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Médicos estrangeiros são apenas o começo

Importação de mão de obra especializada do exterior já é incentivada em outras áreas pelo governo, como a engenharia, mas entidades de classe reclamam. Deficiência na formação de profissionais no Brasil explica carência

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postado em 19/08/2013 10:32 / atualizado em 19/08/2013 10:33

Grasielle Castro /Correio Braziliense , Julia Chaib

Gustavo Moreno
A importação de profissionais qualificados já acende um alerta em algumas categorias. Nos últimos três anos, o mercado brasileiro viu crescer quatro vezes o número de autorizações de trabalho para estrangeiros com pós-graduação, mestrado e doutorado no país. O governo federal também tem se mostrado mais aberto para receber esses profissionais. A estratégia de atrair médicos de diferentes nacionalidades para suprir a demanda, com a movimentação para adotar a mesma medida em outras áreas, entretanto, já incomoda entidades de classe. A Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), por exemplo, já soltou uma nota dizendo ser contrária à proposta de atrair mais profissionais.


O presidente da entidade, Murilo Pinheiro, diz que a intenção governista não se justifica. “A importação de mão de obra se limitaria a resolver o problema de forma paliativa e não nos deixaria nenhum legado”, disse em nota. Para a FNE, o ideal era investir na mão de obra que já está no país. Ela defende que, se o objetivo é fixar o profissional no interior, tal como o Programa Mais Médicos, o ideal é que as prefeituras façam concursos, com salários justos. O órgão também destaca que não é novidade a falta de profissionais. A entidade diz que alertou há mais de cinco anos sobre a necessidade investir nos profissionais, na formação e na especialização.


Marcelo Moraes, integrante do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), acrescenta que é preciso fiscalizar a validação de diplomas. “Há universidades que revalidam o documento da pessoa que têm um número de horas-aula de curso muito menor que o do Brasil. Não temos problemas com a vinda de estrangeiros, mas tem de ser garantida a qualidade”, diz.


Na última semana, foi criada a Frente Parlamentar da Engenharia e Agronomia, porque, segundo Moraes, há cerca de 300 projetos relacionados à categoria no Congresso que precisam ser acompanhados, além do debate da revalidação de diplomas. Em nota, o conselho diz não ser contra a contratação desses profissionais, mas sinaliza que não existe tanta demanda, como foi apontado há dois anos.
Dados do Confea mostram que houve um aumento na quantidade de registros concedidos ao grupo. O número de revalidações tem crescido ano a ano. Em 2008, foram apenas sete. Já em 2012, foram 37. Mas nem todos os profissionais estrangeiros que trabalham no país revalidam o diploma. No total, o Brasil conta com 1.021 engenheiros formados no exterior registrados na entidade, desses 436 são estrangeiros.


Um desses é o engenheiro civil cubano Vladimir Barban, que chegou ao Brasil há 12 anos para acompanhar a esposa. Na capital federal, revalidou o diploma pela Universidade de Brasília (UnB) e fez mestrado e doutorado pela instituição. Concluída a formação, Barban abriu sua própria empresa de engenharia civil, que presta serviço a outras companhias brasileiras. Para ele, a vinda de profissionais estrangeiros ao Brasil é explicada pela falta de mão de obra local. Segundo ele, o mercado tem requerido cada vez mais profissionais e a taxa de formados no Brasil ainda não é suficiente.


“Essa aquecida é um fato que atrai o estrangeiro, mas a principal preocupação de qualquer empregador não é somente com a existência da mão de obra, mas com a qualidade do trabalho”, diz. Barban também destaca que o “intercâmbio” de profissionais de várias áreas, deve-se a diversos fatores, como a globalização. “Assim como muitos vêm ao Brasil, vários brasileiros vão para fora”, disse.

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