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Acusado de erros está no Mais Médicos

Suspeito de mutilar 15 mulheres no Amazonas faz parte do programa, e começa a prestar serviço hoje em Águas Lindas (GO). Ministério diz que caso será investigado

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postado em 03/09/2013 16:00 / atualizado em 03/09/2013 11:30

Daniela Garcia , Julia Chaib

Ed Alves
O Ministério da Saúde selecionou para o programa Mais Médicos um profissional suspeito de ter mutilado e causado lesões corporais em pelo menos 15 mulheres em Manaus. Ex-deputado federal, Carlos Jorge Cury Mansilla, 56 anos, começa a trabalhar hoje em um posto de saúde no município de Águas Lindas de Goiás (GO).
Até o momento, foram concluídos 15 inquéritos policiais no Amazonas. Segundo o delegado Mariolino Brito, as vítimas sofreram sequelas físicas e mentais, após passarem por procedimentos cirúrgicos com Mansilla. O próprio médico assume não ter especialidade médica em cirurgia. Entretanto, conta que trabalhou por 28 anos como cirurgião-geral do Hospital Regional de Guajará-Mirim, em Rondônia, e já realizou cerca de 20 mil operações. “No interior do Norte, minha filha, nós somos especializados em tudologia”, afirmou ontem ao Correio.

As pacientes procuraram o médico para realizar cirurgias estéticas. Celiane Eduardo Santos foi uma das mulheres que entraram na Justiça pedindo indenização de R$ 108.690 por danos causados em uma cirurgia de redução das mamas. “Eu tive de realizar três procedimentos. No primeiro, eu não fiquei com o tamanho do seio que tínhamos acertado. Tentamos mais uma vez e não deu certo. Na última, ele já me atendeu muito mal e senti muita dor na anestesia, que ele mesmo aplicou”, conta.

No fim de julho deste ano, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (Cremam) interditou o registro de Mansilla. A partir daí, o médico ficou proibido de exercer a profissão por seis meses em qualquer lugar do Brasil. “É um absurdo um profissional realizar cirurgias sem que tenha especialização”, critica o presidente do Cremam, Jefferson Jezini. O médico também está certificado em Rondônia. Lá, Mansilla já havia sofrido suspensão da certidão por 30 dias, pois contou com a ajuda de um anestesista sem registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) durante um procedimento.

Carlos Mansilla afirma que é inocente. “Até hoje não existe um laudo que confirme as acusações.” Para o médico, as mulheres fizeram denúncias, pois ficaram insatisfeitas com o resultado. O delegado Mariolino Brito conta que a maioria das vítimas passou por exames de delito e sofreram sequelas irreversíveis. “Algumas mulheres chegaram a ser mutiladas. As vítimas sofreram lesões nos seios, abdômen, barriga, bumbum”, detalha. Em janeiro deste ano, a polícia civil de Manaus chegou a pedir a prisão preventiva de Mansilla, porém, com um salvo-conduto, expedido pelo juiz da 8ª Vara Criminal, o médico escapou de ficar preso.

Chance
Segundo Mansilla, a decisão de se inscrever no Mais Médicos foi para ter uma nova chance na profissão. O suspeito alega perseguição de colegas e diz que nem chegou a ser ouvido pelo Cremam. “Eu nunca vou deixar de ser médico. Por que eu não posso trabalhar sem CRM, se os cubanos, paraguaios, bolivianos podem?”, reclamou. Cury também exerceu o cargo de deputado federal, como suplente, pelo PPB (RO), entre 22 de abril e 8 de setembro de 1999, e de secretário de Saúde de Guajará-Mirim, em abril do mesmo ano.

De acordo com o Ministério da Saúde, Mansilla se inscreveu no Programa Mais Médicos, porque um desses cadastros está ativo junto ao Conselho Federal de Medicina (CFM). A pasta informou que fará uma consulta ao órgão e aos CRMs do Amazonas e de Rondônia solicitando um parecer sobre a situação ética do médico. O CFM afirmou não ter sido comunicado oficialmente sobre o caso e se colocou à disposição do Ministério da Saúde para fornecer mais informações.

Inscrições irregulares
Chegaram a ser selecionados para o Mais Médicos dois profissionais estrangeiros com problemas na Justiça. Um dos casos é o de José Miguel Arregui Arata, que iria para Bonito (BA). Suspeito de exercício ilegal de medicina, ele teria sido preso em 2005 na cidade de Angol, no Chile. Outra situação é da médica Jelena Cvetkovic, acusada de tráfico internacional de drogas. Os dois foram excluídos do programa.
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