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UnB tem 15 dias para encaminhar parecer sobre apologia ao estupro ao MPDFT

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postado em 29/07/2013 17:03 / atualizado em 31/07/2013 12:48

Gustavo Aguiar

Com a instauração da comissão que apura o caso de apologia ao estupro ocorrido durante um trote na Universidade de Brasília (UnB), a instituição precisa decidir o caso antes do recomeço das aulas, em 19 de agosto. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, que também investiga o ocorrido, pediu um relatório da universidade. O prazo para que a UnB apresente o parecer sobre o assunto é de 15 dias.

Até o momento, o grupo tomou o depoimento das mães dos dois estudantes envolvidos e recolheu a carta emitida pelas família dos jovens à reitoria da UnB, em que ambos se dizem arrependidos pelo ocorrido. Na última quarta-feira, durante a divulgação do resultado do segundo vestibular de 2013, no câmpus Darcy Ribeiro, dois estudantes foram fotografados segurando um cartaz com a seguinte mensagem: "caiu na redes [curso de engenharia de redes] é estupro." O caso ganhou repercussão depois que a imagem começou a circular na internet. Os alunos são Rodolfo Fava, 18 anos, e o menor T.V.S., de 17 anos, ambos alunos de engenharia de redes.

Investigação

De acordo com a decana em exercício Maria Terzinha da Silva, do Decanato de Assuntos Comunitários, ainda é cedo para se dizer qual medida será tomada para punir os estudantes. "Estamos ainda na fase de coletar informações. Precisamos ouvir o rapaz que fotografou e postou a imagem, e entender melhor o contexto daquela situação", explica. Para Maria Terezinha, é pecipitado falar em expulsão.

Antonio Brasil e Alba Rezende, diretor e vice-diretor da faculdade de tecnologia, onde os alunos estudam, divulgaram uma nota onde se dizem "envergonhados” com o caso. Os professores afirmaram que a unidade, responsável pelos cursos de engenharia de redes do campus Darcy Ribeiro, está “tomando todas as providências devidas e não compactuará com qualquer tipo de incitação à violência contra a mulher, encaminhando sanções disciplinares exemplares dentro dos marcos regimentais de nossa universidade”.

A direção da faculdade pede para que o “comportamento equivocado de poucos” não seja visto de forma generalizada. “Isto também é pouco inteligente tal como a estupidez do cartaz divulgado na rede”.

Por causa de casos de homofobia e agressão, a UnB aprovou em 2012 uma resolução que trata das normas de convivência e vivência na universidade. Há proibição de recepções dos calouros que submetem os novos estudantes a situações degradantes, conhecidas como trotes sujos. Pela mesma norma, foram instituídas regras para as festas na universidade.

Para Nicolas Powidayko, coordenador geral do Diretório Central dos Estudantes da universidade, a questão não pode passar impune. "Vamos cobrar uma punição, mas pedimos paciência da comunidade durante a averiguação dos fatos", explica. Segundo Powidayko, os estudantes envolvidos no caso estão assustados e com medo de represálias e perseguição por causa do ocorrido.

Na mira do MPDFT
A polêmica também levou o caso ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. A investigação encaminhada pela unidade é fruto de uma representação da Secretaria de Política para Mulheres da Presidência da República, que atua na prevenção de casos de violência contra mulher. P

Para o promotor de justiça Thiago Pierobom, coordenador do Núcleo de Gênero Pró-Mulher, é possível que, no âmbito criminal, uma pena alternativa seja aplicada. "É importante dar a resposta à sociedade de que isso é inaceitável, mas a solução não é prender esses jovens."

Confira na íntegra as retratações dos dois estudantes envolvidos no caso de apologia ao estupro na UnB.


"Esta semana, na recepção aos calouros do Curso de Engenharia de Redes da UnB, junto a outros colegas, acabei me envolvendo num ato inconsequente e impensado e que jamais deveria ter acontecido. Na euforia do momento, portei um cartaz com dizeres que foram considerados ofensivos às calouras e às mulheres em geral.

Quero formalmente me desculpar, em primeiro lugar, com as calouras e calouros da UnB. Nunca tive a intenção de ofender e, muito menos, de incentivar ou praticar qualquer violência ou constrangimento contra as novas alunas da universidade. Tanto isso é verdade que a recepção aos calouros ocorreu sem incidentes de qualquer natureza.


Quero me desculpar, também, com todas as alunas da Universidade, minhas colegas de sala e amigas, com a comunidade acadêmica e com todas as mulheres. Peço desculpas à minha família, particularmente à minha mãe, às minhas avós e tias, que estão profundamente abaladas com o que ocorreu.


Neste momento, estou totalmente arrependido e triste por esse gesto impensado e de mau gosto. Gesto que não condiz com a formação moral que recebo dos meus pais, nem com a minha vida de estudante, filho e jovem que ingressou há poucos meses na universidade e acredita ter envergonhado a família, os amigos e os alunos do curso de Engenharia de Redes.


Nos próximos dias, vou procurar a UnB e me colocar à disposição para a realização de trabalhos voltados para a comunidade como forma reparadora, na área em que a instituição julgar mais adequada.


Rodolfo Fernandes Bianchi Fava, 18 anos, estudante do 1º ano de Engenharia de Redes da UnB."


"Venho a público pedir minhas sinceras desculpas acerca do cartaz exibido por mim e outro colega na recepção dos calouros do curso de Engenharia de Redes da UnB.

Nossa intenção era fazer um trocadilho com o com a frase 'Caiu na rede é Peixe' com o curso de engenharia de Redes, onde infelizmente, por muito mau gosto, foi inserida a palavra ESTUPRO no f
inal da frase, sem contudo estar relacionada à prática do repugnante ato criminoso, mas no sentido de Estupro Mental, cometido em virtude do elevado grau de dificuldade das matérias que enfrentarão durante o curso.

Aprendemos, de maneira amarga e dura, tendo nossos nomes e rostos expostos na mídia de maneira devastadora, que o que fizemos era de mal gosto e não levava em consideração a imensa dor das vítimas desse crime hediondo. Jamais foi minha intenção fazer apologia à prática de estupro


Diante do fato, peço publicamente desculpas, pelos dizeres nele contidos, esclarecendo que REPUDIO qualquer tipo de violência contra a mulher, seja ela física ou moral e reconheço que o texto contido naquele cartaz representa um comentário de infeliz mau-gosto, sendo de qualquer sorte reprovável.


Arrependo-me muito de ter segurado aquele cartaz e de não ter ouvido minha mãe me pedindo para não participar desse tipo de manifestação.


Fui criado somente pela minha mãe da qual sempre recebi uma formação moral que não condiz de forma alguma com a interpretação que foi dada ao texto do cartaz. Tenho profundo respeito pelas mulheres em especial por saber da grande luta de minha mãe em criar sozinha uma família e ter conseguido nos dar a educação necessária para que nós, três filhos, conseguíssemos todos ingressar na UnB. Peço desculpas à ela, que hoje vive um pesadelo por minha causa.


Sempre soube que queria ser um engenheiro. Estou realizando meu sonho. Nunca quis envergonhar o nome da Instituição e tampouco meus colegas e professores do curso como aconteceu.


Eu e minha família estamos em contato com a Universidade a fim de conseguirmos um meio para que eu possa reparar, de alguma forma, todo o transtorno que meu gesto causou. Por enquanto, novamente, peço a todos minhas sinceras desculpas aos professores, alunos, alunas da UnB e a todos aqueles que se sentiram ofendidos pelo que fiz.


T.V.S. 17 anos"
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