sociedade utilizadas pela juventude.

Aliás, uma das motivações para a escolha desse tema é a ideia, presente no senso comum, de que a juventude atual é alienada. Com sua tese, Patrícia percebeu que os jovens participam sim, mas de maneiras diferentes daquelas observadas no passado. Por essa distinção, são muitas vezes incompreendidos e rotulados como apáticos. A mudança na forma de se inserir na sociedade tem como uma de suas causas a necessidade de responder à pressão social, que é própria do contexto em que os jovens se encontram.

Atualmente, segundo a pesquisadora, o futuro é mais incerto para a juventude. Como nada está definido (já não há a mesma segurança de antes em relação a como se desdobrará o destino profissional e familiar, por exemplo), os jovens transitam entre diversas possíveis maneiras de conduzir suas vidas, sem que suas escolhas sejam definitivas ou lineares. Por isso, Patrícia usa o termo do cientista social português José Machado Pais para definir essa juventude: é a “geração ioiô”.

A pesquisadora mapeou várias formas de participação dos jovens (através das artes, da religião e de esportes, por exemplo), mas tomou como foco para sua tese o que chamou de forma político-ideológica. Para isso, realizou entrevistas com membros de grupos da universidade, como a Juventude Conservadora da UnB e a Aliança Pela Liberdade (que, posteriormente, assumiu o Diretório Central dos Estudantes - DCE). Ela também aplicou questionários para alunos da UnB, escolhidos aleatoriamente.

Uma das conclusões a que Patrícia chegou com sua pesquisa é de que os jovens atuais agem e pensam de forma mais pragmática e com objetivos mais focados e identificáveis. Além disso, ela afirma que “discursos muito radicais e inflamados não fascinam mais os jovens como faziam antigamente”. O trabalho mostra que a juventude está mais interessada em soluções práticas para problemas concretos ao seu redor, como as deficiências de infraestrutura da universidade.

Desde que chegou a Brasília para realizar seu mestrado, há cerca de 12 anos, Patrícia se interessou pela UnB. Com o progresso de sua pesquisa de doutorado, o interesse cresceu. Ela ressalta a criação da universidade como um marco no desenvolvimento do ensino superior brasileiro. A pesquisadora é categórica ao afirmar: “A história da UnB deveria ser contada e recontada todos os dias. É uma história linda e muitos alunos e professores não a conhecem, o que é uma pena”.
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