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Morte de estudante causa comoção na UnB

Aluno de administração da Universidade de Brasília passou mal a caminho da sala de aula, no Instituto Central de Ciências Norte. Ele teve quatro paradas cardiorrespiratórias

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postado em 21/08/2013 11:03 / atualizado em 21/08/2013 11:05

Estudante responsável, Flávio dos Santos Santana fez questão de comparecer ao segundo dia de aulas na Universidade de Brasília (UnB). O jovem de 25 anos estava no 2º semestre do curso de administração e, há duas semanas, apresentava inchaço nas pernas. Ontem pela manhã, antes de ir para a instituição de ensino, tentou calçar um tênis, que não coube no pé devido ao edema. Preocupada, a mãe teria pedido para que ele procurasse um médico. Flávio preferiu ir para a UnB. O aparente problema de circulação era o único sinal, segundo relatos da família, de que algo não ia bem. Antes de chegar à sala de aula, o rapaz sofreu uma crise convulsiva, seguida de parada cardiorrespiratória, e não resistiu. Morreu no corredor do Instituto Central de Ciências (ICC) Norte.

Nas aulas, Flávio era um rapaz calado, mais “na dele”, segundo colegas. Mesmo assim, sempre que o procuravam, era simpático e agradável. Inclusive, participou do pré-trote de início de semestre, quando teve de se apresentar aos veteranos, e vice-versa. Ontem, teria uma aula às 8h, que foi cancelada por falta de professor, e uma às 10h, de introdução à contabilidade, no Pavilhão João Calmon (PJC), para onde seguia na hora do incidente. O professor e os alunos aguardavam por ele na sala de aula. “Mas ele não chegou. Ficamos sabendo, o clima ficou péssimo e, quando fui atrás e vi a mochila dele no chão, não acreditei”, contou a amiga de curso Samira Machado, 17 anos.

Logo que souberam da morte do amigo, os estudantes do 2º semestre de administração formaram um círculo de orações em homenagem ao jovem. O Departamento de Administração da UnB cancelou as aulas dos períodos vespertino e noturno e, no início da noite de ontem, pedaços de tecido de TNT foram colocados em cima da placa e da porta de entrada do Centro Acadêmico de Administração (CA), em demonstração de luto. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) divulgou uma nota de pesar na página de uma rede social. “Que os amigos e familiares de Flávio tenham força nesse momento de tristeza e se recordem dele como o garoto alegre que era”, diz o texto.

A grande manifestação de apoio à família e de admiração ao rapaz será hoje, ao meio-dia. Os estudantes combinaram de ir com roupas brancas e de levar flores e fotos de Flávio. Natalia Lopes dos Santos, 18 anos, estudava com o jovem desde o semestre passado. Tinha cinco matérias em comum com ele. “As pessoas mais próximas dele sempre diziam que era gente fina, sempre na boa, e que não tinha problemas de comportamento. Todos lamentaram”, relatou a menina. O corpo do estudante será enterrado hoje, no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. O velório está marcado para as 13h30, na capela 6 do cemitério, e o sepultamento será às 16h.

Convulsão

Flávio passou mal na manhã de ontem, por volta das 7h40. Teve uma convulsão e caiu no chão. Segundo o Serviço Móvel de Urgência (Samu), ele foi atendido pela mãe de um aluno, que é médica e passava pelo local. O jovem sofreu um corte no supercílio, e perdeu muito sangue, também pelo nariz e pela boca. Durante os primeiros atendimentos, teve quatro paradas cardiorrespiratórias. “Quando chegamos, ele estava no chão, com baixa consciência e dificuldade de respirar. Nós começamos a atendê-lo, ele estava instável, o coração parou três vezes. Tentamos reanimar por 1h15, mas não deu”, explicou a médica do Samu Laila Lopes. Segundo ela, a família contou que o menino não tinha doenças prévias, e só apresentava o inchaço nas pernas. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) com a causa da morte deve sair dentro de 30 dias.

Durante o dia, houve especulações sobre a morte do rapaz. Testemunhas disseram que o Samu demorou cerca de 40 minutos para chegar e que a equipe não teria conseguido usar o desfibrilador — aparelho usado para reanimar o coração de pacientes com parada cardíaca — por falta de adaptadores de tomada. A comunicação do serviço de urgência negou, e afirmou que a ambulância chegou à universidade dentro do prazo para esse tipo de atendimento, que é de 12 a 20 minutos. Sobre o aparelho de reanimação, a equipe contou que a autonomia é de 1h fora da tomada e, por isso, não foi preciso usar a energia da UnB. Também foi cogitada a possibilidade de Flávio ter caído do mezanino do ICC Norte ou de ter sido vítima de trote. A universidade descartou.

Cursos de primeiros socorros


A UnB fez contato com o Núcleo de Educação do Samu a fim de iniciar cursos de primeiros socorros para alunos e professores do câmpus. Após a formação das turmas, as aulas serão ministradas nas instalações do Samu. A previsão da universidade é de que o curso comece ainda neste semestre. “Podíamos ter pensado antes, mas isso aconteceu hoje, então vamos nos concentrar nisso, e em ter mais equipamentos de salvamento na universidade”, afirmou a decana de Assuntos Comunitários, Denise Bomtempo.

A professora também lembrou que a instituição tem uma Diretoria de Saúde, no Hospital Universitário de Brasília (HUB), próximo à UnB. Apesar disso, o reitor, Ivan Camargo, reconheceu que é necessário melhorar a estrutura. Segundo ele, a universidade precisa de equipamentos e de profissionais. “Temos dificuldade de contratação, que deve ser feita por concurso, e estamos em busca de melhoras para a UTI do HUB. Já conversamos sobre isso com o curso de medicina”, explicou.

A instituição declarou luto por três dias, mas as aulas vão acontecer normalmente. “A mãe nos disse que ele era um estudante responsável. Estamos de luto, é um momento triste para todos nós, para a UnB, para a família. Foi uma fatalidade”, lamentou Denise Bomtempo.
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