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Faculdades oferecem atendimento de graça

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postado em 15/08/2013 16:00 / atualizado em 15/08/2013 11:42

Gustavo Moreno
Gratuitos ou a preços baixos, os atendimentos na área de saúde oferecidos por faculdades do Distrito Federal costumam ser uma alternativa para quem precisa de acompanhamento especializado e não pode pagar pelo serviço. As clínicas-escola são formadas por alunos de cursos como nutrição, fisioterapia, psicologia, entre outros, mas há supervisão direta dos professores. As unidades atendem a comunidade em geral. Os interessados passam por triagem e são encaminhados aos setores específicos. Isso porque mesmo dentro de uma só área é possível ter vários ramos de atuação, a exemplo do que ocorre um hospital convencional.

O diferencial de uma clínica-escola está na possibilidade de maior envolvimento entre o profissional de saúde e o paciente, na avaliação da fisioterapeuta Waneli Cristine Morais Sampaio. “Por meio dessa iniciativa, conseguimos oferecer atendimento humanizado. A gente fica muito próximo ao paciente e à família dele”, explicou.

Waneli Sampaio é coordenadora do setor de fisioterapia pediátrica da clínica do Centro Universitário de Brasília (UniCeub) e conta que outro benefício é a possibilidade de desenvolver vários estilos de tratamento. “Aqui, por exemplo, nós usamos os métodos Bobath, Sarah, de Manuseio de Atividades Funcionais (Maaf) e a estimulação precoce (leia Para saber mais). Cada um é indicado para determinado caso, mas podemos utilizar exercícios de um e outro para complementar o programa do paciente”, detalhou.

Acompanhamento
Foi justamente o acompanhamento intenso que possibilitou Maria Clara Gonçalves de Oliveira Campos, 6 anos, a dar seus primeiros passos. Até os 4 anos, Clarinha, como é chamada, só engatinhava e tinha dificuldades de fala, sintomas decorrentes de uma lesão cerebral provocada por um suposto erro médico. A pequena demorou mais de 40 semanas para nascer,  porque a equipe que acompanhava sua mãe, a dona de casa Maria da Penha Gonçalves Campos, não marcou a cesariana para a data correta, segundo ela conta.

O resultado disso afetou os membros inferiores e a articulação da fala de Clarinha. Ela tem, portanto, uma alteração no equilíbrio para ficar em pé e andar. O trabalho desenvolvido pela equipe pediátrica consiste, então, em fortalecer a musculatura das pernas e pés, por meio da estimulação precoce. Em casa, a menina também tem que se exercitar. “Ela tem os horários certos para fazer seus movimentos”, contou a mãe. Os resultados são animadores para Maria da Penha. “Ela teve um grande avanço. Em casa, é totalmente independente, anda por todos os lugares, vai ao banheiro sozinha”, ressaltou a dona de casa.

Ocupar lacunas
A clínica-escola também atende uma demanda por serviços de saúde que o Estado não é capaz de suprir, na avaliação da chefe do Serviço de Psicologia do Iesb, Simone Cerqueira da Silva. No setor, são feitos 300 atendimentos por mês, em especialidades como psicologia hospitalar, educacional, clínica e jurídica.

As consultas são feitas de acordo com o semestre letivo, de fevereiro a julho e de agosto a dezembro. Estão envolvidos no projeto cerca de 80 alunos e 10 professores, que se revezam em consultas de segunda-feira a sábado. Há lista de espera. “Tem aumentado a procura pelos nossos serviços em razão da maior divulgação boca a boca e do aumento do número de alunos envolvidos”, contou Simone da Silva.

Para saber mais

Método Bobath
Seu objetivo é diminuir os espasmos musculares e estimular movimentos automáticos e voluntários. Por meio de uma bola, chamada de Bobath, é possível fazer ajustamentos da postura e produzir reações automáticas de proteção, endireitamento e equilíbrio. Outros equipamentos usados são o rolo, o andador, o espelho, indicados de acordo com o nível de comprometimento neuromotor do paciente.

Método Sarah
Tratamento indicado a crianças com paralisia cerebral e traumatismo cranioencefálico. Parte do princípio de que a família é o elemento fundamental no desenvolvimento dos pacientes, seja colaborando ativamente no tratamento ou entendendo as demandas deles.

Método MAAF
Trabalha com os principais mecanismos anatômicos e neurofisiológicos relacionados ao movimento e com a influência deles nas alterações de postura e movimento. Indicado para crianças com paralisia cerebral.

Estimulação precoce
É uma série de exercícios para desenvolver as capacidades da criança, de acordo com a fase do desenvolvimento em que ela se encontra. A maior parte dos programas de estimulação precoce é dirigida a crianças de 0 a 3 anos.

Fique atento

Clínica-escola de serviço de psicologia do Iesb
Onde: 613/614 Sul, Iesb, Câmpus Sul, bloco do serviço de psicologia
Telefone: 3445-4502

Clínica-escola de nutrição – UCB
Onde: EPCT, QS 7, Lote 1, Câmpus I, Bloco M, sala 121, em Águas Claras
Telefone: 3356-9338

Clínica-escola de fisioterapia – UniCeub
Onde: Setor Comercial Sul, Quadra 1, Edifício União, 8º andar
Telefone: 3966-1684

Aprendizado importante

A experiência de atuar em uma clínica-escola proporciona vivência da profissão, mas exige dos alunos adaptações diversas, que vão desde os materiais utilizados à linguagem usada com os pacientes. Afastar vícios tecnicistas é o primeiro passo para atuar nesses espaços, de acordo com a coordenadora de estágio em nutrição social da Universidade Católica de Brasília, Maria Fernanda Castione. “Eu oriento meus estudantes a entender e ouvir o paciente. Além disso, é importante explicar o diagnóstico de forma clara e objetiva, sem termos tão formais ou específicos”, defendeu a docente.

Outra preocupação deve ser os alimentos a serem escolhidos no momento de se montar a dieta, já que a maior parte dos pacientes é de baixa renda. “Eu costumo brincar que quanto mais saudável a dieta, mais cara”, ressalta. Por isso, o desafio de se adaptar à realidade de quem é atendido é tão motivante, na opinião de Maria Fernanda. “Os alunos adoram. É o momento de se exercitar a prática e eles adoram o contato com o paciente. Assim, se esforçam para minimizar as dificuldades que se colocam à atividade”, contou.

Tal missão exige, no entanto, muita responsabilidade, na avaliação da estudante do 9º semestre de fisioterapia Letícia Sampaio, 21 anos. Ela estagia, no momento, na área de uroginecologia da clínica do UniCeub e acredita que vivenciar o dia a dia da profissão a estimulou ainda mais a estudar. “Essa responsabilidade me fez querer buscar mais conhecimento, a entender mais profundamente a profissão que escolhi”, disse. (ML)

 

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